As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de julho

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Resenha do filme Alexandria (Ágora), de Alejandro Amenábar




O filme Alexandria, de Alejandro Amenábar, procurou preencher as grandes lacunas que temos em relação à vida e obra de uma importante personagem da cultura ocidental: Hipatia de Alexandria, uma matemática, astrônoma e filósofa que viveu entre 370 e 415 da Era Cristã, um contexto de profunda agitação política e religiosa em virtude da grave crise que se colocara o Império Romano.

Filha de Théon, um renomado matemático, diretor do Museu (casa das musas, sendo que cada uma das artes tinha uma respectiva musa, uma entidade protetora e inspiradora) e da Biblioteca de Alexandria, Hipatia teve uma sorte que poucas mulheres de sua época tiveram: a possibilidade de permanecer solteira, podendo assim ser livre para estudar e lecionar, sem ter que se submeter à autoridade de um homem, tudo isso com o consentimento de seu pai, que, observando as potencialidades da filha, preferiu dar-lhe uma educação muito mais ampla que uma mulher de alta condição social receberia ao invés da condição de “mãe e esposa”, que nas palavras de Théon, (Michael Logsdale), “seria a morte”.

Apesar da grande quantidade de romances e livros que procuraram retratar a célebre pensadora, o filme de Amenábar procurou fazer uma leitura mais ponderada e próxima do real: de um lado mostrava a excelência do trabalho de Hipátia, mas de outro não se esquecia de colocá-la como uma mulher rica, de uma sociedade escravista, que por mais que tentasse abrandar as diferenças entre ela (livre) e os escravos (propriedades), Hipátia ainda era alguém de condição superior que menosprezava os escravos, não tendo a crueldade de muitos senhores.

A fala de Hipátia censurando os discípulos sobre a intolerância foi exemplar: “as lutas são coisas de escravos e canalhas”, dita num momento de tensão entre dois discípulos, o choque de opiniões entre o pagão Orestes (Oscar Isaac), filho do prefeito de Alexandria e o cristão Sinésio (Rupert Evans), exatamente após a brilhante explanação do escravo de Hipátia, Davus, o qual recebera a permissão para falar sobre o sistema geocêntrico de Ptolomeu, apresentando um modelo rústico em madeira feito pelo próprio Davus.

Outro dado pertinente, é que para a resolução da contenda entre os dois discípulos, Hipátia se vale do 1º teorema de Euclides: “Se duas coisas são iguais a uma terceira, as três são iguais entre si”, sendo que, no desfecho do destino de Hipátia o mesmo teorema será evocado por seu ex-discípulo no desfecho do filme, o já então bispo Sinésio de Cirene para tentar submeter Hipátia à fé cristã através do batismo público.

O papel de Davus (Max Minguella) é conduzir Hipátia (Rachel Weisz) para a inquietação, seja dentro dos valores defendidos pela filósofa, seja pela mudança que Davus vai apresentando ao longo do filme: primeiro um escravo, submisso e obediente, mas que aos poucos se aproxima dos valores cristãos como a piedade e a solidariedade, mesmo que isso lhe custasse dor e sofrimento, como foi a surra recebida de Théon ao se colocar como culpado junto a outra escrava da casa, se dispondo a apanhar em seu lugar, mesmo que naquele contexto, não houvesse nada que justificasse o seu castigo.

Após a punição, Hipátia procura o escravo e aplica-lhe um bálsamo nas feridas, perguntando-lhe se de fato era cristão e Davus, lhe responde que não sabe o que dizer, pois se dissesse que não era teria cometido algo muito mais grave por trair a confiança de seu mestre. Hipátia não querendo comprometer o escravo e ao mesmo tempo se comprometer com o esclarecimento da questão, pede então que ele não diga nada, evitando com essa omissão, o comprometimento de ambos.

Um agente da mudança de Davus é o parabolani Amonius (Ashraf Barhom), integrante de uma espécie de milícia que se construíra nas entranhas da sociedade romana a partir da liberdade de culto decorrente do Édito de Milão em 313. Sua função seria a proteção aos cristãos para evitar abusos daqueles que se recusavam a obeceder a tolerância concedida pelo imperador e ao mesmo tempo, zelar pela entrega de pão aos pobres, mas gradativamente, passaram a oprimir e perseguir os inimigos dos cristãos. O termo parabolani deriva de parábola, uma forma de linguagem alegórica muito utilizada nos Evangelhos para a transmissão da doutrina ensinada por Jesus compondo, portanto, uma linguagem mais simples e acessível para a difusão da fé cristã entre as pessoas mais humildes.

