As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de julho

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Visitantes estrangeiros vão a Israel desvendar o Holocausto


Em Yad Vashem, memorial do Holocausto, educadores de vários países buscam por respostas universais nas lições individuais do genocídio.

FONTE: www.ig.com.br by The New York Times | 20/02/2012 07:02

Os alunos não foram poupados de nada. Tiveram sessões acerca das discussões entre os nazistas sobre como iriam matar os judeus; a arte da propaganda do Terceiro Reich; encontros com sobreviventes; uma história do anti-semitismo; os dilemas enfrentados pelos líderes do conselho do gueto judeu.



Foi exatamente o que se podia esperar de um seminário de dez dias no Yad Vashem, museu e memorial do Holocausto localizado em Israel. A surpresa na verdade foram os alunos: 35 professores de Taiwan, nenhum deles especialistas na área, a maioria dos quais nunca sequer tinham conhecido um judeu. Mais surpreendente ainda foram algumas das lições que alguns levaram consigo.
























"Antes de visitar o memorial, eu não sabia muita coisa à respeito do Holocausto e não me sentia bem com isso", disse Jen-Hsiu Mei, um psicólogo e educador do jardim de infância. "Essa semana, eu aprendi que dentro dos campos de concentração as pessoas se ajudavam. Para mim, isso é algo que dá um novo significado aos valores humanos. Isso não é algo que eu esperava aprender aqui - sobre a esperança".





Sete décadas depois do Holocausto, com os seus sobreviventes envelhecendo e morrendo, a chacina mais sistemática da história da humanidade está assumindo um papel cada vez maior e surpreendente no sistema educacional ao redor do mundo. O Yad Vashem, que abriu sua filial internacional de ensino na década de 1990, produz material em mais de 20 línguas, está ativo em 55 países e faz cerca de 70 seminários por ano para grupos de educadores que visitam o local.
Embora muitos acreditem que para tornar o assunto um conceito universal, é importante falar sobre o Holocausto no contexto de outros genocídios - Ruanda, Armênia e Camboja - a tendência do Yad Vashem é a de fazer o oposto disso, procurando se aprofundar nos detalhes da matança dos 6 milhões de judeus.
"Esse é o fenômeno mais complicado da história da humanidade", disse Avner Shalev, presidente do Yad Vashem. "Como isso pode acontecer? Como é que a democracia parou de funcionar tão rapidamente? Como foi possível isso acontecer no auge do liberalismo? A única maneira de compreendê-lo é por meio dos detalhes."

