As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de julho

quarta-feira, 12 de março de 2014

Parte III - Ucrânia e Rússia: relações de tensão seculares

Parte III: o fim da URSS e a reorganização geopolítica da ex-URSS  (1991-2014).


Os anos de Guerra Fria esgotaram a economia da URSS, forçando a população do país a acumular sacrifícios, enquanto as verbas eram destinadas para as despesas militares e para a corrida espacial (outro campo de competição entre as superpotências). No plano interno, a Guerra Fria provocou uma "caça as bruxas" contra os críticos do regime. O terror stalinista perpetuou-se com seus seguidores, Nikita Khrushchev e Leonid Brejnev. Nesse período, as tentativas de participação  popular foram classificadas como "revisionistas" ou de "espionagem imperialista" e violentamente reprimidas.

É bem verdade que, durante o governo de Khrushchev, tentou implantar um processo durante o "degelo", que era uma tentativa de eliminar o lado personalista do poder soviético, inclusive divulgando os terrores do governo de Stálin durante o XX Congresso do PCUS (Partido Comunista da União Soviética), além de ensaiar uma pequena abertura. Mas as perseguições continuaram e nem o próprio dirigente era aceito pelo Partido Comunista, pois tinha acatado a ordem de retirar os mísseis nucleares de Cuba em 1962 e buscado aproximar-se dos EUA na sua política denominada “coexistência pacífica”.


A aproximação foi maior após a assinatura de acordos de redução de armas nucleares (em 1972, o presidente Nixon assinou o SALT-1), conversações sobre a limitação de armas estratégicas juntamente com o dirigente soviético Leonid Brejnev (1964-1982) e de tratados de cooperação técnica, econômica e espacial.

Os protestos no interior da União Soviética levaram o Comitê Central do Partido Comunista a liberalizar o regime, indicando Mikhail Gorbachev para ocupar o cargo de Secretário Geral do Partido Comunista e por sua vez, o governo da URSS. As palavras Glasnost (transparência política) e Perestroika (reestruturação econômica) passaram a fazer parte do vocabulário do novo líder. Atendendo às pressões populares, Gorbachev foi obrigado a equilibrar-se entre a "linha dura” do PCUS (velhos comunistas, stalinistas, militares e funcionários graduados do governo) e os reformistas radicais, simbolizados por Boris Yeltsin, que exigiam reformas mais amplas, profundas e rápidas.

Ocorreu em 26 de abril de 1986, o acidente nuclear de Chernobil, na Usina Nuclear de Chernobil (originalmente chamada Vladimir Ilyich Lenin) na Ucrânia (então parte da União Soviética). É considerado o pior acidente nuclear da história, produzindo uma nuvem de radioatividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido, com a liberação de 400 vezes mais contaminação que a bomba que foi lançada sobre Hiroshima. Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia foram muito contaminadas, resultando na evacuação e deslocamento de aproximadamente 200 mil pessoas para novas áreas onde pudessem , na medida do possível, retomar suas vidas. Quanta à contaminação além da Ucrânia, aproximadamente 60% de radioatividade caiu em território bielorrusso.
O acidente fez crescer preocupações sobre a segurança da indústria nuclear soviética, diminuindo sua expansão por muitos anos, e forçando o governo soviético a ser menos secreto. Os agora separados países de Rússia, Ucrânia e Bielorrússia têm suportado um contínuo e substancial custo de descontaminação e cuidados de saúde devidos ao acidente de Chernobil. É difícil dizer com precisão o número de mortos causados pelos eventos de Chernobil, devido às mortes esperadas por câncer, que ainda não ocorreram e são difíceis de atribuir especificamente ao acidente. Um relatório da Organização das Nações Unidas de 2005 atribuiu 56 mortes até aquela data – 47 trabalhadores acidentados e nove crianças com câncer de tireóide – e estimou que cerca de 4000 pessoas morrerão de doenças relacionadas com o acidente. O Greenpeace, entre outras organizações governamentais ou não, contestam as conclusões do estudo.
O governo soviético procurou esconder o ocorrido da comunidade mundial, até que a radiação em altos níveis foi detectada em outros países. Segue um trecho do pronunciamento do líder da União Soviética, na época do acidente, Mikhail Gorbachev, quando o governo admitiu a ocorrência:

