As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de outubro

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Jesus e sua luta pelos oprimidos: uma releitura na Parada Gay 2015


A atriz Viviany Beleboni


A eventual “polêmica” que alguns atribuíram à imagem de uma mulher crucificada, imitando Jesus, pode ser interpretada de um modo diferente, alias, qualquer imagem tem mais de uma leitura.

Um convite à reflexão, pensando numa análise mais científica:

Qual é a mensagem transmitida por Jesus?
O Amor incondicional entre nós e na doutrina cristã, Jesus se sacrificou por “nós”, quer dizer, a Humanidade inteira, sem nenhuma distinção (condição socioeconômica, política, religiosa, etc.)

A quem Jesus se colocou como defensor?
Defensor dos humilhados, pobres, perseguidos, doentes e todos aqueles que padeciam das violências do mundo. No entanto, qualquer pessoa, mesmo rica e poderosa, poderia segui-lo, inclusive, Jesus exortava o abandono dos bens materiais em favor de abraçar apenas a salvação da alma, elevando o espírito.
Dinheiro nunca entrou mediando esse processo,  pelo que sabemos, foram os “seguidores” de Jesus que criaram inúmeras distorções posteriormente pelas mais diferentes correntes e instituições, sendo que por outro lado, muitos seguidores fizeram e fazem jus a sua mensagem.

 Ao voltarmos para imagem, da mulher “pregada” na cruz, com os dizeres “basta de Homofobia LGTB” , o que temos?

Não é uma afronta, pelo contrário, foi uma forma de releitura, de apropriação bastante exata da condição de “sofrimento e opressão”, passada constantemente pelos homossexuais e que não tem o interesse de desmerecer Jesus e sim, lembrar o porquê de sua morte na cruz. 

Jesus nunca incentivou o ódio e foi o ódio que o matou.

Dentro do mistério da fé cristã, Jesus sabia do seu destino. Ele tinha uma missão muito difícil e tentou pedir momentaneamente isenção, durante aquela bela e muito sensível passagem de meditação junto ao jardim de Getsêmani: “Afasta de mim este cálice, Pai.” Mas, seguiu em frente !
Afinal, ele precisava “morrer” e “ressuscitar”, cumprindo sua missão. Segundo a doutrina, ele voltará e aí teremos o fim dos tempos, o chamado "Juízo Final".
Muitos o aguardam, outros não, porém, o modo de pensar cristão não pode ser imposto ao mundo e nem de nenhuma outra crença também.

A imagem de Jesus é intocável? Fazer qualquer modificação naquilo que é tido como a tradição é permitido?

Aqui vemos o sentimento de proteção que os seguidores de Jesus possam achar como importante e inquestionável. Porém, agir assim é em certa medida, aproximar-se do discurso fundamentalista.
A imagem causou um certo incômodo por ser uma mulher crucificada, que poderia ser pensada por um lado como blasfêmia, mas por outro poderia ser pensada também como uma representação do que causa a homofobia: dor e sofrimento para qualquer ser humano. 

Apenas que, ali, não estava  “pregado” um homem seminu,  torturado cruelmente.
Portanto, não é um desrespeito à figura de Jesus e sim uma releitura, como tantas que já foram feitas, e muitas vezes, até para incitar o ódio, mas com certeza, não foi o caso desta.


As imagens são poderosas. Sempre foram usadas em diferentes momentos da História para defender ideias, pensamentos, crenças e no caso desta cena, lembrar do sofrimento de Jesus como alguém que buscou a justiça, a dignidade, a honestidade, o respeito irrestrito, a humildade e o Amor entre os homens, sem dúvida, é uma muito feliz e oportuna lembrança.

Jesus em nenhum momento colocou proibição sobre o uso de sua imagem!

Vale lembrar que, todas as imagens que conhecemos sobre Jesus são uma construção cultural, afinal, não sabemos ao certo, como ele era.

Só posso encerrar com a célebre passagem: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei."

Alguns outros exemplos de "apropriações" da imagem de Jesus":

"A entrada de Cristo  em Bruxelas", James Ensor, c. 1888, J.P. Getty Museum, Malibu, EUA

cena do musical "Jesus Cristo Superstar" de 1973, dirigido por Norman Jewinson

Montagem brasileira do Musical no Brasil em 2014


"Jesus" segundo Stephen Swayer

"Santa Ceia", artista brasileiro Valdson Braga

"Asado en Mediolanza", foto do argentino Marcos López, c. 2001


João Batista batizando Jesus no rio Jordão. Imagem copta (cristãos do Egito e Etiópia)

Maurício Gonçalves interpretando Jesus no filme o "Auto da Compadecida"(1999), dirigido por Guel Arraes e inspirado na peça de mesmo nome, escrita por Ariano Suassuna em 1955, falecido em 2014.



2 comentários:

  1. interessante o seu artigo , mas vejo que o não ha um conhecimento profundo
    sobre quem foi Jesus oque ele pensava , aqui esta um trecho de um discurso de Jesus
    "Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar
    divisão entre o filho e seu pai, entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra,
    assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe
    mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim,
    não é digno de mim; e aquele que não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim.
    O que acha a sua vida, perdê-la-á; mas o que perde a sua vida por minha causa, achá-la-á.» (Mateus 10:34-39)"
    O objetivo de Jesus era se sacrificar para nós recebermos o perdão , mais esse sacrificio é valido apenas para quem se arrepende
    dos seus pecados , aqui esta um assunto um pouco delicado , porque os homossexuais eles acham que os cristãos são contra eles,
    ou contra o amor deles , mais na verdade quem é contra é o propria biblia a qual Jesus ensinava , obeserve nesse texto o pensamento de
    Deus sobre a relações homosexuais" Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações,
    à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.
    Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.
    E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens,
    cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.
    E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm;"rm 1 :24-28;
    por isso achar que Jesus ele veio apenas para Defensor dos humilhados, pobres, perseguidos, doentes e todos aqueles que padeciam das violências do mundo assim
    como esta escrito no texto esta errado.Mas para dizer a humanidade que ela tem pecados e que precisa se arrepender e aceitar o sacrificio dele para serem salvos
    e não andar em praticas a qual Deus abomina.

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    1. Olá, Matheus!

      Agradeço por suas observações. Agora pontuo as minhas:

      Em primeiro lugar não quis fazer um texto acadêmico e assim busquei uma leitura mais aberta do tema em discussão (a imagem de Jesus na Parada Gay) e suas possíveis leituras, rompendo com o senso comum.

      Conheço bem a extensão do tema, sua bibliografia sem contar os inúmeros problemas de exegese e hermenêutica que teria se começasse a usar os fragmentos bíblicos para justificar minhas posições e muito menos, fazer um texto confessional.

      Não quis também entrar na discussão do tema salvação/pecado, mas buscar uma leitura histórico-antropológica sobre a questão da imagem de Jesus e sua visão dentro e fora do Cristianismo.

      Conheço a doutrina cristã e pelo visto, temos opiniões discordantes, inclusive campo teológico. Mas, é seu direito pensar como lhe for mais conveniente e mesmo vale para minha pessoa.

      Encerro com as palavras de Voltaire: "Posso não concordar com uma palavra do que disserdes, mas defenderei até o fim o direito que tens em dizê-las."

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