Yad Vashem tem crescido nos últimos anos passando de apenas um grupo de prédios em volta de um cenário bucólico para um movimentado campus de pesquisa, documentação, ensino e lembranças com um orçamento anual de US$ 45 milhões. Ele acaba de inaugurar um novo prédio para sua escola de educação internacional que contém salas de aula espaçosas e artefatos de alta tecnologia que lhe permitem realizar palestras para telespectadores no exterior.
Talvez o mais interessante no meio disso tudo é a maneira como o Holocausto está sendo ensinado e o que os alunos ao redor do mundo fazem com esse conhecimento. "Vivemos em uma época em que os jovens sabem pouco, porém tentam expressar grandes opiniões", disse Dorit Novak, diretora da Escola Internacional Yad Vashem para os Estudos do Holocausto.
"O regime nazista queria apagar qualquer vestígio do povo judeu. Se você não entende isso, você não irá conseguir entender o evento por completo. Mas, paradoxalmente, quanto mais você se aprofundar nos fatos e em seus elementos, menos ele se torna um assunto apenas judaico. Ele se torna mais universal."
O que ela quis dizer é que a maneira como um indivíduo lida com o mal pode ser compreendida em uma grande variedade de contextos. Além disso, identificar as fases do Holocausto - que começou lentamente, com um boicote às empresas judaicas, seguido por leis contra a "superlotação" nas escolas alemãs - pode ajudar a conter as tendências futuras em relação a discriminação e assassinatos em massa.
"O Holocausto não só mostra como a humanidade pode atingir um nível inferior de comportamento, mas também o quão superior ela pode ser também", acrescentou. "Alguém em um campo de concentração que compartilhou o seu pão velho com um amigo faz a palavra amizade ganhar um novo significado."
Novak disse que o número daqueles que passam pela escola é incrível. Ela lembra de ter perguntado a um grupo de berberes do Marrocos em um seminário por que tinham ido visitar o local. "Eles disseram que em seu país estavam tentando reconstruir a história berbere que havia sido ignorada ou perdida, e que tinham vindo para Yad Vashem para aprender a como se lembrar", disse.
Nicolas Paz Alcalde, da aldeia de Jerte, na Espanha, disse entender o que queriam dizer. Ele e sua esposa administram uma escola para estrangeiros que procuram aprender a língua espanhola e descobriram que a antiga casa de pedra na qual sua escola está localizada tinha sido uma sinagoga até a Espanha ter expulsado os judeus no século 15.
"Isso ajudou a gente criar uma relação muito direta e emocional com a história judaica, e eu e minha esposa decidimos ir a Yad Vashem para estudar o Holocausto", disse por telefone. "As pessoas estão cada vez mais despreocupadas com a história, e nós sentimos uma obrigação moral de trazer a memória do Holocausto à tona para elas."
Ele escreveu uma peça sobre os dilemas de um professor de ética no Gueto da Varsóvia, nos anos 1940, e recrutou moradores para participarem da peça e a apresentou várias vezes nas escolas e centros comunitários de sua região.
Apesar de o mundo estar cada vez mais conscientizado sobre o Holocausto, em Israel há uma preocupação entre os liberais de que o assunto tem um papel grande demais na narrativa nacional, fazendo com que o país tenha a mentalidade de uma constante vítima.
Uma pesquisa feita com judeus israelenses em 2009 revelou que a única questão na qual houve uma concordância quase universal era a da necessidade de lembrar o Holocausto. Citando a pesquisa, Merav Michaeli, uma colunista do jornal Haaretz, afirmou que "o Holocausto é o único prisma através do qual a nossa liderança, seguida pela sociedade em geral, analisa cada situação."
Ela acrescentou que a maneira na qual muitos israelenses enxergam os eventos mundiais, faz parecer com que "todas as nossas vidas sejam simplesmente um grande Shoah". Esse foi também um ponto de vista expresso por Avraham Burg, ex-presidente do Parlamento, publicado em seu livro “The Holocaust Is Over; We Must Rise from Its Ashes" ("O Holocausto Acabou; Devemos Renascer de Suas Cinzas", em tradução livre).

Foto: NYT
Grupo de professores de Taiwan em Yad Vashem, memorial do Holocausto e museu, em Jerusalém
Ele pediu ao Yad Vashem que criasse um tribunal internacional de crimes contra a humanidade, acrescentando: "Israel deve deixar Auschwitz para trás, porque Auschwitz é uma prisão mental. A vida dentro do campo de concentração se tratava da sobrevivência misturada com culpa e vitimologia".
Shalev, o presidente do Yad Vashem, afirmou que o Holocausto não deve ser a única fonte que venha a definir a identidade de Israel. Ainda assim, ele disse que o evento é claramente um elemento importante, acrescentando: "O Holocausto, de alguma forma, mantém unida a nossa identidade como povo. Ao mesmo tempo, o acúmulo de interesse sobre o Holocausto ao redor do mundo criou uma consciência sobre o conceito de genocídio em geral, e temos um papel importante a ser desempenhado nesse processo."
Os tawaineses que vieram estudar em Israel concordaram. Eles disseram que iam levar os ensinamentos que aprenderam no memorial de volta para casa e que aplicariam esses conceitos a questões locais que lidam com discriminação e até mesmo assédio moral em suas escolas.
Paz Alcalde, o professor de espanhol, disse que também acreditar que estudar os detalhes de um determinado conjunto de eventos foi o melhor caminho para conseguir fazer com que um conceito maior surgisse.
"Não vejo qualquer dicotomia entre o particular e o universal", disse. "A história do Holocausto é uma história de indivíduos e famílias reais, pessoas que também comemoravam aniversários e tinham sonhos. Uma vez que você começa a conhecê-los, a história deles se torna a sua história. "
Por Ethan Bronner



terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Folha localiza em Los Angeles fotógrafo da morte de Herzog

Fonte: Folha de São Paulo - Ilustríssima 05/02/2012


Uma revelação exclusiva é o destaque da "Ilustríssima" deste domingo (05/02): 


O repórter Lucas Ferraz, da Sucursal de Brasília, localizou em Los Angeles o autor da mais importante imagem da história do Brasil nos anos 1970 --a foto do jornalista Vladimir Herzog morto numa cela do DOI-Codi, em São Paulo, no ano de 1975.
Zen Sekizawa/Folhapres