"Boa tarde, meus camaradas. Todos vocês sabem que houve um inacreditável erro – o acidente na usina nuclear de Chernobil. Ele afetou duramente o povo soviético, e chocou a comunidade internacional. Pela primeira vez, nós confrontamos a força real da energia nuclear, fora de controle."
Em 1990, a "linha dura" reagiu às mudanças, tentando depor Gorbachev. Mas a população saiu às ruas contra o golpe, e os generais foram julgados por alta traição (dois deles suicidaram-se). Boris Yeltsin se apresentou como "símbolo" da resistência ao comunismo e contra a "incapacidade" de Gorbachev. A União Soviética foi extinta e substituída pela Comunidade dos Estados Independentes (CEI) para a qual Boris Yeltsin foi eleito presidente, aprofundando as reformas econômicas e implantando o sistema capitalista no leste europeu. 

                   


Por outro lado, a Rússia, desde 1991 até o presente momento, buscou uma aproximação com o mundo ocidental, por exemplo sendo incluída junto ao influente G7, que passou a ser conhecido como "G8" (as sete nações mais industrializadas do mundo e a partir de 1998, acrescido da Rússia), mas isso não representou para a população russa melhoria de vida - muito pelo contrário. Os russos, endividados, ainda são temidos, pois são detentores do segundo maior arsenal nuclear do mundo. Recentemente, deram mostras de sua determinação em não perder o status de potência militar ao realizarem uma agressiva intervenção militar na Tchechênia (1999-2000) que, assim como, na luta contra a Geórgia em 2008,  nas regiões de Ossétia do Sul e Abkhazia, buscando agregar territórios de maioria russa, bem como ocorre a disputa pelas jazidas de petróleo e gás natural.

Fonte: http://www.bbc.co.uk




Fonte: Wikipedia.org.pt


Comunidade dos Estados Independentes (CEI)  
A CEI é uma organização supranacional envolvendo 11 repúblicas que pertenciam à antiga União Soviética (Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguízia, Moldávia, Rússia, Tadjiquistão, Turcomenistão, Ucrânia, Uzbequistão, ) fundada em 8 de dezembro de 1991. Este novo acordo de união política teve como principal impulsionador o presidente russo Boris Yeltsin e marcou a dissolução da União Soviética. Desde 26 de agosto de 2005, o Turcomenistão não é mais membro permanente da entidade, atuando apenas como membro associado. As três repúblicas fundadoras da CEI concordaram num certo número de pontos fundamentais, nomeadamente nos seguintes: cada estado-membro mantinha a sua independência; as outras repúblicas da antiga União Soviética seriam bem-vindas como novos membros da Comunidade; qualquer república seria livre de abandonar a CEI após ter anunciado essa intenção com um ano de antecedência; os membros deveriam trabalhar em conjunto para o estabelecimento de economias de mercado; o antigo rublo soviético é a moeda comum dos estados-membros; a Comunidade fica sediada em Minsk, Alma-Ata e São Petersburgo. As Repúblicas Bálticas: Lituânia, Estônia e Letônia nunca fizeram parte do grupo.
A Geórgia se integrou ao Grupo em 1994, mas o seu Parlamento aprovou por unanimidade em 14 de agosto de 2008 a saída do país da Comunidade dos Estados Independentes, devido ao apoio russo às causas de independência da Abkhazia e da Ossétia do Sul.

