As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de julho

sábado, 8 de setembro de 2012

A ditadura militar vista de fora

Caros leitores,

Abaixo segue a apresentação de um livro que foi escrito por uma amiga francesa, Doutora em história pela Sorbonne e sua tese analisa as relações entre o Exército e a Política durante o regime militar (1964-85).

Fonte: www.zahar.com.br


A política nos quartéis
Revoltas e protestos de oficiais na ditadura militar brasileira
SINOPSE

Capitães amotinados e coronéis conspiradores; generais que caíram em desgraça e políticos golpistas dissidentes. A historiadora francesa Maud Chirio revela um ponto de vista original sobre o regime militar brasileiro ao retratar a intensa vida política dentro das Forças Armadas durante o período. Seu foco são os oficiais de patentes médias ou inferiores, que foram a favor do golpe de 1964, mas terminaram sendo politicamente derrotados.

Para escrever o livro, Chirio utilizou uma extensa bibliografia, além de realizar entrevistas inéditas com antigos participantes do regime militar, o que lhe possibilitou a leitura de documentos muitas vezes secretos ou pouco acessíveis.

O panorama que traçou revela uma fina compreensão sociológica da instituição militar. Um contexto que propiciou manifestos, pressões, panfletagem, protestos, revoltas e até atentados promovidos por oficiais. Influiu, ainda, diretamente sobre as escolhas políticas, econômicas e policiais do poder ao longo dos 21 anos da ditadura deflagrada com o golpe de 1964. A política nos quartéis é um marco na renovação dos estudos sobre o tema.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

30ª Bienal de São Paulo busca 'beleza e inteligência em tempo de incerteza'


Fonte: Portal G1 03/09/2012 13h13 - Atualizado em 03/09/2012 13h47

Evento é aberto ao público geral na sexta (7) até o dia 9 de dezembro. 
Abertura à imprensa foi nesta segunda (3), custo total é R$ 22,4 milhões.

Obras de Arthur Bispo do Rosário em exposição na 30ª Bienal. (Foto: Guilherme Tosetto/G1)Obras de Arthur Bispo do Rosário em exposição
na 30ª Bienal. (Foto: Guilherme Tosetto/G1)
A 30ª Bienal de São Paulo, que neste ano tem a temática "A iminência das poéticas", foi aberta para a imprensa nesta segunda (3), com entrevista coletiva dos responsáveis pelo evento. A abertura para convidados acontece na terça (4), e para o público na sexta (7), até o dia 9 de dezembro.
Pela primeira vez a Bienal de São Paulo tem um curador de fora do espectro das artes brasileiras, o venezuelano Luis Péres-Orama. Ele anunciou que falaria em "portunhol" durante a entrevista coletiva. O objetivo desta edição é "buscar no tempo iminente de nosso mundo, quano se desmoronam todas as certezas, uma via de sobrevivência para a inteligência e a beleza", segundo o curador. "Queremos uma Bienal clara, não transparente; inteligente, não bombástica. Evitar a postura messiância e o maneirismo da confrontação pela confrontação", acrescentou Péres-Orama.
Bienal na cidade
Além da exposição principal no Pavilhão da Bienal no Parque Ibirapuera, a 30ª Bienal também estará espalhada pela cidade de São Paulo. Haverá trabalhos em vias públicas como a Avenida Paulista e a Estação da Luz. As obras também estarão presentes no Museu da Cidade, Masp, Museu da Faap e Instituto Tomie Ohtake.
O evento deste ano conta com mais de 3 mil obras, criadas por 111 artistas. Os trabalhos são apresentados em forma de "constelações", mostrando artistas como estrelas e indicando as proximidades entre eles. "As obras não produzem sentido sozinhas, mas em relação com o mundo e outras obras. A obra de arte única é um mito. Elas funcionam sistemicamente", acredita. Este caráter relacional é uma das marcas atuais da arte latinoamericana, segundo Péres-Orama.

sábado, 1 de setembro de 2012

A vitória dos excluídos: a 1ª doutora quilombola do Brasil !