Amonius tem um papel chave na exemplificação da expansão do cristianismo quando discutiu com um romano pagão, defendendo o cristianismo e desafiando-o a atravessar o fogo sagrado aceso da ágora (espaço público da cidade aberto a todos, do qual, aliás, deriva o nome original do filme, que aqui no Brasil foi lançado diretamente em DVD com o nome de Alexandria) e se os deuses existissem de verdade, eles protegeriam aquele rico patrício. Nesse momento, Amonius entre no meio do braseiro e o atravessa, escapando ileso e depois ele e mais outro parabolani jogam o romano pagão dentro do braseiro e assim, este tem suas suntuosas vestes em chamas, sendo acudido por outros, mas mesmo assim, muito queimado, servindo como demonstração de força do poder do deus cristão em relação aos deuses romanos.

No momento do ataque dos pagãos aos cristãos, Davus entra em crise, pois os escravos deveriam atacar os cristãos, seguindo seus senhores, mas alguns escravos aproveitam o ensejo para assumirem-se como cristãos e contra-atacam seus senhores, dentre eles outro escravo da casa de Hipátia ataca Théon, ferindo-lhe gravemente, que só foi detido com a ação de Orestes. Davus some na multidão e depois mais tarde, retorna à casa de seus senhores, mas entra armado, tentando violentar Hipatia (uma vez que ela não era casada, pressupunha-se que fosse virgem), mas se arrepende e não consegue consumar o ato, sendo libertado por Hipatia e a partir daquele momento se junto aos cristãos.

Nesse complexo cenário religioso está a importância da Biblioteca de Alexandria, a qual se encontrava junto do Serapeum, o templo de Serápis, divindade greco-romana derivada do contexto helenístico, ou seja, a intensificação da cultura grega no interior do Egito após a conquista deste território por Alexandre Magno. Serápis está relacionado com Júpiter, representado com forma humana, tendo sobre sua cabeça um vaso, que lhe serve como coroa, aludindo à fartura e fertilidade.

As origens da Biblioteca remontariam ao período de Ramsés II(1285 a.C.), mas até hoje historiadores e arqueólogos debatem sobre a existência desse prédio nunca encontrado que teria guardado uma coleção real de pergaminhos. Com a conquista do Egito por Alexandre em 332 a.C. e a fundação de Alexandria, ali se somaria aos rolos da coleção real existente para a formação de uma biblioteca, onde todo pergaminho que existisse em seus domínios deveria ter uma cópia ali guardada, representando uma gigantesca concentração de saberes de diferentes épocas e lugares, um tesouro de inestimável valor.

Planta baixa da cidade de Alexandria, destacando diferentes construções, dentre eles o Serapeum e o Museu.

Ratos, insetos e tensões políticas sempre foram grandes inimigos das bibliotecas, dificultando sua conservação ou ainda, sob as “luzes das tochas” idéias muito mal iluminadas resolveram atentar contra o conhecimento, sob as justificativas mais bizarras ou “mais nobres”, preferindo a queima do livro, para cegar e emudecer mais a Humanidade. Justamente na transição do Império para o Cristianismo, a Biblioteca foi vítima de mais um ataque em virtude da associação direta de sua existência com as crenças pagãs e assim, foi em nome da fé que o bispo Teófilo de Alexandria ordenou a sua destruição, junto dos ídolos e altares dos deuses, que a partir de 391 d.C., tornaram-se ilegais, dando lugar aos altares dos templos cristãos.

Quanto aos incêndios, foram vários, mas a carência de fontes somada à controvérsia das fontes remanescentes gerou uma grande confusão: Júlio César chegou atacar o Egito antes de se envolver com Cleópatra VII (rainha egípcia de origem grega, descendente da dinastia dos Ptolomeus, fundada por Ptolomeu I, general macedônico de Alexandre Magno que assumiu o controle do Egito a partir de 322 a.C.) e colocá-la no trono e alguns relatos mencionam a destruição de alguns milhares de rolos de uma “coleção de livros”, que é o significado de Biblioteca, mas não significa que se tratava do mesmo acervo guardado no Serapeum.

Dessa forma, observamos de outro ângulo as destruições e recomposições do acervo da Biblioteca, desfazendo aquela visão equivocada que apresentava a invasão árabe como a responsável pela destruição integral da Biblioteca. Houve sim um incêndio causado pelo califa Omar em 640 d. C. durante a conquista do Egito pelos árabes.

Alexandria foi um dos mais importantes centros culturais da cultura ocidental por mais de um milênio, reunindo pensadores, letrados e discípulos que vieram de diferentes partes para ali estudar e dali levar cultura às suas terras de origem. E dessa forma, a destruição desse acervo levou a uma perda irreparável do conhecimento existente no mundo antigo, restando a nossa época uma pequena fração daquilo que existira no passado.

O filme Alexandria acabou construindo uma dupla imagem entre a Biblioteca e a personagem central Hipátia, que pouco a pouco, viu seu espaço desaparecer em virtude da crescente influência política que os cristãos passaram a ter, especialmente com a ascensão de Cirilo (Samy Samir) como bispo de Alexandria, logo após a morte de Teófilo, o qual incitou seus fiéis à perseguição aos judeus e depois dos pagãos e na sequência, aos cristãos insubmissos como o caso de Orestes, que mesmo sendo prefeito da cidade, o símbolo do poder imperial, viu seu prestígio ser ameaçado, tendo que inclusive escolher entre o cumprimento estrito da fé cristã e sua relação com Hipátia, sendo que este último dado, não existem tantas informações para saber se assim fora, mas muito provavelmente, se coloca dentro da licença poética do diretor para a construção da narrativa do filme.