Silvaldo Leung Vieira, o então fotógrafo da Polícia Civil de São Paulo localizado pela FolhaFotógrafo da Polícia Civil de São Paulo, o santista Silvaldo Leung Vieira, então com 22 anos, foi recrutado pelo Dops (Departamento de Ordem Social e Política) para uma de suas primeiras "aulas práticas": o registro do cadáver do jornalista, que havia comparecido espontaneamente ao DOI-Codi, após ter sido procurado por agentes da repressão em sua casa e na TV Cultura, onde trabalhava como diretor de jornalismo. Ele tinha ligações com o PCB (Partido Comunista Brasileiro), mas não chegou a ter atividades na clandestinidade.

"Ainda carrego um triste sentimento de ter sido usado para montar essas mentiras", afirmou Silvado à Folha, por telefone.
Segundo relatos de testemunhas, Vlado, como era conhecido pelos amigos, foi torturado e espancado até a morte. A imagem produzida por Silvaldo ajudou a derrubar a versão do suicídio, uma vez que seu corpo pendia de uma altura de 1,63 m, com as pernas arqueadas e os pés no chão, o que torna altamente improvável que tenha se matado.

A morte gerou manifestações, como a famosa missa na catedral da Sé, em São Paulo, e contribuiu para que o presidente Ernesto Geisel e seu ministro Golbery do Couto e Silva vencessem a queda de braço com a linha dura da ditadura, que pedia um aperto na perseguição à esquerda, sob o argumento de que o país vivia a ameaça do comunismo.

Jornal do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O curador por trás do novo MAC-USP