Fonte: Portal G1 - 01/09/2012 09h00 - Atualizado em 01/09/2012 09h00

Edimara Gonçalves Soares viveu em um quilombo no RS até os 15 anos.
Em tese, ela afirma que educação em comunidades quilombolas é ineficiente.



Edimara Gonçalves Soares diz que acesso à educação para crianças quilomobolas é repleto de obstáculos, alguns intransponíveis (Foto: Bibiana Dionísio/ G1 PR)
Edimara Gonçalves Soares diz que acesso à educação para crianças quilomobolas é repleto de obstáculos, alguns intransponíveis (Foto: Bibiana Dionísio/ G1 PR)


A primeira doutora quilombola do Brasil acaba de tirar o título, na área de Educação, na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Edimara Gonçalves Soares, professora da rede estadual de ensino, defendeu a tese “Educação escolar quilombola: quando a política pública diferenciada é indiferente” na terça-feira (28). Formada em Geografia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, Edimara Soares nasceu e viveu até os 15 anos em uma comunidade quilombola, criada pelos bisavós dela, em Formigueiro, a 68 quilômetros de Santa Maria. A comunidade não tem nome e é formada por, aproximadamente, 60 famílias que vivem do que plantam e criam.
Sempre crítica à escolarização dos remanescentes de quilombos, que são comunidades mais afastadas criadas por escravos que fugiram dos senhores de engenho, na época do Brasil Colonial, os sentimentos da nova doutora se confundem. “Eu tenho orgulho, sim. Mas é um orgulho que me faz refletir sobre o quanto a desigualdade, o preconceito, o racismo institucional são fenômenos perversos e que não são reconhecidos, dado o mito da democracia racial. Nós vivemos em um país da diversidade racial, que nós somos todos iguais... Só que nessas diversidades, as desigualdades não são reconhecidas, são dissolvidas”, refletiu Edimara Soares.
A desigualdade, o preconceito, o racismo institucional são fenômenos perversos e que não são reconhecidos, dado o mito da democracia racial"
Edimara Gonçalves Soares
Para a professora, o título tem valor simbólico e concreto para o grupo que ela pertence. “O fato de escrever uma tese sobre a educação escolar quilombola, a partir de alguém que é quilombola, que é sujeito desta história, tem um significado singular de representação. Não é um estrangeiro dizendo como que é um quilombola, o que ele tem que fazer, como ele deveria ser. Não é o sujeito de fora narrando os nativos. É alguém de dentro do grupo que conta a sua própria trajetória e ao contar essa história, conta também a trajetória de muitos estudantes de muitas pessoas quilombolas”, explicou entusiasmada.
Edimara acredita que a dificuldade que ela teve que enfrentar para ter acesso à escola é a mesma vivida pelas atuais crianças que vivem em quilombos. Ela lembrou que precisava acordar às 4h30, caminhava em torno de uma hora até o ponto onde pegava o ônibus.

Ela contou ainda que, em casa, precisava colher bambu e fazer uma fogueira para iluminar livros e cadernos. “A gente não tinha luz elétrica, eu estudava com fogo de chão. Não podia ficar gastando vela ou querosene dos lampiões, porque a gente não tinha também dinheiro para comprar. Toda a trajetória de estudo é marcada por muita luta, muito sacrifício, por muita garra e determinação”. Ela confessou que nas Exatas não ia muito bem e por isso precisava estudar mais. Por outro lado, nas Humanas “era tranquilo”. Foi com a ajuda de uma família de Santa Maria que conseguiu completar o Ensino Médio e ingressar na universidade.

Edimara recordou que foi uma visita do colégio onde estudava à feira de cursos da UFSM que a fez decidir que queria entrar na universidade.  "No segundo ano do Ensino Médio eu tinha um norte. Queria entrar ali".
Casa onde Edimara Soares nasceu e viveu até os 15 anos, no quilombo "sem nome" em Formigueiro (RS)  (Foto: Arquivo pessoal)Casa onde Edimara Soares nasceu e viveu até os 15 anos,
no quilombo "sem nome" em Formigueiro (RS)
(Foto: Arquivo pessoal)
Depois de desenvolver uma tese de doutorado, Edimara lamenta ao perceber que os obstáculos são praticamente os mesmos. “A minha história, quanto estudante negra quilombola, é semelhante e, em certas situações, idêntica à história de muitas crianças quilombolas que estão em fase escolar”, afirmou.