Dentro da poética emocional e psicológica do filme, Davus tentou evitar um fim trágico para Hipátia, mas os parabolani já tinham encontrado a filósofa que recusara a escolta, querendo evitar mais embaraços para Orestes. Davus, porém, sugere que ao invés de “esfolá-la” como muitos ali pretendiam, que eles não “sujassem suas mãos com sangue impuro” e assim ficara resolvido pelo apedrejamento. Enquanto os parabolani recolhiam pedras, Davus procura retribuir a piedade que recebera de Hipátia, sufocando-a e assim, sua morte seria mais rápida. Hipátia tem seus olhos focados no teto da antiga Biblioteca, transformada em igreja, sendo que seus últimos momentos foram a contemplação da luz passando pela abertura e, num jogo de luz e sombra, se construía uma elipse, a forma que mais tarde seria confirmada como a correta para explicar a órbita dos planetas.

Os relatos que falam da morte de Hipátia em 415 nos apresentam uma morte bem cruel, sendo seu corpo arrastado pelas ruas e depois queimado numa pira, para que suas cinzas fossem espalhadas ao vento e não lhe restasse nenhuma memória. Apesar da concretização da violência, o nome de Hipátia continuou vivo na cultura ocidental.

Ressalta-se aqui um dado importantíssimo: em virtude da ascensão do Cristianismo e de seu papel na sociedade romana, o poder político conseguiu subverter a própria doutrina que foi sendo contrariada ao passo que seus líderes buscaram o conflito a intolerância, gerando mais dor e sofrimento, num contexto que deveria ser o oposto, uma vez que a mensagem de Jesus é a defesa da justiça, da liberdade, da paz e do amor ao próximo, cabendo aquele que foi ofendido nunca reagir, mas sim oferecer a outra face. Infelizmente, estas premissas ficaram para trás quando o poder e a força falaram mais alto, tendo como justificativa a defesa da fé e de Deus.

Sobre Hipátia, as lacunas são gigantescas: não restaram nenhum de seus trabalhos e aquilo que lhe atribuem é resultado de menções de outros autores, mas a frequência e quantidade de informações que aparecem nessas diferentes citações nos sublinha a sua importância.

Seu reconhecimento foi aparecendo de diferentes maneiras: o pintor Rafael Sanzio em seu afresco Escola de Atenas a incluiu entre os grandes sábios, sendo a única mulher ali presente, colocando-a em pé, vestindo branco e numa posição de destaque, ao observarmos a imagem, na região esquerda, não muito longe de Averróis (seu nome original era Ibn Roshd, tradutor e comentador árabe de Aristóteles) que aparece de turbante, usando verde e Alexandre Magno, conforme podemos observar abaixo.

Detalhe do afresco "Escola de Atenas" , presente nos aposentos papais que hoje integram os Museus do Vaticano, sendo obra do pintor Rafael Sanzio, entre 1508 e 1511. 

Já nos textos literários, de autores como o filósofo francês Voltaire e historiador inglês Edward Gibbon no século XVIII não deixaram de esquecê-la, ao destacar seu papel dentro do pensamento neoplatônico, além dos conhecimentos ligados à matemática e astronomia, aliás, valendo-se dela como um contraponto ao fanatismo religioso que se disseminou na época de Hipátia e depois se manifestou em muitos outros momentos ao longo dos séculos, infelizmente.

Apesar de estarmos numa época tão diferente da ambientada pelo filme, o discurso radical e intolerante não desapareceu e ainda se faz vivo, querendo usar argumentos nobres para mais uma vez, calar, censurar e até exterminar tudo aquilo que é tido por “diferente”, que dentro desta lógica se torna sinônimo de “perigoso” e por isso deveria ser proibido ou destruído, segundo os delírios radicalizantes da intolerância, fato que sempre representam uma grave perda para a Humanidade.

Precisamos de luz (conhecimento) para iluminar nossas ações e decisões, mas que sejam sempre pautadas na dignidade, na liberdade, igualdade, justiça e na tolerância entre todos, independentemente, de qualquer condição, dentro deste complexo universo que hoje soma cerca de sete bilhões de indivíduos.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

RENASCIMENTO: apropriações e transformações da cultura greco-romana

O homem de Vitrúvio - Leonardo da Vinci

É   muito comum ouvirmos ou lermos nos meios de comunicação que hoje somos a “geração das imagens”, bombardeados diariamente com uma infinidade de cartazes, outdoors, jornais, revistas , televisão e mais recentemente, a Internet: uma das bases da intensa circulação de informações. Ficamos na mira de publicitários e anunciantes que buscam vender o seu produto, a sua idéia ou simplesmente, passar a sua mensagem. Nesse processo de comunicação, devemos também incluir os meios mais informais como pinturas em muros, grafites ou até as “pixações” que tomam conta das  grandes cidades, apesar de todas as críticas, estão sendo vistas, de certa forma , por  alguns especialistas como um “tipo de linguagem” ou “ forma de expressão” de determinados grupos urbanos.