Fonte: Nataly Costa - O Estado de S. Paulo 22 de janeiro de 2012 | 3h 08
O prédio é de 1954, projetado por Oscar Niemeyer. O museu é de 1963 e tem o maior acervo de coleção de arte contemporânea do Brasil, 10 mil peças. Depois de um vai não vai que durou pelo menos cinco anos, quem vai unir as curvas de Niemeyer e O Beijo, de Di Cavalcanti, é Tadeu Chiarelli, paulista de 55 anos que dirige o Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC-USP) desde 2010. O novo MAC-USP vai ser inaugurado no sábado, dia 28.
Chiarelli, na nova sede do museu: plano de ter sempre em exposição obras do acervo permanente - CLAYTON DE SOUZA/AE
CLAYTON DE SOUZA/AE
Chiarelli, na nova sede do museu: plano de ter sempre em exposição obras do acervo permanente
Por enquanto, os moradores da cidade ainda conhecem o local do futuro museu mais pelo uso burocrático que se fez dele durante 48 anos: localizado na frente do Parque do Ibirapuera, era sede do Detran. A primeira barreira para mudar o museu para lá foi a reforma do prédio, tombado nas três esferas - municipal, estadual e federal. Apesar de o próprio Niemeyer ter assinado o projeto de remodelação, ele acabou rejeitado pelos órgãos de patrimônio. Só foi liberado após muita discussão, no ano passado.
Enquanto isso e até sábado, o MAC-USP tem funcionado em dois espaços que, juntos, não dão conta de exibir nem 5% de seu acervo: um na Cidade Universitária, outro no terceiro andar da Bienal, no Ibirapuera. Nos oito andares mais hall, varanda e anexo do "novo" edifício, espera-se que as obras tenham mais espaço.
"Esse é um lugar já imantado por si. É uma obra de Niemeyer, chama a atenção. Quero devolver esse espaço público para a população de São Paulo", diz Chiarelli. O tempo que levou para isso acontecer não o assusta. "Depois de ficar sabendo que alguns museus levaram mais de dez anos para serem entregues, fiquei mais tranquilo", completa, citando como exemplo o Maxxi Museu em Roma, de arte e arquitetura.
Um dos curadores mais respeitados do País, Chiarelli nasceu em Ribeirão Preto e se mudou aos 18 anos para São Paulo para cursar Artes Plásticas na USP, onde dá aula até hoje. Faz questão de dizer que o museu, mesmo com a mudança de endereço, vai continuar com a sigla da universidade no nome. "Ser o MAC-USP é o que faz a diferença no museu. Projetos de curadoria, pesquisas, exposições, tudo vai sempre estar ligado a essa natureza acadêmica, de formação."
Permanente. Para a inauguração, 17 peças serão expostas no térreo. Chiarelli não tem pressa. Quer ter tempo para se familiarizar com o espaço, sem preocupação com o "happening", sem auê. Em março, mais obras virão. Em julho, devolverá à Prefeitura o espaço no terceiro andar da Bienal e levará a exposição Modernismo no Brasil para o MAC principal. A filial da USP vai continuar existindo, com poucas obras e como um espaço principalmente acadêmico, para cursos de arte.
Uma preocupação é que o museu no prédio novo tenha sempre uma boa exposição de obras do acervo permanente. Vai ser o chamariz para que o paulistano - e não só o turista - visite o museu. "Se você vier um dia para ver A Negra, da Tarsila do Amaral, estará aqui. Se tiver vontade de ver novamente daqui a seis meses, pode voltar que ela continuará aqui. Isso é tornar público o que é público."
A entrada será gratuita e o museu fechará às segundas-feiras. Nos planos ainda para este ano estão uma livraria, um restaurante e um café. E com preços, digamos, menos paulistanos. "Meu parâmetro é o universitário. Quero que ele se sinta à vontade de sentar no café e comer. Para isso, o preço tem de ser acessível."
Público diversificado. Por enquanto, a entrada do museu será pela Avenida Doutor Dante Pazzanese - no futuro, o acesso principal vai ser pela Avenida Pedro Álvares Cabral, facilitando a entrada dos pedestres e usuários de ônibus.
"Falam que aqui é difícil, que só dá para chegar de carro. Mas olha quantas linhas de ônibus passam aqui em frente", diz Chiarelli. "Não pode ser um museu apenas para o público dos Jardins."
Presente para a cidade
ANDREA MATARAZZO
SECRETÁRIO ESTADUAL DE CULTURA
“Tadeu é um entusiasta do museu, um curador e historiador de respeito, perfeitamente adequado para o cargo. O Museu de Arte Contemporânea tem um dos mais importantes acervos da América Latina e forma um complexo cultural com o Ibirapuera, a Bienal, o Museu de Arte Moderna. Devolvê-lo à cidade é um presente.”
Serviço
NOVO MAC-USPAVENIDA DANTE PAZZANESE, S/Nº, NA FRENTE DO PARQUE DO IBIRAPUERA. A INAUGURAÇÃO SERÁ NO DIA 28 (SÁBADO), ÀS 11 HORAS. O MUSEU FICARÁ ABERTO À VISITAÇÃO DE TERÇA A DOMINGO, DAS 10H ÀS 18H, E FECHARÁ ÀS SEGUNDAS. ENTRADA GRATUITA.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Arqueólogos encontram selo com mais de 1,5 mil anos em Israel

Fonte: EFE


Um grupo de arqueólogos israelenses encontrou em Acre, no norte do país, um selo com forma de candelabro utilizado para marcar o pão há mais de 1.500 anos, informou nesta terça-feira, 10, a Direção de Antiguidades de Israel em comunicado.





O selo, de pequeno tamanho e feito de cerâmica, deixava sobre a superfície do pão a figura de um candelabro de sete braços como o utilizado no segundo Templo de Jerusalém. Esta era uma forma de marcar o pão destinado às comunidades judaicas da época que viviam sob o Império Bizantino.
"Esta é a primeira vez que um selo deste tipo é achado em uma escavação científica controlada, o que torna possível determinar sua origem e sua data", afirmou Danny Syon, um dos diretores da escavação em um povoado rural aos arredores de Acre, cidade notoriamente cristã naquela época.
Segundo os arqueólogos, o achado demonstra que os judeus viviam na região e que o pão era marcado para enviá-lo aos que residiam dentro da cidade, uma espécie do atualmente empregado selo "kosher" para produtos que respondem às estritas normas da cozinha judaica.
O costume também se assemelha ao dos cristãos da época, que marcavam seus pães com uma cruz. Em letras gregas, ao redor do selo judeu, está o que parece ser o nome do padeiro, "Launtius", comum entre a comunidade judaica da época.
David Amit, outro arqueólogo a cargo da escavação e especialista em selos de pão, explicou no comunicado que "o candelabro foi gravado no selo antes de colocá-lo no forno, e o nome do padeiro depois".
"Disso deduzimos que os selos com a figura eram fabricados em série para os padeiros, e que cada um deles colocava depois seu nome", explicou.
Na jazida arqueológica de Hurbat Uza foram encontrados até agora vários objetos que corroboram a existência de uma pequena comunidade judaica em torno de Akko, cidade milenar que, por sua estratégica situação geográfica, foi sempre ambicionada pelos diferentes conquistadores da Terra Santa.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Maquiando um monstro: boa aparência para uma ditadura!