O colapso da União Soviética em 1991 permitiu a convocação de um referendo que resultou na proclamação da independência da Ucrânia. Após isso, o país experimentou uma profunda desaceleração econômica, maior do que a de algumas das outras ex-repúblicas soviéticas. Durante a recessão, a Ucrânia perdeu 60% do seu PIB entre 1991 e 1999, além de ter sofrido com taxas de inflação de cinco dígitos. Insatisfeitos com as condições econômicas, bem como as taxas de crime e corrupção, os ucranianos protestaram e organizaram greves.
A economia ucraniana estabilizou-se até o final da década de 1990. A nova moeda, o hryvnia, foi introduzida em 1996. Desde 2000, o país teve um crescimento econômico real constante, com média de expansão do PIB de cerca de 7% ao ano.
A nova constituição ucraniana, que foi adotada durante o governo do presidente Leonid Kuchma em 1996, acabou por tornar a Ucrânia uma república semi-presidencial e estabeleceu um sistema político estável. Kuchma foi, no entanto, criticado por adversários por corrupção, fraude eleitoral, desestimulação da liberdade de expressão e muita concentração de poder em seu cargo. Ele também transferiu, por várias vezes, propriedades públicas para as mãos de políticos fiéis a ele.
Em 2004, Viktor Yanukovych, então primeiro-ministro, foi declarado vencedor das eleições presidenciais, que tinham sido largamente manipuladas, como o Supremo Tribunal da Ucrânia constatou mais tarde. Os resultados causaram um clamor público em apoio ao candidato da oposição, Viktor Yushchenko, que desafiou o resultado oficial do pleito. Isto resultou na pacífica "Revolução Laranja", que trouxe Viktor Yushchenko e Yulia Tymoshenko ao poder, enquanto lançou Viktor Yanukovych à oposição.
Yanukovych retornou a uma posição de poder em 2006, quando se tornou primeiro-ministro da Aliança de Unidade Nacional, até que eleições antecipadas em setembro de 2007 tornaram Tymoshenko primeiro-ministro novamente.
Disputas com a Rússia sobre dívidas de gás natural interromperam brevemente todos os fornecimentos de gás à Ucrânia em 2006 e novamente em 2009, levando à escassez do produto em vários outros países europeus. Viktor Yanukovych foi novamente eleito presidente em 2010, com 48% dos votos.
O protestos começaram em novembro de 2013, quando os cidadãos ucranianos exigiram uma maior integração do país com a União Europeia (UE). As manifestações foram provocadas pela recusa do governo ucraniano em assinar um acordo de associação com a UE, que Yanukovych descreveu como sendo desvantajoso para a Ucrânia. Com o tempo, o movimento Euromaidan promoveu uma onda de grandes manifestações e agitação civil por todo o país, o contexto que evoluiu para incluir clamores pela renúncia do presidente Yanukovich e de seu governo.


Fonte: www.g1.globo.com

A violência intensificou-se depois de 16 de janeiro de 2014, quando o governo aceitou as leis Bondarenko-Oliynyk, também conhecidas como leis anti-protestos. Os manifestantes anti-governo então ocuparam edifícios do centro de Kiev, incluindo o prédio do Ministério da Justiça, e tumultos deixaram 98 mortos e milhares de feridos entre os dias 18 e 20 fevereiro. Em 22 de fevereiro de 2014, o Parlamento da Ucrânia destituiu Yanukovych por considerar o presidente incapaz de cumprir seus deveres e definiu uma eleição para 25 de maio para selecionar o seu substituto.

No entanto, o Parlamento local da Crimeia, aprovou a declaração de independência em relação à Ucrânia e já estabeleceu para o dia 16 de março, um referendo para que a população local voto sobre a anexação da Crimeia à Rússia. A Crimeia está ocupada militarmente por tropas russas, algo em torno de 20.000 soldados, além da presença de blindados e aviões de guerra, no entanto, o presidente Putin entende que "não houve invasão" e que a movimentação de tropas na região obedece os acordos assinados com a Ucrânia sobre o uso das bases militares do Mar Negro, sendo que Putin entende se há alguma movimentação de tropas, são de "forças militares da Crimeia pró-Rússia", mas não é este o ponto de vista das potências ocidentais. Alias, estas "forças militares locais" usam uniformes sem identificação, podendo assim, ser compreendido como uma espécie de "cortina de fumaça" para a intervenção russa.


Fonte: www.g1.globo.com


 Paira no ar uma sensação de tensão que extrapola as fronteiras do Leste Europeu, pois UE, EUA observam e calculam com atenção os passos face à reação de Putin sobre aquilo que seria uma "intromissão" do Ocidente onde sempre a Rússia (na época do Império Russo ou da URSS) entendeu como "seu" espaço (área de influência) e quais serão os próximos desdobramentos, porém, quando olhamos para História, alguns se lembram dos resultados da "Conferência de Munique" de 1938, quando França e Grã-Bretanha barganharam com Hitler, cedendo às suas chantagens e permitiram a desintegração da Tchecoslováquia, entregando-a aos nazistas, mas aquilo era um "sacrifício" em nome da Paz. Sabemos que no ano seguinte explodiu a II Guerra Mundial. Estaria, a História, se repetindo?

Sugestões do Gabinete:

"Nothing and Never". Direção: Dmitriy Nepochatov. (2006) 45min: documentário premiado que apresenta de modo breve mas intenso o processo da chamada "Revolução Laranja" na Ucrânia em 2004. O documentário é falado em ucraniano com legendas em inglês.




