Palavra versus Imagem. Ambas detêm um grande alcance e podem se tornar elementos poderosos de acordo com quem os manipule. Atualmente, o homem contemporâneo sofre uma avalanche de informações a uma velocidade jamais vista, a qual alguns rotulam como "globalização", a circulação de palavras e imagens tem se tornado tão importante quanto a de capitais voláteis de especulação no mercado financeiro, estando estes últimos inseridos no contexto econômico deste processo.

No entanto, hoje é comum  para a maior parte das pessoas, o domínio total ou parcial dos códigos de escrita adquirido  através do sistema de educação, cuja  qualidade  não representa  uma eficácia plena em todos os seus níveis, como infelizmente é o caso do Brasil.

Estas inquietações estão longe de ser resolvidas, mas apresentam uma série de pontos em comum, numa razão inversamente proporcional, com o período embrionário deste mesmo sistema, ou seja, os primórdios do pré-capitalismo durante o século XIV.

As relações se dão através da razão oposta, pois durante a Idade Média, a escrita sempre foi monopólio de um grupo restrito da sociedade: o clero. Tal fato implicava na necessidade do domínio da palavra para exercer o ofício sacerdotal da religião cristã, a qual é sustentada pelos textos contidos na Bíblia Mas, a partir da invenção da imprensa de tipos móveis por Gutenberg em 1450, o monopólio foi gradativamente rompido.

A transição do medievo para o mundo moderno não foi um processo homogêneo, sendo lenta e portadora de uma forte herança cultural, a qual teve vida longa em alguns pontos e noutros foi enfraquecida até a exaustão em diferentes países da Europa.

O conceito de Renascimento vem da palavra italiana renascitá, pois acreditava-se que o período anterior, a Idade Média, fora uma "espessa e longa noite gótica" imersa nas trevas e desprovida de cultura. Para os homens deste período, a "verdadeira" cultura encontrava-se na Antigüidade, a qual foi banida e em seu lugar a Igreja estabeleceu o teocentrismo. O saber, portanto, encontrava-se nas artes e nos escritos clássicos.

Dessa forma, os artistas e intelectuais buscavam uma concepção de cultura diferente da medieval e que tinha suas raízes no mundo greco-romano. A proposta central era afastar-se do teocentrismo, buscando o antropocentrismo, ou seja, o homem como o centro do Universo.

Apesar desta repulsa à Idade Média, é importante perceber que as transformações sofridas durante o Renascimento foram resultados de um processo de continuidade que perpassou o medievo e atingiu seu esplendor no momento seguinte, portanto, não se pode considerar a Renascença como uma ruptura total como propôs Jacob Burckhardt(1818-97), mas a mudança de um largo processo de experimentação e aprimoramento.

Uma das formas mais interessantes e mais ricas de se entender o Renascimento é olhar sua produção artística, hoje patrimônio inestimável da Humanidade, mas que em sua época foi exclusividade de ricos mercadores, nobres e dos papas. Quanto às camadas mais pobres( il popolo minuto: povo miúdo), estas tiveram acesso à produção que fora executada para os espaços públicos como estátuas e fontes nas praças , nas igrejas e nas confrarias de artesãos.

Cabe também a ressalva de que o Renascimento não foi a “recuperação integral” da Antigüidade, mas a sua releitura, sujeita aos valores e modismos do período entre os séculos XIV e XVI.

A estética renascentista propôs o retorno aos valores clássicos: arte mimética (a imitação da realidade com o objetivo de buscar a perfeição, segundo Aristóteles, forjando a idéia de respeitar o modelo adotado e dentro dele a busca da superação, com o auxílio da criatividade); a harmonia, a sobriedade (contenção dos sentimentos) e além desta recuperação da Antigüidade, o tema central foi o antropocentrismo (o homem como medida de todas as coisas) em detrimento do teocentrismo, favorecendo o surgimento de uma forma de cultura laica (não religiosa), a qual valorizava o individualismo. 

"O nascimento da Vênus" - Sandro Botticelli, Galleria degli Uffizi, Florença, 1485.

Tomemos um primeiro exemplo, o quadro “O nascimento da Vênus” obra do pintor florentino Sandro Botticelli(1445-1510), cujo próprio nome já identifica sua temática, a representação do nascimento da deusa romana do Amor, Vênus(Afrodite para os gregos) e, encomendada por Lorenzo di Pierfrancesco, primo de Lorenzo de Médici, o Magnífico.

Na pintura, a Vênus ocupa a posição central do quadro, dividindo de forma harmoniosa o espaço da composição: na sua direita se encontram a personificação dos ventos, os quais sopram e assim forma as ondas e as espumas do mar, das quais nasce a Vênus, sendo que esta está  em pé sobre uma concha e encobrindo-se com suas mãos e cabelos; a sua esquerda, vindo ao seu encontro, a personificação da Flora que lhe traz suas vestes.