Segundo Edimara, as dificuldades são quase intransponíveis. “Às vezes não tem um número significativo [de alunos] para manter a escola, daí esta escola é fechada e essas crianças são enviadas para outro estabelecimento de ensino, distante da comunidade”, exemplificou. Para a professora, isso mostra que as nossas crianças quilombolas, até hoje, não tiveram ainda acesso a educação da forma que lhes é de direito. Ela pontuou ainda que normalmente essas crianças têm um período para estudar, porque chega um momento que deixam de ir ao colégio para trabalhar, para sobreviver.
Este e outros acontecimentos da rotina escolar das comunidades quilombolas do estado foram abordados e analisados na tese de Edimara, sob orientação da professora doutora Tânia Maria Baibich.
Ainda que o Paraná tenha sido pioneiro na aplicação de medidas específicas para este público, com o Departamento de Diversidade e o Núcleo de Educação das Relações Etnicorraciais e Afrodescendência (NEREA), ambos da Secretaria Estadual de Educação, a ação foi "inócua a despeito de todo o investimento e esforço que foi feito".

Isso significa, como explicou a professora, que não se atingiu plenamente os objetivos inerentes à lei federal de 2003 que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira. Havia também o intuito de que os professores articulassem os conhecimentos tradicionais das comunidades quilombolas com o currículo escolar. “Esse é o princípio fundante da educação escolar quilombola”, destacou.
No estado, existem 42 escolas que atendem comunidades quilombolas, divididas em 11 municípios. Contudo, para que a lei fosse de fato cumprida, de acordo com Edimara, tópicos essenciais não foram considerados.

“Faltou uma articulação, efetiva, com as universidades, com as instituições formadoras. Faltou uma parceria com as comunidades quilombolas e também houve uma ausência de ações pedagógicas, de maneira sistemática e permanente, com os professores, no interior destas escolas. As ações foram pontuais, não foram ações sistemáticas”, explicou.  Para ela também faltaram investimentos em infraestrutura e em aspectos administrativos, inclusive, recursos financeiros. “É a fartura da falta. Faltam muitas coisas na dimensão de infraestrutura”, complementou.
Ninguém ensina, o que não sabe. (...) somos produtos de uma educação eurocêntrica, de um currículo monocultural,"
Edimara Gonçalves Soares
Edimara reforçou que a universidade não prepara os acadêmicos, futuros professores, para trabalhar questões etnicorraciais e de diversidade. A doutora é clara ao dizer que os docentes não podem ser culpados pela falha na aplicação da proposta da Secretaria de Educação.

“Ninguém ensina, o que não sabe. Eles, nós não tivemos acesso a esses conhecimentos na formação inicial, enquanto professores, porque somos produtos de uma educação eurocêntrica, de um currículo monocultural, e não foram dadas as condições necessárias”.

Para que se vislumbre um cenário mais adequado na educação quilombola, Edimara sugere a resolução das problemáticas identificadas e a necessidade de se reconhecer que existe o racismo. “Eu preciso reconhecer a existência deste fenômeno, criar mecanismo para combatê-lo, porque ele está presente de forma muito contundente nas escolas dentro das comunidades quilombolas e nas escolas fora”, assegurou. Ela cita ainda aumento de verbas para aquisição de material e para formação dos docentes.