Uma das principais características da democracia é a existência da liberdade de expressão, que acompanhada de outros direitos, pode vir a construir um governo que respeite e represente seus cidadãos, dando-lhes o devido espaço para criticar, elogiar, protestar, enfim, atuar de forma intensa na construção do que entendemos por coletividade.


Dentro deste processo, o papel das Ciências Humanas é imprescindível e dentre elas, nossa querida História tem o papel capital de ajudar a construir aquilo que entendemos por cidadania, especialmente, quando realizamos a análise crítica do passado, tudo embasado por fontes que, uma vez consultadas, podem colaborar em muito para a compreensão da História e da atuação da sociedade nesta última.


Infelizmente, vez por outra, alguns "bem intencionados" buscam fazer pequenas mudanças impertinentes sobre temas de grande importância e o exemplo mais recente apareceu no Chile, quando o Ministério da Educação chileno estava propondo um "debate" para os alunos do ensino primário: ao invés de denominar o governo cruento de Augusto Pinochet (1973-1990) como ditadura, sugeriu que fosse alterado para "Regime militar".


Nas palavras de Harald Beyer, Ministro da Educação: A mudança seria realizada em livros da educação básica, para crianças entre 6 e 12 anos. A intenção inicial era buscar um termo "mais geral". Começada a polêmica, o conselho afirmou que não percebeu a mudança de "ditadura" para "regime" e pediu a revisão para dar uma melhor "compreensão global ao processo histórico".


Depois de muita polêmica, desconhecimento histórico e desrespeito às mais de 3000 vítimas da truculência de Pinochet, felizmente o governo de Eduardo Piñera resolveu deixar a ideia de lado.


Bem, mas este problema não é um mal isolado. Em 2009, o jornal "Folha de São Paulo" escreveu em seu editorial (espaço onde o jornal enquanto instituição emite opinião sobre determinados temas) um texto crítico à manutenção de Hugo Chavez no governo da Venezuela, após mais uma eleição.


Para a nossa infelicidade, a Folha usou uma imprecisa e insustentável expressão para se referir ao período entre 1964-1985, que em qualquer manual de História (com exceção ainda hoje dos manuais das escolas militares) está denominado como "ditadura militar", mas na busca de uma refinada qualificação literária, os editores optaram pelo desastroso neologismo "ditabranda", dando a entender que as coisas não foram tão difíceis e sangrentas quanto muitos falam por aí.


Abaixo, segue o editorial na íntegra, datado de 17/02/2009: 