Apesar do tema ser uma narrativa mitológica greco-romana, o cristianismo se faz presente através do pensamento neoplatônico de Botticelli, influenciado pelo filósofo Marsílio Ficino, o qual encorporou o pensamento de Platão a partir de uma visão cristã.

Dessa forma,  Botticelli representou a concha como uma alusão ao batismo, primeiro sacramento recebido, significado da inclusão na comunidade cristã e um contra-ponto ao paganismo e ao Pecado Original, pois só nas águas do batismo se encontra a Salvação. O pudor da Vênus é também outra referência greco-romana, o texto “O Banquete” de Platão, no qual aparecem duas imagens da Vênus: a Venus Vulgaris(Vênus Vulgar) representada nua, relação com o mundo material e a Venus Coelestis(Vênus Celestial), a qual representa a essência espiritual.

Outro ponto importante a ser notado é a idéia da mimesis, pois a natureza é o modelo e assim, se observamos a posição dos Ventos e a direção que eles sopram, notamos claramente o acompanhamento dos cabelos da Vênus, assim como o movimento dos tecidos segurados por Flora, que tem o panejamento empurrado próximo ao seu corpo. Estes movimentos ficam acentuados pela predominância das linhas curvas sobre as linhas retas que delimitam o horizonte. A simplicidade é vitoriosa e o espírito se eleva com beleza e equilíbrio.

Analisemos agora,  a pintura de Leonardo da Vinci (1452-1519) “A Última Ceia” encomendada pelo duque de Milão, Ludovico Sforza e pintada na parede do refeitório do convento dos dominicanos de Santa Maria delle Grazie em Milão ,entre 1495 e 1497.


A obra de Leonardo, assim como sua pessoa, foram objeto de inúmeras especulações desde a sua própria época aos nossos dias e ainda assim, preserva o encantamento , seja pela excelência de seu trabalho, seja pela diversidade de obras artísticas e de engenharia, sendo portanto, Leonardo da Vinci, o símbolo do conceito de Homem Universal (l’uomo universale) , signo das múltiplas potencialidades nos diferentes campos do conhecimento.
"A Última Ceia"


O tema desta obra é o momento da última ceia de Cristo e seus apóstolos, cuja importância é vital no culto cristão, uma vez que se manifesta  o dogma da transubstanciação (o pão se transforma em carne e vinho em sangue) e ao longo de dois mil anos se tornou o momento mais importante da liturgia cristã: a Eucaristia.

Sendo uma cena, presente no imaginário cristão , seja pelo texto bíblico, seja pela sua constante repetição na liturgia ao longo da trajetória do cristianismo, a pintura de Leonardo traz uma série de elementos de representação, compondo a imagem como uma peça teatral: num grande e suntuoso salão, Cristo e seus apóstolos estão reunidos.

Jesus ocupa o centro da grande mesa, típica de banquetes medievais, tendo a cada um dos lados dois grupos de três apóstolos, logo, uma composição harmoniosa e equilibrada. O ponto central da imagem se encontra atrás da cabeça do próprio Cristo, a qual junto com a moldura da janela imediatamente posterior compõe uma circunferência, pólo irradiador das linhas de perspectiva da composição, um das principais contribuições do Renascimento.

A atenção do Cristo está para o pão e o vinho, alimentos e metáfora de seu futuro destino, o sacrifício na cruz pela Humanidade. A posição de seus braços em relação à sua cabeça formam uma imagem triangular. Hipóteses para tal composição são inúmeras, destacando-se entre elas , as de caráter esotérico e místico, uma vez que os estudos herméticos e de alquimia foram muito comuns à época de Leonardo.

Não há como saber quais teriam sido as referências que guiaram a mão e a cabeça do pintor. Mesmo as referências presentes nos Evangelhos não oferecem muitos dados para uma resposta precisa. Talvez , uma questão possa ser levantada a partir das palavras imagem e representação.

A primeira tem origem na palavra latina imitago (imitação) que formou a palavra imago (imagem) e dela toda uma imensa família, como por exemplo, imaginação e imaginário. O conceito de imago vai muito além do “desenhar uma figura”, pois a idéia apreender o sentido de algo, transmitir um conhecimento. Enquanto, a segunda tem origem também no latim repraesentatio (representação) que significa “colocar algo no lugar daquilo que não está visível”, uma sugestão “daquilo que pode vir a ser”.

À guisa de conclusão, podemos entender que seja qual for a obra de arte observada, não é possível entendê-la como algo isolado, sem olhar seu autor ou autores e a sociedade que a produziu, sendo esta última a responsável pela elaboração de seus significados, que não podem ser limitados a um “código secreto” a ser decifrado ou escondido. Cada observador, pode atribuir uma imensa gama de significações, mas olhando para o passado nem sempre é possível recuperar na integra ou mesmo parcialmente todas as referências, uma vez que a sociedade que as criou não existe mais.