“Não é algo que vai ser de hoje para amanhã, demanda todo um esforço, uma vontade política e de investimento financeiro”, destacou.
As ações afirmativas 
Edimara se diz favorável à lei sancionada na quarta-feira (29) pela presidente Dilma Rousseff que determina o sistema de cotas sociais nas universidades federais. De acordo com a lei, metade das vagas oferecidas é de ampla concorrência, já a outra metade será reservada por critério de cor, rede de ensino e renda familiar. As universidades terão quatro anos para se adaptarem. Atualmente, não existe cota social em 27 das 59 universidades federais. Além disso, apenas 25 delas possuem reserva de vagas ou sistema de bonificação para estudantes negros, pardos e indígenas.
“O fato de eu ser a primeira quilombola do país mostra o quanto nosso país precisa investir no combate às desigualdades sociais. Ainda existe um abismo, principalmente, nas questões relacionadas a educação, ainda que os governos estadual e federal venham investindo em políticas afirmativas e inclusivas”, afirmou.
Edimara acrescentou que esta desigualdade é histórica e acumulada, desde 1888 quando foi abolida a escravidão no Brasil. "A liberdade veio, porém, sem medidas para integrar a população negra, sem que possibilitasse acesso social e educacional", disse Edimara. Na avaliação dela, as cotas vêm para promover a igualdade de oportunidade.
“O objetivo maior da política afirmativa é combater e, possivelmente, eliminar o lastro de desigualdades sociais. Se tu fores fazer uma radiografia das pessoas que hoje estão nos cursos de mais prestigio na universidade, como Medicina, Arquitetura, Engenharia, Direito, dificilmente tu vais encontrar, na mesma proporção, negros e brancos”, argumentou.

domingo, 26 de agosto de 2012

Patrimônio histórico grego corre risco com a crise, alerta arqueóloga


Fonte: Portal UOL - 26/08/2012 - 09h15 | Fabíola Ortiz | Rio de Janeiro



Crise na Grécia obrigará que serviço de preservação da Acrópole seja realizado com menor efetivo.

Berço da civilização ocidental, da filosofia e da democracia, a cultura grega vive um período difícil devido à crise financeira, que coloca em risco os quase 20 mil sítios arqueológicos e monumentos históricos do país, além de 17 edificações tombadas como patrimônio mundial da UNESCO, como a Acrópolis em Atenas e a cidade medieval de Rhodes.
Sem recursos para financiar escavações arqueológicas, pagar os salários de profissionais e manter os museus, a Grécia vive um momento sem precedentes de escassez de recursos humanos e materiais, admitiu Marlen Mouliou, secretária do Comitê Internacional para Coleções e Atividades dos Museus das Cidades e membro do Conselho Internacional de Museus (ICOM).



“Não há dinheiro para a proteção de museus e patrimônios arqueológicos. O dinheiro chega especialmente de apoio europeu. O que mais a crise financeira afeta é a falta de recursos humanos e financeiros. É sempre um risco quando não temos recursos, pois assim não teremos pessoas suficientes para garantir a segurança”, afirmou Mouliou.
Durante o Encontro Internacional de Museus de Cidade, no Rio de Janeiro, a arqueóloga e museóloga grega falou ao Opera Mundi sobre os desafios de preservar o legado histórico secular no país em meio à política de austeridade que tem gerado cortes profundos nos orçamentos da Cultura.

Novo Ministério

Divulgação
Marlen Mouliou (FOTO À ESQUERDA), que leciona Museologia nas Universidades Nacional e de Capodistria de Atenas, afirma estar descrente quanto aos investimentos do governo na área da cultura nos próximos anos. Em junho, o então Ministério da Cultura e do Turismo foi desmantelado e fundiu-se a outras duas pastas, tornando-se o Ministério Helênico da Educação e Assuntos Religiosos, da Cultura e Esportes.

“Os recursos destinados sempre representaram menos de 1% do PIB. Agora, que nos juntamos ao ministério da Educação, serão ainda menores os recursos”, lamenta a pesquisadora.

Mouliou acrescentou ainda que, desde o ano passado, muitos profissionais de museus e de sítios arqueológicos foram dispensados ou tiveram sua aposentadoria antecipada de forma compulsória.

Cortes

Em junho, o sinal vermelho sobre a situação foi dado pela Associação de Arqueólogos Gregos, a qual faz parte Marlen Mouliou. Segundo a associação, dois mil funcionários do Ministério da Cultura foram demitidos e os arqueólogos que trabalham para o Estado sofreram cortes salariais de 10% a 40%.

A falta de pessoal obrigou os 216 museus espalhados pelo país a fecharem as portas para visitantes mais cedo. A segurança dos locais também foi afetada, segundo a especialista.

