As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de julho

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Há 150 anos: A Guerra do Paraguai

A QUESTÃO PLATINA - 

O controle da Província Cisplatina estava relacionado com a retaliação praticada contra a Coroa de Espanha por D. João, assim que chegou ao Brasil, fato que seria uma reação ao apoio dos Bourbons ao ataque a Portugal em 1807 pelos franceses. Mesmo após a derrota definitiva de Napoleão em 1815, as tropas portuguesas não desocuparam a região, concretizando um velho interesse luso desde os tempos da colonização, quando a região foi agitada pelas disputas entre castelhanos e portugueses pela Colônia de Sacramento. 



Em 1825, durante o Primeiro Reinado, um movimento popular apoiado pela Argentina tentou anexar a região àquele país, provocando violentos choques com o governo de D. Pedro I. A questão somente foi resolvida em 1828, com um acordo assinado por Brasil e Argentina, no qual os dois países concordavam com a independência da região sob o nome de República Oriental do Uruguai. Porém, as pretensões do Brasil e da Argentina não cessaram.

Na Argentina, no Uruguai , os partidos Blanco (unitarista) e Colorado (federalista) disputavam o poder. Essa "unidade ideológica", que não respeitava fronteiras, provocava fatalmente o envolvimento de todas as partes em cada revolta ocorrida na região.

Quanto a Dom Pedro II, sempre houve a preocupação de impedir o aparecimento de um país forte na região platina ou de que ocorresse uma união territorial entre argentinos, uruguaios e paraguaios, uma vez que os brasileiros esforçavam-se para estabelecer a livre navegação nos rios platinos, únicas vias regulares de acesso à parte centro-oeste do território do Brasil.

Em 1828, foram realizadas eleições presidenciais no Uruguai, opondo os latifundiários, unidos em torno do blanco Manuel Oribe, que, inclusive, tinha o apoio do argentino Juan Manuel Rosas, contra o colorado Frutuoso Rivera, que representava os comerciantes da região e tinha o apoio explícito do governo imperial brasileiro e do líder político argentino, José Urquiza, que, como governador da província de Corrientes, era o principal opositor de Rosas na Argentina. A vitória coube ao candidato colorado.


Os blancos acusaram os colorados de fraude e pediram ajuda aos blancos dos países vizinhos. Em 1834, depois de vencer as eleições e tornar-se o novo presidente, Oribe aproximou-se de Rosas, provocando a fuga de seu predecessor, Rivera, que se refugiou no Rio Grande do Sul aliando-se ao líder farroupilha, Bento Gonçalves.

Rivera organizou um exército e tomou o poder no Uruguai, aproveitando-se dos problemas enfrentados por Rosas na Argentina. Alguns fazendeiros brasileiros realizaram incursões no Uruguai para garantir suas propriedades, pois estas eram frequentemente invadidas e saqueadas pelas facções em luta dos vizinhos. Em 1839, Rosas conseguiu resolver seus problemas internos na Argentina e anexou o Uruguai, o que causou protestos da Inglaterra, da França e do Brasil. Os ataques às propriedades de brasileiros continuaram de ambos os lados da fronteira, provocando a entrada do Brasil na guerra.

O General Urquiza, comandante das províncias argentinas de Corrientes e Entre-Rios, revoltou-se contra Rosas e aliou-se ao Brasil e ao uruguaio Rivera. As forças brasileiras, comandadas pelo Duque de Caxias e apoiadas pelo bloqueio naval do almirante Greenfeld, tomaram Montevidéu e, a seguir, invadiram a Argentina, depondo Rosas.
Argentina e Uruguai celebraram com o Brasil um tratado de livre comércio e navegação no Rio da Prata, garantindo aos brasileiros o vital acesso à província do Mato Grosso, bem como a “permissão” para comandar os acontecimentos na desembocadura do Rio da Prata.