Se  nos compararmos com o Renascimento, também nos encontramos numa fase de transição e intensa efervescência cultural, mas talvez tenhamos modificado muito a nossa relação com as imagens, pois em muitos casos fomos educados para “só pensar” e deixamos assim de educar o nosso olhar de uma maneira mais completa, um pouco mais ampla do que o mero ato de identificar objetos, porque fomos esquecendo a importância dos gestos, dos símbolos, do “saber” e do poder que as imagens portam. Olhamos tudo muito rápido e enxergamos muito pouco.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O clima político "quente" do verão londrino

Para um país que tem em seu histórico vários assassinatos de reis, o clima anda bem quente na Inglaterra...

O último assassinato foi em 1649, quando Carlos I, da dinastia Stuart, foi derrotado pela Revolução Puritana, sob a liderança de Oliver Cromwell, implantando uma ditadura republicana que durou de 1649 a 1660.

"Carlos I" de Anthony Van Dyck, 1640.

Um dos primeiros atos de Crowell foi o julgamento de Carlos I, que fora condenado à morte, sendo de decapitado em 30 de janeiro de 1649, um regicídio (assassinato de um rei) em praça pública, 143 anos antes dos franceses.

A charge abaixo, no entanto, mostra que as coisas não estão tão bem quanto possam parecer. Como disse Shakespeare em Ricardo III, "é sempre franzido o semblante da fronte coroada".

A fonte da charge do Alpino é o portal Yahoo.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Curso de História da Arte no Cursinho da Poli

Cursinho da Poli


CURSO DE HISTÓRIA DA ARTE

2º semestre de 2011

Prof. Elias Feitosa de Amorim Júnior


OBJETIVOS: O curso tem não só a finalidade de preparar os alunos para a prova de habilidades específicas da carreira de Artes Visuais (em algumas instituições ainda se identifica a carreira como “Artes Plásticas”), com enfoque direcionado aos programas da Fuvest e Unesp, mas também, contribuirá para preparar os candidatos de todas as carreiras que pretendem fazer os exames da Unicamp e Unesp, uma vez que conteúdos relativos à História da Arte fazem parte do programa formal destes vestibulares.

ESTRUTURA: O curso está planejado em 07 aulas sequenciais, bem como, estão previstas visitas para os museus e centros culturais de referência, nos quais serão desenvolvidas atividades didáticas, visando o aprofundamento das discussões realizadas em sala. Estas atividades serão programadas provavelmente para os domingos.
Os alunos receberão uma apostila, composta por uma síntese dos conteúdos trabalhados em aula para que possam estudar em casa e também poderão consultar uma pasta de textos básicos que compõem a bibliografia cobrada na prova específica, a qual será organizada na seção de Alunos do Cursinho, a partir da sua divulgação no manual do Vestibular.



Dia: Quarta - Horário: das 14:00 às 15:30.

Local do Curso: Unidade Lapa (Av. Ermano Marchetti, 576, Lapa - São Paulo, SP)

Valores: Alunos do Cursinho: inscrições na Seção de Alunos da sua unidade R$ 75,00 à vista ou 2 x de R$ 37,50 (em cheques).

Não-aluno : Inscrição pessoalmente em qualquer unidade do Cursinho da Poli. R$ 90,00 ou 2 x de R$ 45,00 (em cheques).

Mais informações: www.cursinhodapoli.org.br ou na Central de Atendimento (11) 2145-7654

Início: 17/08
Término: 05/10                     

VAGAS LIMITADAS!!!!!!!!!


PROGRAMA

 

17/08 Aula 01: Introdução

  • Conceito de Arte
  • Introdução à História da Arte

24/08 Aula 02: A Ruptura da tradição acadêmica
  • O Impressionismo
  • Pós-Impressionismo




31/08 Aula 03: As Vanguardas do século XX:
  • Fauvismo
  • Expressionismo
  • Construtivismo Russo

14/09 Aula 04: A modernidade (Visita ao MASP das 15:30 às 17:30)
  • Cubismo
  • Dadaísmo
  • Surrealismo


21/09 Aula 05: O Modernismo no Brasil:
  • A quebra do Conservadorismo
  • Tarsila do Amaral
  • Anita Malfati
  • Brecheret, Portinari, di Cavalcanti


28/09 Aula 06: Vanguardas 1920-1950 (Visita à Pinacoteca das 15:30 às 17:30)
  • Construtivismo russo
  • A arte do pós-guerra
  • O abstracionismo
  • O concretismo no Brasil

05/10 Aula 07:  Da Pop Art à Arte contemporânea:
  • Cultura Pop
  • Vanguardas anos 60/70
  • Contexto cultural e produção artística da arte contemporânea
  • A arte contemporânea no Brasil


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Cinedebate com os Professores do Cursinho da Poli no Espaço Unibanco

No dia 21/08, às 09:00h, faremos uma Sessão especial de cinema no Espaço Unibanco (Rua Augusta nº1475, próximo ao metrô Consolação - linha verde) sobre o filme "Alexandria", direção de Alejandro Amenabar, lançado em 2009, tendo a duração de 114  minutos.