“Trabalhamos sob pressão. Temos que fazer o nosso trabalho em tempos ainda mais curtos. Tivemos que reduzir e apressar os trabalhos de escavações em obras de desenvolvimento do país, iniciados antes mesmo da crise. É uma luta, pois a sociedade precisa do desenvolvimento e a arqueologia tem suas metodologias e princípios que demandam tempo”, argumenta.

Questionada se os tesouros e os monumentos gregos estão em perigo, Mouliou rejeita esta possibilidade ainda que seja insuficiente o pessoal para fazer a segurança dos museus.

“As pessoas que trabalham com patrimônio cultural são muito dedicadas. Precisamos de recursos, mas também de administrar o que temos de forma sustentável. Precisamos fazer mudanças para manter uma boa gestão. Há realmente carência de recursos humanos, mas trabalha-se com muita paixão, o que certamente é algo importante”, ponderou.

Wikicommons 

População grega protesta nas ruas do país contra o corte de gastos realizado pelo governo para conter a crise econômica (03/07/2011)

Segundo a arqueóloga grega, os museus sempre foram locais seguros, mas adverte que o risco existe em sítios históricos mais afastados das cidades. “Especialmente em igrejas e mosteiros que estão isolados e abrigam um patrimônio cultural importante. São locais situados em áreas mais distantes e com menos população e onde precisamos de mais pessoas para salvaguardar”, ressaltou.

Alternativas
Para melhor preservar o legado milenar da cultura grega, Mouliou defende uma gestão mais responsável e a criação de redes entre museus domésticos e internacionais.

Uma outra forma de resguardar os monumentos é uma ajuda de financiamento por parte da União Europeia, que destina levas de recursos para projetos de preservação e conservação. O último pacote de ajuda ao patrimônio foi em 2011 e, segundo Mouliou, deve representar algo próximo a 200 milhões de euros em três anos.

As doações internacionais podem ser uma alternativa para sobreviver ao abalo econômico na Grécia, aponta a representante do Conselho Internacional de Museus. Ela afirma que o apoio internacional é bem-vindo, mas há “que se respeitar termos e condições, pois as antiguidades são de propriedade do Estado e vão continuar sendo. Isso não será negociado”, enfatizou.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Novos fósseis complicam a árvore genealógica humana

Fonte: Portal iG  São Paulo 


Ossos de quase 2 milhões de anos encontrados no Quênia mostraram que pode haver espécies ainda não descobertas de ancestrais do ser humano