As lutas entre blancos e colorados prosseguiam no Uruguai a cada eleição e, em 1864, o colorado Venâncio Flores tentou tomar o poder de Atanásio Aguirre, através da luta armada. O Brasil apresentou um protesto junto ao governo do Uruguai, devido aos constantes ataques às propriedades de brasileiros, mas foi ignorado pelo presidente Aguirre. O País decidiu, então, intervir novamente no Uruguai, enviando a Montevidéu um exército comandado por Caxias, enquanto a marinha bloqueava o litoral uruguaio. O presidente Aguirre renunciou e fugiu para o Paraguai, onde pediu auxílio ao ditador Francisco Solano Lopez. Enquanto isso, Flores, o novo presidente do Uruguai, cedia às exigências brasileiras.

O Paraguai foi, desde sua emancipação em 1811, uma exceção na região. A independência do país não foi obra da elite criolla, como no resto da América espanhola, mas, sim, fruto da união entre os índios guaranis e uma camada militarizada nacionalista, que implantou no Paraguai um modelo de desenvolvimento ligado à realidade local. Durante os longos governos de José Domingos Francia (1811-1840) e Carlos Antônio Lopez (1840-1862), as grandes propriedades foram confiscadas e transformadas em Estâncias da Pátria, que abasteciam o consumo nacional de produtos agrícolas.

Nesse período, o Paraguai não pode ser visto como uma democracia. Mas a escravidão foi abolida, o analfabetismo foi erradicado, fábricas de armas e de pólvora foram implantadas, assim como indústrias siderúrgicas, estradas de ferro, telégrafo e estaleiro. Tal quadro de relativo sucesso econômico e social e de autonomia internacional foi acompanhado durante o governo de Francisco Solano Lopez, iniciado em 1862, de uma política de ênfase no setor militar, mas muito longe de ser uma potência ameaçadora aos interesses ingleses.

 Em 11 de novembro de 1864, Lopez apreendeu o navio brasileiro Marques de Olinda, que navegava no Rio Paraguai, provocando a declaração de guerra por parte do Brasil.

A GUERRA DO PARAGUAI (1864-1870)

Os paraguaios tentaram tomar a província do Mato Grosso, mas foram repelidos pelas forças brasileiras. Optaram, então, pela libertação do Uruguai, mas, para isso, foi necessário invadir parte do território da Argentina, o que provocou a entrada do país na guerra.

Em maio de 1865, Brasil, Argentina e Uruguai formaram a Tríplice Aliança, que entregava o comando do bloco belicista ao presidente da Argentina, Bartolomé Mitre. Os aliados puderam contar ainda com empréstimos e equipamentos vindos da Inglaterra. As operações navais, sob o comando do Almirante Tamandaré, foram inteiramente favoráveis ao Brasil, enquanto as operações em terra beneficiaram os paraguaios. 

O Brasil foi obrigado a financiar um exército profissional recrutado pelo Uruguai e também a recrutar negros que seriam alforriados após o conflito. Tal contingente ficou conhecido como os “Voluntários da Pátria”.

Charge de Angelo Agostini sobre a dura realidade dos "voluntários da Pátria"


De 1866 a 1869, o comando do exército brasileiro foi entregue ao Duque de Caxias, que conseguiu expressivas vitórias sobre a força paraguaia, obrigando Lopez a refugiar-se no norte do país. O comando passou, então, ao Conde d'Eu, Louis Phillipe Gaston d’Orleans, genro do Imperador, que comandou verdadeiros massacres junto à população paraguaia enquanto perseguia Solano Lopez, que fora morto em 1º de março de 1870 por soldados brasileiros depois da batalha de Cerro Corá.




As consequências da Guerra do Paraguai foram catastróficas para todos os envolvidos. O Paraguai perdeu cerca de 70 % de sua população masculina, segundo as estatísticas mais confiáveis, metade da população paraguaia foi dizimada: de 406.000 habitantes em 1864 para 231.000 em 1872.Apesar da vitória militar, Brasil, Argentina e Uruguai aumentaram seu endividamento em relação à Inglaterra, que foi, em última análise, beneficiada indiretamente com o conflito.

O "legado" brasileiro no Paraguai


Em pesquisas mais recentes, a Guerra do Paraguai não é mais entendida como uma ação “maquiavélica” da Grã-Bretanha que estava tendo seus interesses ameaçados pela potência em ascensão que seria o Paraguai, pois o conflito foi muito mais uma disputa pelo controle e acesso da bacia Platina, que naquele contexto, era o elo de integração das regiões litorâneas com a região central do continente e nesse caso, a livre-navegação pelos rios da Bacia do Prata era uma questão de Estado para as nações da região.