Limites a Chávez
Apesar da vitória eleitoral do caudilho venezuelano, oposição ativa e crise do petróleo vão dificultar perpetuação no poder
O ROLO compressor do bonapartismo chavista destruiu mais um pilar do sistema de pesos e contrapesos que caracteriza a democracia. Na Venezuela, os governantes, a começar do presidente da República, estão autorizados a concorrer a quantas reeleições seguidas desejarem.
Hugo Chávez venceu o referendo de domingo, a segunda tentativa de dinamitar os limites a sua permanência no poder. Como na consulta do final de 2007, a votação de anteontem revelou um país dividido. Desta vez, contudo, a discreta maioria (54,9%) favoreceu o projeto presidencial de aproximar-se do recorde de mando do ditador Fidel Castro.
Outra diferença em relação ao referendo de 2007 é que Chávez, agora vitorioso, não está disposto a reapresentar a consulta popular. Agiria desse modo apenas em caso de nova derrota. Tamanha margem de arbítrio para manipular as regras do jogo é típica de regimes autoritários compelidos a satisfazer o público doméstico, e o externo, com certo nível de competição eleitoral.
Mas, se as chamadas “ditabrandas” -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente.
Em dez anos de poder, Hugo Chávez submeteu, pouco a pouco, o Legislativo e o Judiciário aos desígnios da Presidência. Fechou o círculo de mando ao impor-se à PDVSA, a gigante estatal do petróleo.
A inabilidade inicial da oposição, que em 2002 patrocinou um golpe de Estado fracassado contra Chávez e depois boicotou eleições, abriu caminho para a marcha autoritária; as receitas extraordinárias do petróleo a impulsionaram. Como num populismo de manual, o dinheiro fluiu copiosamente para as ações sociais do presidente, garantindo-lhe a base de sustentação.
Nada de novo, porém, foi produzido na economia da Venezuela, tampouco na sua teia de instituições políticas; Chávez apenas a fragilizou ao concentrar poder. A política e a economia naquele país continuam simplórias -e expostas às oscilações cíclicas do preço do petróleo.
O parasitismo exercido por Chávez nas finanças do petróleo e do Estado foi tão profundo que a inflação disparou na Venezuela antes mesmo da vertiginosa inversão no preço do combustível. Com a reviravolta na cotação, restam ao governo populista poucos recursos para evitar uma queda sensível e rápida no nível de consumo dos venezuelanos.
Nesse contexto, e diante de uma oposição revigorada e ativa, é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da vitória de domingo.
Folha de S. Paulo – 17 de fevereiro de 2009
Se o jornal quis externar a sua desaprovação ao regime chavista, não há problema algum, mas ao colocar a infeliz expressão "ditabranda" deu a entender que existem exageros históricos por aí e que nosso conhecimento sobre o passado deve ser revisto.
Bem, o mais bizarro de tudo isso, o Jornal Folha de São Paulo foi censurado durante o período de 1964-85.
Para aproveitar o gancho do tema, algumas sugestões:
Fonte: www.adorocinema.com.br 
Título original: MACHUCA
Lançamento: 2004 (Chile, Espanha)
Direção: Andrés Wood
Atores: Matías Quer, Ariel Mateluna, Manuela Martelli, Aline Küppenheim.
Duração: 120 min
Gênero: Drama
Status: Arquivado
Machuca - Cartaz

Sinopse

Chile, 1973. Gonzalo Infante (Matías Quer) é um garoto que estuda no Colégio Saint Patrick, o mais conceituado de Santiago. Gonzalo é de uma família de classe alta, morando em um bairro na área nobre da cidade com seus pais e sua irmã. O padre McEnroe (Ernesto Malbran), o diretor do colégio, inspirado no governo de Salvador Allende decide implementar uma política que faça com que alunos pobres também estudem no Saint Patrick. Um deles é Pedro Machuca (Ariel Mateluna) que, assim como os demais, fica deslocado em meio aos antigos alunos da escola. Provocado, Pedro é seguro por trás e um deles manda que Gonzalo o bata, que se recusa a fazer isto e ainda o ajuda a fugir. A partir de então nasce uma amizade entre os dois garotos, apesar do abismo de classe existente entre eles.

Ilha 10 Dawson (2011) - Direção: Miguel Littin (fonte: www.filmow.com)

Sinopse


Dawson, Ilha 10, aborda o golpe militar que em 1973 derrubou o governo democrático de Salvador Allende e vitimou milhares de chilenos, dando início a uma das mais longas e sangrentas ditaduras da América Latina. O filme mostra o sofrimento de ministros do governo Allende que foram aprisionados em uma ilha gelada, de clima antártico, onde funcionou um campo de concentração projetado pelo criminoso nazista Walter Rauff, então refugiado no Chile.
A história é baseada no livro Isla 10, de autoria de Sergio Bitar - então ministro das Minas e Energias do governo Allende e, à época do lançamento do filme, ministro do governo de Michelle Bachelet. O filme utiliza cenas reais e revela os minutos finais do presidente eleito Salvador Allende, entrincheirado e resistindo solitário no Palácio La Moneda, onde foi assassinado pelos militares chilenos.




domingo, 1 de janeiro de 2012

Ano Novo, Novas Histórias


Feliz 2012 para todos!

Quero aproveitar a entrada do Novo Ano para agradecer a atenção dada ao Gabinete de História: familiares, amigos, alunos e interessados em geral buscaram informações, deixaram mensagens e colaboraram para a difusão do conhecimento histórico cada vez mais longe.

Meu objetivo é manter a estrutura atual do Gabinete e acrescentar algumas novidades, mas estas serão gestadas agora no meu período de férias.

Portanto, desejo um grande abraço e que neste ano, consigamos realizar muitos de nossos sonhos, acompanhados de muita Paz, Saúde e Felicidades.

Elias Feitosa de Amorim Jr.