Alguns novos galhos da árvore genealógica humana, de quase dois milhões de anos de idade, acabam de ser descobertos. Uma tradicional família de paleontólogos encontrou novos fósseis que, de acordo com eles, confirmam sua teoria que existiram mais duas espécies de hominídeos além da que é ancestral do ser humano moderno.
Uma equipe liderada por Meave Leakey, nora do cientista britânico Louis Leakey, descobriu ossos faciais de uma criatura e maxilares de dois outros espécimes no Quênia. Isso levou os pesquisadores a concluir que o Homo erectus , considerado nosso ancestral direto, conviveu com outras espécies de hominídeos, e todos seriam aparentados entre si.
Mas outros especialistas não estão convencidos, e afirmam que as provas disso ainda são muito limitadas, continuando uma controvérsia sobre as origens humanas que dura cerca de 40 anos.
Em sua defesa, o grupo de Leakey diz que nenhum dos novos fósseis combina com o H. erectus . Segundo Meave, “eles têm um perfil muito distinto, então têm que ser algo diferente”, ao descrever o estudo publicado na edição desta semana do periódico científico Nature. 
As ossadas combinam, na verdade, com um crânio descoberto em 1972 por Meave e seu marido Richard, que sempre intrigou a comunidade científica. O fóssil, conhecido como 1470, não se enquadrava no que se sabia do Homo erectus , defendia o casal. Segundo eles, o rosto é reto demais, com um maxilar sem projeção. Inicialmente, ele foi datado como tendo 2,5 milhões de anos, e depois a datação foi corrigida para 2 milhões de anos.
O debate se estende há 40 anos: por um lado, cientistas argumentando que o 1470 poderia ser apenas um H. erectus deformado, e os Leakeys afirmando que se tratava de algo novo, e que isso significava que havia mais de uma espécie de hominídeos primitivos.
A nova descoberta reforça a teoria de que se trata de que o 1470 se trata de uma espécie separada, afirma Fred Spoor, do Instituto Max Planck da Alemanha e coautor do estudo. As novas ossadas foram encontradas entre 2007 e 2009 a dez quilômetros de distância da região do Lago Turkana, onde foi encontrado o 1470. Então seriam duas espécies – Homo erectus e a espécie representada pelo 1470.
Mas a coisa se complica ainda mais. A equipe de Leakey afirma que outros fósseis antigos – além dos citados no novo estudo – não se encaixam nem com o erectus nem com o 1470. Eles teriam cabeças menores, e isso não seria porque são fêmeas, como seria de se supor. Por causa disso, a equipe diz que na verdade seria três espécies diferentes de hominídeos vivendo no Quênia entre 1,8 e 2 milhões de anos atrás. Seriam o Homo erectus , a espécie do 1470 e uma terceira. Segundo Meave, as duas novas espécies foram extintas há mais de um milhão de anos, sem deixar descendentes. “A evolução humana não é mais uma linha reta, como antes se acreditava”, disse Spoor.
As três espécies teriam vivido ao mesmo tempo e no mesmo lugar, mas provavelmente não interagiam muito, afirmou o cientista. Ainda assim, o leste africano teria sido “um lugar bem cheio”.
O que tornou tudo mais confuso foi o fato do grupo não querer nomear as supostas novas espécies, nem identificá-las com espécies de hominídeos já propostas, mas ainda não completamente estabelecidas.
As possibilidades seriam Homo rudolfensis – a qual o 1470 e seus semelhantes parecem pertencer – e o Homo habilis , onde os outros não- erectus se encaixam, disse a coautora Susan Anton, da New York University.
Mas Tim White, biólogo evolucionista da Universidade da Califórnia em Berkeley, e Mildred Wolporff, professora de antropologia da Universidade de Michigan, não estão convencidos. Eles dizem que a conclusão de Meave Leakey é muito grande para poucas provas.
Segundo White, o que a cientista fez é análogo a comparar o maxilar de uma ginasta nas Olímpiadas com a de um arremessador de peso, ignorar outros rostos e afirmar que os dois são de espécies diferentes. Já o paleoantropólogo do Lehman College em Nova York Eric Delson disse acreditar no estudo dos Leakeys, mas ressalta que as conclusões não serão definitivas até que se encontrem ossadas de ambos os sexos das espécies não- erectus . “É um período muito confuso,” disse.

terça-feira, 31 de julho de 2012

MASP recebe obras do italiano Caravaggio que saem da Itália pela primeira vez



  • Fonte: Portal UOL Mariana Pasini
    Do UOL, em São Paulo

    "Medusa Murtola", de Caravaggio, apenas recentemente teve sua autoria comprovada
    "Medusa Murtola", de Caravaggio, apenas recentemente teve sua autoria comprovada
Apreciar ao vivo uma pintura do mestre italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571–1610) não é uma das tarefas mais fáceis. No mundo há apenas cerca de 66 obras unanimemente reconhecidas com a autoria do italiano e a maioria pertence a igrejas, de onde quase nunca saem para compor exposições internacionais. Quando compõem o acervo de museus, é raríssimo conseguir um empréstimo.
Esses são apenas alguns dos motivos que tornam imperdível a mostra “Caravaggio e seus seguidores”, em cartaz no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) a partir da quarta (1º) até 30 de setembro. Segundo o curador Fábio Magalhães, foram necessários três anos para organizar a mostra, que conta com obras de coleções particulares e dos museus Galleria Borghese, Palazzo Barberini (ambos de Roma) e Galleria degli Uffizi (Florença).