O Exército brasileiro praticamente formou-se enquanto força militar durante essa guerra, mas isso não significou maior reconhecimento perante a aristocracia imperial brasileira. Tal animosidade jogaria os militares nos braços do movimento republicano.

domingo, 9 de novembro de 2014

Há 25 anos caía o Muro de Berlim: com ele, ruía o bloco comunista europeu!

Os anos de Guerra Fria esgotaram a economia da URSS, forçando a população do país a acumular sacrifícios, enquanto as verbas eram destinadas para as despesas militares e para a corrida espacial (outro campo de competição entre as superpotências). No plano interno, a Guerra Fria provocou uma "caça as bruxas" contra os críticos do regime. O terror stalinista perpetuou-se com seus seguidores, Nikita Khrushchev (1953-64) e Leonid Brejnev (1964-82). Nesse período, as tentativas de participação  popular foram classificadas como "revisionistas" ou de "espionagem imperialista" e violentamente reprimidas.

Khrushchev e seu aliado Fidel Castro


É bem verdade que, durante o governo de Khrushchev, tentou implantar um processo durante o degelo, que era uma tentativa de eliminar o lado personalista do poder soviético, inclusive divulgando os terrores do governo de Stálin durante o XX Congresso do PCUS (Partido Comunista da União Soviética), além de ensaiar uma pequena abertura. Mas as perseguições continuaram e nem o próprio dirigente era aceito pelo Partido Comunista, pois tinha acatado a ordem de retirar os mísseis nucleares de Cuba e buscado aproximar-se dos EUA na sua política denominada “coexistência pacífica”.

Leonid Brejnev

No entanto, em 1979 a URSS realiza uma intervenção militar no Afeganistão, "o Vietnã soviético", recebendo uma intensa resistência dos guerrilheiros mujahedins, os quais lutariam até o final da invasão soviética em 1989, recebendo apoio militar e logístico de agentes da CIA, a agencia de inteligência dos EUA. Como contraponto aos atos belicistas da URSS, os EUA passaram, então, a “desenvolver” um suposto plano de guerra espacial, batizado de “Guerra nas Estrelas”. Ainda na década de 1980, os trabalhadores da cidade de Gdansk (Polônia) fundaram o sindicato Solidariedade, independente do sindicalismo oficial. Seu líder, Lech Walesa, acusado de ser um espião do capitalismo, foi preso e posteriormente libertado diante das manifestações populares.

Mikhail Gorbachev

Os protestos no interior da União Soviética levaram o Comitê Central do Partido Comunista a liberalizar o regime, indicando Mikhail Gorbachev para ocupar o cargo de Secretário Geral. As palavras Glasnost e Perestroika (transparência política e reestruturação econômica respectivamente) passaram a fazer parte do vocabulário do novo líder. Atendendo às pressões populares, Gorbatchev foi obrigado a equilibrar-se entre a "linha dura” do PCUS (velhos comunistas, stalinistas, militares e funcionários graduados do governo) e os reformistas radicais, simbolizados por Bóris Yeltsin, que exigiam reformas mais amplas, profundas e rápidas.



O Leste europeu foi sendo sacudido por várias manifestações em prol da democracia e liberdade, causando a derrubada dos dirigentes comunistas (Hungria, Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia, Bulgária e Romênia) e a abertura da "Cortina de Ferro". 

Berlim: dividida no pós-1945

Um dos marcos da Guerra Fria foi a construção do Muro de Berlim em agosto de 1961 por parte dos soviéticos, separando Berlim Ocidental(setores americano, francês e inglês) e Berlim Oriental(setor soviético) e cortando qualquer acesso do lado comunista com a região capitalista. Era uma grande extensão de arame farpado que depois deu origem a um extenso muro de concreto também cercado com arame farpado, com vigilância constante de sentinelas e cães (os quais deveriam reprimir à força qualquer tentativa de fuga do lado oriental para o ocidental).