A ideia é exibirmos o filme e fazermos depois uma discussão sobre a emblemática figura da filósofa e matemática Hipátia de Alexandria (?355-415 d.C.), a qual viveu no conturbado momento de transição cultural e religiosa do fim do Império Romano do Oriente, tendo como espaço de trabalho e pesquisa, a famosa biblioteca de Alexandria.


Sinopse:
 
Sob o domínio Romano no século IV da Era Cristã, a cidade de Alexandria , um importante centro de estudos desde o período helenístico, tendo o museu e a Biblioteca como seus melhores exemplos. Na transição do paganismo para o cristianismo, as diferentes comunidades  (judeus, pagãos e cristãos) disputavam a soberania política, econômica e religiosa da cidade. Além do conflito, a astrônoma  e filósofa Hypatia tentava preservar a biblioteca de Alexandria, bem como, manter o espaço de liberdade e valorização da razão, que gradativamente, era ameaçado pela expansão da cristianismo, portanto, já se anunciava a conflituosa relação entre os desígnios da fé e o pensamento científico teriam ao longo de vários séculos.


Para participar, basta entrar em contato com a central de Atendimento do Cursinho da Poli (2145-7654) ou www.cursinhodapoli.org.br . O ingresso deve ser adquirido numa das unidades do Cursinho e custa R$ 6,00.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Uma herança maldita do regime militar

Apesar do regime militar ter acabado em 1985 com a eleição indireta de Tancredo Neves, seguida da posse José Sarney (1985-89), os tentáculos obscuros da vigilância daqueles que deixavam o poder ainda estavam muito fortes.

Fonte: Portal iG

52 mil páginas registram espionagem da Polícia Civil de SP

Ricardo Galhardo, iG São Paulo

Até 1999, central de arapongagem espionou partidos, autoridades nacionais, políticos, movimentos sociais, igrejas e sindicatos



A Polícia Civil de São Paulo espionou clandestinamente partidos, líderes políticos, autoridades estaduais e nacionais, movimentos sociais, igrejas e sindicatos até 1999, quase 15 anos depois do fim da ditadura militar (1964-1985). A existência de uma central de arapongagem política em pleno período democrático está registrada em mais de 50 mil documentos disponibilizados pelo Arquivo Público do Estado aos quais o iG teve acesso.
Segundo os documentos, o Departamento de Comunicação Social da Polícia Civil (DCS), criado em 1983 pelo governador Franco Montoro e extinto em 1999 no segundo mandato de Mário Covas, infiltrava agentes em assembléias sindicais e reuniões partidárias, fotografava e documentava atos políticos e acompanhava de perto as principais lideranças e entidades sem que houvesse qualquer indício de crime que justificasse a ação policial.
Entre os investigados estão os ex-presidentes Tancredo Neves, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, nomes importantes da política nacional nas últimas décadas como Ulysses Guimarães, Mário Covas, José Dirceu, Antonio Palocci, Paulo Maluf, Leonel Brizola, Miguel Arraes e José Serra, além de personalidades do mundo artístico, religioso e esportivo que participaram da luta pela redemocratização, como Chico Buarque de Holanda, Fafá de Belém, Maytê Proença, Martinho da Vila, Ligia Fagundes Telles, Renata Sorrah, Bruna Lombardi, Dom Paulo Evaristo Arns, Edir Macedo e os ex-jogadores Sócrates e Casagrande.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Nacional dos Estudantes (UNE), Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Arquidiocese de São Paulo, Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem Terra (MST), os principais partidos políticos e até notícias sobre objetos voadores não identificados também foram objetos de bisbilhotice do DCS.
Os documentos mostram que desde o primeiro momento os arapongas espionavam até mesmo seus superiores hierárquicos. Um dos papéis aponta a presença de agentes infiltrados em um ato pela humanização do sistema carcerário, promovido pelo então secretário estadual de Justiça José Carlos Dias com a presença do secretário de Segurança Pública Michel Temer (hoje vice-presidente da República) e do próprio governador Montoro e seu vice, Orestes Quércia, no Pateo do Colégio, em 11 de julho de 1984.
O DCS foi criado no mesmo ano em que foi extinto o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), um dos símbolos da tortura e desrespeito aos direitos humanos do regime militar. Alguns integrantes da primeira equipe do DCS são remanescentes do DOPS. É o caso do delegado Clyde Gaya da Costa, já falecido, citado como responsável por torturas no relatório Brasil Nunca Mais.