Os ‘caravaggescos’ [pintores influenciados por Caravaggio] não ficam mal na exposição. São obras muito boas e de grandes artistas
Fábio Magalhães, curador da mostra no Brasil. Na foto, obra da pintora Artemisia Gentileschi, uma das seguidoras
Dessa vez são sete os trabalhos de Caravaggio, entre os atribuídos e os reconhecidos, que poderão ser conferidos pelo público – muito diferente das mostras dedicadas ao italiano no Brasil que, em 1989 e 1954, traziam, respectivamente, duas e três pinturas.
A exposição é dividida em três partes: trabalhos definitivamente reconhecidos como sendo do italiano, pinturas cuja autoria apenas recentemente foi comprovada e “obras-problema”, cujo autor ainda não foi definido e permanece em discussão. “São Francisco em meditação”, “São Jerônimo que escreve” e “Retrato do Cardeal” compõem a primeira parte. “Medusa Murtola”, pela primeira vez no Brasil (assim como o "Retrato"), é uma descoberta recente. Já “São João Batista que alimenta o Cordeiro”, "São Januário degolado ou Santo Agapito" e uma cópia de "São Francisco em meditação" estão no último grupo.
“O que essa mostra tem de interessante é toda essa questão atributiva”, explica Magalhães. O curador aponta que houve uma grande reviravolta nos últimos anos por conta dos novos meios tecnológicos para se comprovar a autoria do italiano, como a análise dos fios das telas, o que permitiu descobertas.

Caravaggio trabalha com o drama humano diante da existência e a fragilidade da vida, o erotismo e a carnalidade, além do poder sobre as pessoas exercido pela violência

A cópia de “São Francisco em Meditação”, feita na época em que a original foi pintada, será exposta logo ao seu lado para que o público possa compará-la. Segundo Magalhães, a reprodução é tão extraordinária que existe a possibilidade de ter sido pintada pelo próprio Caravaggio, já que era comum entre os pintores da época copiar seus próprios quadros, o que a coloca entre as "obras-problema". Uma reprodução da obra "Os Trapaceiros" também figura na mostra, mas definitivamente não é da autoria do italiano segundo o curador.
Fábio Magalhães, curador no Brasil de "Caravaggio e seus seguidores"
Os caravaggescos
Além das pinturas do italiano, 14 das que compõem a exposição são dos chamados “caravaggescos”, pintores que foram influenciados pelo mestre italiano.
Eles estão divididos entre primeira geração, que conviveu com o pintor, e a seguinte, que foi influenciada por ele, mas após sua morte. Magalhães garante que eles também ganham destaque na mostra. “Os ‘caravaggescos’ não ficam muito mal na exposição, são obras muito boas e de grandes artistas.” A “Madalena desmaiada”, da italiana Artemisia Gentileschi, é uma das pinturas de maior destaque.
Temas contemporâneos e comportamento explosivo
Expoente do barroco, as obras do italiano são carregadas de drama e feitas com a técnica do “chiaroscuro”, ou “claro-escuro”, que destaca o tema representado em primeiro plano com um feixe de luz em contraste com um fundo escuro. O pintor também é conhecido pelo temperamento explosivo, o que o levou a uma série de brigas e fugas de diversas cidades, inclusive Roma, onde foi lançado um prêmio pela sua cabeça.
Para Magalhães, Caravaggio influenciou a arte de maneira definitiva não só pela sua técnica realista, mas também pela escolha de temas. “O artista trabalha com o drama humano diante da existência e a fragilidade da vida, o erotismo e a carnalidade, além de um dos mais contemporâneos, que é o poder sobre as pessoas exercido pela violência”, enumera.
"Caravaggio e seus seguidores" ficou em cartaz em Belo Horizonte entre 22 de maio e 22 de julho, onde recebeu cerca de 86 mil pessoas. De São Paulo, a exposição parte para Buenos Aires.
Serviço
Caravaggio e seus seguidores
Quando:
 1º de agosto a 30 de setembro (abertura ao público em 2 de agosto); de terças a domingos e feriados, das 11h às 18h; às quintas, das 11h às 20h.
Onde: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) - Av. Paulista, 1578
Quanto: R$ 15 (inteira) e R$ 7 (meia). A bilheteria fecha meia hora antes. Às terças, acesso gratuito.
Mais informações: www.masp.art.br/masp2010



terça-feira, 24 de julho de 2012

Na Itália, arqueólogos desenterram ossada que pode ser da 'Mona Lisa'

24/07/2012 13h16- Atualizado em 24/07/2012 Fonte: Portal G1

Pesquisadores submeterão restos mortais a testes de confirmação.
Esqueleto achado em convento na quarta (17) pode ser de Lisa Gherardini.