"Adeus, Lênin". Direção: Wolfgang Berger. (2003), 118 min. : Em 1989, pouco antes da queda do muro de Berlim, a Sra. Kerner (Katrin Sab) passa mal, entra em coma e fica desacordada durante os dias que marcaram o triunfo do regime capitalista. Quando ela desperta, em meados de 1990, sua cidade, Berlim Oriental, está sensivelmente modificada. Seu filho Alexander (Daniel Brühl), temendo que a excitação causada pelas drásticas mudanças possa lhe prejudicar a saúde, decide esconder-lhe os acontecimentos. Enquanto a Sra. Kerner permanece acamada, Alex não tem muitos problemas, mas quando ela deseja assistir à televisão ele precisa contar com a ajuda de um amigo diretor de vídeos.




















"Senhor das Armas". Direção: Andrew Niccol. (2005), 122 min. : Yuri Orlov (Nicolas Cage) é um imigrante ucraniano, radicado nos EUA e que explorou toda forma de comércio de armas que realizan do negócios nos mais variados locais do planeta, inclusive aproveitando o desmonte do arsenal soviético com o fim da Guerra Fria. Estando constantemente em perigosas zonas de guerra, Yuri tenta sempre se manter um passo a frente de Jack Valentine (Ethan Hawke), um agente da Interpol, e também de seus concorrentes e até mesmo clientes, entre os quais estão alguns dos mais famosos ditadores do planeta.



domingo, 9 de março de 2014

Parte II - Ucrânia e Rússia: relações de tensão seculares

Parte II: A mudança com a Revolução Russa e o surgimento da URSS (1917-1991)

Em fevereiro de 1917, o czar Nicolau II (1896-1917) foi deposto pela ação do movimento menchevique (socialistas moderados), sob a liderança de Aleksandr Kerensky, que rapidamente organizou um Governo Provisório, buscando evitar um perigoso "vácuo de poder".



No entanto, a Rússia encontrava-se envolvida com a " Grande Guerra", lutando ao lado da Tríplice Entente, junto com a França e a Grã-Bretanha, que rapidamente prometeram ao novo governo apoio financeiro e estratégico em troca da manutenção da Rússia no conflito.


A situação militar russa naquela altura era de penúria, pois o Exército russo lutava em condições bastante desiguais, se comparados aos alemães, os quais tinham ocupado amplas extensões de terra da Rússia ocidental e tinham centenas de milhares de soldados nestes territórios ocupados com trincheiras.
Em abril de 1917, o líder bolchevique (socialistas radicais) Lênin, publicou uma série de propostas conhecidas como "Teses de Abril" que, entre outras ideias, defendia a saída incondicional da Rússia da guerra, a reforma agrária e a distribuição de comida para a população faminta, além de propor a organização de assembleias com poder de decisão (soviets) compostas por camponeses e operários.



A movimentação bolchevique não se contentava com apenas a proposição política, mas também, se estruturava na organização de um exército sob a liderança de Lênin e de seu maior colaborador, Trostky.
Em outubro de 1917, Lênin depôs o Governo Provisório e começou a articulação para a composição de um acordo em separado com a Alemanha, retirando a Rússia da guerra: o acordo de Brest-Litovsk, assinado em março de 1918.



Apesar do tratado, a paz não alcançou a Rússia e tal fato estava relacionado com a resistência menchevique nas regiões Oeste e sudoeste da Rússia, contando com apoio militar das Potências ocidentais ( EUA , França e Grã-Bretanha) com armas, munições e dinheiro para os mencheviques que passavam a ser conhecidos como " russos brancos" que buscavam a deposição dos "russos vermelhos", os bolcheviques, num conflito que se arrastou entre 1917 e 1921, a Guerra Civil Russa.


Neste contexto, algumas regiões buscaram a emancipação, como foi o caso bem sucedido das Repúblicas Bálticas ( Estônia, Letônia e Lituânia), Bielo Rússia e da Ucrânia, ambas não concretizadas: o movimento de caráter anarquista liderado por Néstor Makhno.


A primeira tentativa de implantação do comunismo libertário deu-se durante a Revolução Russa de 1917-1921, na região onde atualmente localiza-se a Ucrânia. O movimento iniciou-se no vilarejo de Gulai-Pole, sob a influência do anarquista Nestor Makhno, e se alastrou pelas regiões vizinhas de Aleksandrovsk até alcançar Kiev. Makhno foi eleito presidente do soviet de Gulai-Pole em agosto de 1917, e organizou uma pequena milícia para expropriar os latifúndios e dividi-los entre os camponeses mais pobres.