Um questionário elaborado pelo delegado Eduardo Nardi foi distribuído para todas as delegacias paulistas. “Para que o DCS possa informar o governador da situação geral dos municípios dando destaque às informações de cunho político e social obsequiamos informar ao DCS todos os fatos político-sociais relevantes, via telex, para fins de atualização cadastral”, dizia a mensagem.
A resposta foram centenas de relatórios detalhados informando nome, endereço e filiação política de todas as autoridades municipais, composição e localização de todos os partidos políticos, sindicatos e movimentos sociais em cada município paulista.
A forma como a documentação era arquivada com fichas organizadas por códigos alfa-numéricos também remete ao extinto DOPS. O DCS ficava em uma sala de acesso restrito no Palácio da Polícia, no bairro da Luz. Ao contrário do DOPS, onde milhares de pessoas foram torturadas e assassinadas durante a ditadura militar, o DCS se restringia a coletar e armazenar informações. Não há registro de ações concretas, prisões ou inquéritos, decorrentes do trabalho dos arapongas.
Dois delegados, que trabalharam no DCS e concordaram em falar ao iG com a condição de que seus nomes fossem mantidos em sigilo, disseram que a finalidade da espionagem mudava conforme o avanço da democratização e os interesses dos governantes.
“No primeiro momento registrávamos tudo por causa da possibilidade de os militares reassumirem o poder. Hoje isso pode parecer absurdo, mas naqueles primeiros anos de abertura política era uma possibilidade que passava pela cabeça de todos”, disse um dos delegados.
Na fase final, os alvos preferenciais das investigações eram movimentos populares vistos como ameaças em potencial ou adversários políticos. “Através daqueles arquivos é possível contar toda a história do MST, por exemplo”, disse outro delegado. “Também coletávamos muita informação sobre casos de corrupção envolvendo adversários políticos”, completou.
Ambos delegados admitiram que boa parte das atividades do DCS era exercida sem que houvesse ordem ou sequer conhecimento das autoridades. “Era um órgão paralelo, praticamente clandestino. Cumpríamos ordens mas muita coisa era feita sem que o secretário ou o governador soubessem. Montoro, Covas e o próprio Quércia eram democratas. Alguns delegados eram remanescentes do grupo do Fleury (Sérgio Paranhos Fleury, delegado morto em 1979, acusado de tortura e assassinatos durante a ditadura) ou tinham ligação com o coronel Erasmo Dias e com a extrema direita”, disse o mais velho deles.
O DCS atravessou os governos Montoro, Orestes Quércia, Luiz Antonio Fleury Filho e o primeiro mandato de Covas. Em janeiro de 1999, deputados estaduais de oposição revelaram a existência do departamento. Uma comissão da Assembleia Legislativa analisou parte dos documentos e concluiu que o DCS não passava de um órgão de polícia política. Pressionado, Covas, que também foi objeto de arapongagem, determinou a extinção do departamento.



O iG procurou a Secretaria de Segurança Pública e todos os secretários ainda vivos, mas ninguém quis comentar o assunto.Ricardo Galhardo, iG São Paulo 





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sábado, 30 de julho de 2011

Uma rara reparação da "pirataria cultural" para com o Egito

Fonte Portal Yahoo!

EUA devolvem ao Egito 19 peças arqueológicas da tumba de Tutancâmon



Cairo, 30 jul (EFE).- O Metropolitan Museum of Art de Nova York devolveu ao Egito 19 peças arqueológicas pertencentes à tumba do faraó Tutancâmon (1336-1327 a. C.), informou neste sábado o Conselho Supremo de Antiguidades egípcias (CSA).

Entre as peças, se destacam por seu valor um cachorro de bronze, de apenas dois centímetros de altura, um bracelete de lápis-lazúli, em forma de esfinge, e um colar de contas.

O anúncio foi feito pelo secretário-geral do CSA, Mohammed Abdel Maqsud, em comunicado no qual precisou que o subdiretor do Departamento de Arqueologia Egípcia, Atef Abul Dahab, chegará ao Cairo desde os Estados Unidos com as antiguidades na terça-feira.

O museu de Nova York decidiu entregar esses objetos ao Egito após uma série de negociações entre responsáveis egípcios e americanos.

Os 19 objetos, todos de pequeno tamanho, foram encontrados na tumba de Tutancâmon, descoberta pelo arqueólogo britânico Howard Carter em 1922 na ribeira oeste do rio Nilo, na localidade monumental de Luxor, localizada 700 quilômetros ao sul da capital.

Nessa época, o Governo egípcio permitia que os arqueólogos que trabalhavam com recursos próprios ficassem com uma parte substancial de suas descobertas.

Abdel Maqsud destacou o gesto do museu nova-iorquino, especialmente depois de a instituição ter se transformado em uma grande aliada do CSA para recuperar peças arqueológicas levadas ilegalmente do Egito.

Nesse sentido, o responsável egípcio lembrou que no passado o Metropolitan proporcionou ao Egito informações que ajudaram a recuperar um pedaço de rocha que fazia parte do templo faraônico de Karnak, situado em Luxor.

O CSA adiantou que as 19 peças serão exibidas junto ao restante das antiguidades pertencentes a Tutancâmon no Museu Egípcio do Cairo.