Uma equipe de arqueólogos italianos desenterrou nesta terça-feira (24) em um convento abandonado de Florença, na Itália, um esqueleto muito bem conservado que pode ser de La Gioconda, a mulher do sorriso misterioso que Leonardo Da Vinci imortalizou no célebre quadro da "Mona Lisa".

Até agora foram descobertos vários corpos na busca pelos restos mortais de Lisa Gherardini, a nobre florentina que pode ter sido o modelo do retrato que Da Vinci pintou entre 1503 e 1506. Segundo Silvano Vinceti, diretor da equipe de arqueólogos, este esqueleto em particular é muito promissor, mas ainda será preciso fazer testes pra comprovar sua identidade.

"Creio que chegamos à parte realmente emocionante para os investigadores, a conclusão de nosso trabalho no qual nos aproximamos da pergunta-chave: encontraremos ou não os restos de Lisa Gherardini?", afirmou Vinceti, especialista na solução de mistérios da História da Arte.

Esqueleto encontrado no último dia 17 de julho em convento de Florença, na Itália, que pode ser da suposta modelo que posou para Leonardo da Vinci durante a produção da Mona Lisa. (Foto: Andreas Solaro/AFP)

Esqueleto encontrado no último dia 17 de julho em convento de Florença, na Itália, que pode ser da suposta modelo que posou para Leonardo da Vinci durante a produção da Mona Lisa. (Foto: Andreas Solaro/AFP)

Os arqueólogos começaram a cavar no ano passado, quando novos documentos confirmaram que Gherardini, a esposa de um rico negociante de seda florentino chamado Francesco del Giocondo, viveu no convento depois da morte de seu marido, onde suas duas filhas freiras cuidaram dele e onde, em seguida, ela foi enterrada.

Acredita-se que Del Giocondo encomendou o retrato a Da Vinci e, apesar de não existirem provas tangíveis, a maioria dos historiadores está de acordo que Lisa Gherardini serviu de modelo para o retrato que hoje pode ser admirado no Louvre de Paris.

'Monalisa', um dos quadros mais famosos de Leonardo da Vinci (Foto: Reprodução/Wikicommons)
'Monalisa', um dos quadros mais famosos de
Leonardo da Vinci (Foto: Reprodução/Wikicommons)

Reconstituição do rosto

Os pesquisadores submeterão agora os restos do esqueleto conservado a uma série de testes para confirmar se pertencem a Gherardini, na esperança de reconstruir seu rosto e compará-lo com os traços faciais da pintura de Da Vinci.

"Os testes com carbono-14 nos permitem datar o período para saber se os restos são de meados do século XVI. Depois faremos testes para conhecer a idade da pessoa quando morreu. Sabemos que Gherardini tinha 62 ou 63 anos quando morreu", afirmou Vinceti.

"Depois vem o teste mais importante, o do DNA, porque temos os restos mortais de suas filhas. Se corresponderem, saberemos que são os restos da modelo que inspirou a Mona Lisa", acrescentou o arqueólogo, que também preside o Comitê Nacional Italiano para o Legado Cultural.

Se for confirmada a identidade do esqueleto, os investigadores iniciarão um processo de dois meses para reconstruir o rosto.

"Os traços fundamentais serão claramente visíveis. Já tentamos com Dante Alighieri, quando reconstruímos seu rosto. Seremos capazes de deixar para trás as hipóteses e comparar realmente o rosto reconstituído da musa que inspirou o artista", explica o especialista.

A identidade da Mona Lisa e de seu enigmático sorriso são um dos grandes mistérios da História da Arte e os arqueólogos da equipe italiana asseguram que é emocionante estar tão perto de desvendá-lo.