Após o tratado de Brest-Litovsk de 1918, que cedeu a Ucrânia ao Império Austro-Húngaro, uma nova milícia Makhnovista se formou e executou com sucesso ações de guerrilha contra o exército invasor. Com o armistício de 11 de Novembro de 1918, as tropas estrangeiras retiraram-se. A milícia Makhnovista se voltou contra o líder nacionalista ucraniano Petliura. Em seguida, Petliura foi derrotado pelo Exército Vermelho, e durante o embate entre Vermelhos e Brancos, Gulai-Pole ficou sob o domínio dos Makhnovistas, pois nenhuma outra facção era forte o suficiente para atacá-los.

Makhno aproveitou a calmaria para convocar congressos de camponeses com a finalidade de reformar a sociedade com vistas a implantar o comunismo libertário. Entretanto, as discussões se voltaram principalmente para a defesa da região contra outros exércitos, já que havia uma guerra civil. O poder real permaneceu com o grupo de Makhno. Atos de anti-semitismo, muito comuns na época, passaram a ser punidos com a pena de morte. Aconteceram esforços para se criar uma economia de trocas livres entre o campo (Gulai-Pole, Aleksandrovsk) e a cidade (Kiev, Moscou, Petrogrado).

A calmaria terminou em 15 de Junho de 1919, quando, após atritos menores entre Exército Insurgente Makhnovista e Vermelhos, o IV Congresso Regional de Gulai-Pole convidou os soldados da base do Exército Vermelho a enviar representantes. Isto foi um desafio direto à hierarquia de comando Comunista, já que aquele exército não funcionava, como o Makhnovista, em regime de democracia direta. Em 4 de Julho de 1919, um decreto do governo comunista proibiu o congresso e tornou o movimento Makhnovista ilegal. As tropas comunistas atacaram Gulai-Pole e dissolveram as comunas criadas na região. Poucos dias depois as forças de Denikin chegaram à região, obrigando a ambas facções a aliarem-se novamente.

Durante os meses de Agosto e Setembro, Denikin avancou a passo firme em direção a Moscou, enquanto Makhnovistas e comunistas eram obrigados a retroceder, chegando até as fronteiras ocidentais da Ucrânia. Então, em Setembro de 1919, Makhno surpreende Denikin lançando um ataque vitorioso à aldeia de Peregonovka, perto da cidade de Uman, cortando as linhas de abastecimento do general branco e semeando pânico e desordem na retaguarda. Este foi o primeiro revés sério sofrido por Denikin em sua campanha, e ao final do ano o Exército Vermelho o forçaria a bater em retirada até as margens do Mar Negro.

O primeiro ato de Makhno (foto abaixo) após entrar nessas cidades (após esvaziar as prisões) foi colocar cartazes anunciando aos cidadãos que a partir de este momento eram livres para organizarem suas vidas conforme preferissem, e que o Exército Insurgente Makhnovista "não lhes ditaria nem ordenaria nada".




Se proclamaram a liberdade de imprensa, palavra e reunião, e em Ekaterinoslav surgiram imediatamente meia dezena de periódicos que representavam uma ampla gama de tendências políticas. Mas Makhno, embora fomentasse a liberdade de expressão, não estava disposto a tolerar aquelas organizações políticas que tratavam de impor sua autoridade sobre o povo. Portanto dissolveu os "comitês revolucionários" dos Bolcheviques em Ekaterinoslav e Aleksandrovsk, aconselhando seus membros a se unirem a eles.

Entretanto, a classe operária urbana não respondeu ao movimento Makhnovista com o mesmo entusiasmo dos camponeses, e ao final de 1919, as relações com o governo comunista voltaram a azedar. Ao negar-se a abandonar o território ucraniano por ordem de Trotsky, o movimento Makhnovista foi novamente declarado ilegal.


O Exército Vermelho então voltou a combatê-los, e durante os oito meses que se seguiram ambos os lados sofreram pesadas baixas. Então, em outubro de 1920, o barão Wrangel, sucessor de Denikin no Sul, lançou uma importante ofensiva, partindo da Crimeia rumo ao Norte. Novamente o Exército Vermelho solicitou a ajuda dos Makhnovistas, e novamente a frágil aliança se refez. Menos de um mês mais tarde, já com a guerra civil ganha, a aliança foi desfeita.


Em 25 de Novembro de 1920, os líderes do Exército Makhnovista, reunidos na Criméia por ocasião da vitória sobre Wrangel, foram presos e executados sumariamente. No dia seguinte, por ordem de Trotsky, Gulai-Pole foi atacada e os Makhnovistas presos ou executados. Makhno conseguiu fugir e se exilar na França.
Com a vitória bolchevique, o governo de Lênin organizou a. União Soviética em 1922, tendo a Ucrânia como uma de suas Repúblicas. Mas sob o governo de Stálin(1924-1953), a articulação de uma estrutura de poder centralizadora, autoritária, centrada no culto da personalidade de seu líder, proporcionou um processo de " russificação" da URSS, impondo a língua e cultura russa em detrimento das culturas locais, pois Stálin pretendia sepultar qualquer tendência separatista daquilo que fora o Império Russo e naquele contexto, de certa forma, " o Império Soviético".



Todo este período de tensão entre 1914 e 1924, conjuntamente com os desdobramentos da ascensão de Stálin, provocaram a formação de ondas de refugiados, que na escala de milhões, buscaram fugir das guerras, miséria, abusos de autoridade e toda sorte de mazelas e assim, destinaram-se à Europa ocidental, América do Norte e América Latina, compondo uma ampla colônia que genericamente, ficara conhecida como eslava.

Em 29 de agosto de 1939, o Pacto de Não-Agressão Germano-Soviético, garantiu temporariamente a integridade territorial da URSS e ainda possibilitou por parte de Stálin a ocupação do leste da Polônia e das independentes Repúblicas Bálticas. A eclosão da II Guerra Mundial em 01 de setembro de 1939 foi um desdobramento da invasão nazista à Polônia. O pacto entre inimigos mortais como o III Reich de Hitler e a URSS de Stálin deve ser visto como uma tomada estratégica de tempo entre ambas as partes, alias, Hitler buscava evitar o erro da I Guerra Mundial: a abertura de duas frentes de batalha.

Quando em 1941, a região ocidental da Europa estava praticamente sobre o controle de Hitler com a Grã-Bretanha acuada e os EUA fora da guerra, Hitler desencadeou a chamada "Operação Barbarossa": a partir dos contingentes militares estacionados no leste da Europa, Hitler ordenou a invasão da URSS e nesse caso, o processo foi visto pela população de duas formas: para quem era favorável ao regime comunista, os alemães eram "invasores", enquanto que, para quem era contrário ao comunismo, os alemães seriam recebidos como "libertadores" e este foi o caso das repúblicas Bálticas e Ucrânia.

Fonte: Atlas da História do Mundo

A Ucrânia ocupada pelos nazistas se converteu no "Comissariado Alemão da Ucrânia", tendo Kiev como sua capital e assim, foi se compondo uma estrutura de poder que aproveitava os inimigos do comunismo para a manutenção do controle da região, inclusive, com a organização de uma Guarda ucraniana pró-nazista "Wolfsangel". No entanto, gradativamente a percepção de uma parcela dos ucranianos mudou de posição face às arbitrariedades que os alemães começavam a praticar, tendo os próprios ucranianos como alvo, além dos já visados : judeus, ciganos, comunistas e outros que fossem considerados "inimigos do III Reich".

A partir de 1942 os exércitos do Eixo começaram a ser contra-atacados firmemente na União Soviética, África e Pacífico. A derrota na batalha de Stalingrado (set/42-fev/43), no extremo leste da Ucrânia, junto ao rio Volga, marcou o fim da expansão alemã em território soviético, pois neste momento iniciou-se a expulsão dos alemães.


Já no início de 1945 a guerra indicava a vitória aliada devido ao cerco das tropas alemãs em seu próprio território, graças à ação conjunta das frentes ocidental e oriental. Os soviéticos foram os primeiros a entrar em Berlim, tomando a cidade e encontrando Hitler e a cúpula nazista morta no quartel general do Führer após suicídio, terminando com a guerra na Europa em 8 de maio de 1945.

A Segunda Guerra Mundial se encerrou com um altíssimo saldo de mortos – entre números controversos de várias fontes, algo por volta de 50 milhões, sendo que deste número, 20 milhões seriam de soviéticos, demonstrando um elevado custo que a guerra tivera àquele país.

Com a morte de Stálin em 1953, ascendeu ao controle da URSS, Nikita Sergeyevich Khushchev, que transferiu o controle da Crimeia da Rússia para a Ucrânia e assim ficou até o fim da URSS em 1991.