Vista do Portão de Brandemburgo com a separação promovida pelo Muro


O marco decisivo para este processo foi a queda do muro de Berlim em 09 de novembro de 1989, um fato que marcou o início da derrocada do comunismo na Europa, e posteriormente, em 03 de outubro de 1990, a Alemanha era reunificada, selando uma ferida aberta desde 1945.

09 de novembro de 1989: o "Muro da Vergonha" caiu !

Em meio a essas transformações, as repúblicas que compunham a URSS, como Letônia, Estônia, Lituânia, entre outras, passaram a declarar-se independentes, com o rápido apoio e o reconhecimento dos países ocidentais.

Em 1990, a "linha dura" reagiu às mudanças, tentando depor Gorbachev. Mas a população saiu às ruas contra o golpe, e os generais foram julgados por alta traição (dois deles suicidaram-se). Boris Yeltsin se apresentou como símbolo da resistência ao comunismo e contra a "incapacidade" de Gorbachev. A União Soviética foi extinta e substituída pela Comunidade dos Estados Independentes (CEI) para a qual Boris Yeltsin foi eleito presidente, aprofundando as reformas econômicas e implantando o sistema capitalista no leste europeu.          


Helmut Kohl, chanceler da Alemanha reunificada

Com o fim da Guerra Fria, as duas superpotências puderam, finalmente, encerrar a Segunda Guerra Mundial, devolvendo a autonomia à Alemanha, que foi reunificada em meio a um delírio nacionalista. A comemoração colocou fim a uma fase da história do século XX, mas deu origem a novos e maiores problemas, como:

·  o fechamento de indústrias (consideradas ultrapassadas e poluidoras) na ex-Alemanha Oriental provocou um aumento do desemprego no país; a tentativa dos alemães ocidentais de empregarem orientais causou a dispensa de milhares de imigrantes que viviam na parte ocidental, aumentando a discriminação racial e a perseguição aos estrangeiros, o que promoveu o crescimento dos partidos neonazistas;

·  o pagamento de salário-desemprego fez aumentar a cobrança de impostos sobre a população  empregada; a desordem resultante fez que as crises financeiras se sucedessem, desestabilizando todo o plano de integração econômica previsto para a Comunidade Econômica Europeia (CEE);  

·  o renascimento do nacionalismo reavivou antigos ódios na Iugoslávia (composta por cinco povos diferentes), Tchecoslováquia, URSS, entre outros. O caso mais recente foram as intervenções militares desempenhadas pela OTAN na guerra da região do Kosovo, palco de atos de “limpeza étnica”.

A Europa pós-Guerra Fria

            
Estabeleceu-se um conjunto de propostas praticamente únicas, que são genericamente chamadas de globalização, que, grosso modo, pregam a liberalização total da economia e a criação do Estado mínimo, ou seja, seria a retomada do discurso liberal do século XVIII. Talvez por isso, seja também chamado de neoliberalismo. Os dirigentes ocidentais que melhor expressaram essa foram de governar foram Margaret Thatcher, primeira-ministra do Reino Unido da Grã-Bretanha (1979-1990), e Ronald Reagan(1981-89), presidente dos Estados Unidos por dois mandatos consecutivos, sendo sucedido por seu vice, George Bush(1990-1994).

Esse projeto foi se espalhando pelos países do então chamado "Terceiro Mundo", como alternativa que viabilizaria o desenvolvimento econômico. Entretanto, o que se vê não só nesses países, mas mesmo na Europa industrializada, é um crescimento do desemprego e da concentração de renda.
Por outro lado, a Rússia, hoje, é aliada do mundo ocidental, mas isso não representou para a população russa melhoria de vida - muito pelo contrário. Os russos, endividados, ainda são temidos, pois são detentores do segundo maior arsenal nuclear do mundo. Recentemente, deram mostras de sua determinação em não perder o status de potência militar ao realizarem uma agressiva intervenção militar na Chechênia (1994-96 e 1999-2009), assim como recentemente, a intervenção militar na península da Criméia e a tensão separatista no leste da Ucrânia.

Sugestões do Gabinete:

A vida dos outros. Direção: Florian Henckel von Donnersmarck, 2006, 137 min:



Georg Dreyman (Sebastian Koch) é o maior dramaturgo da Alemanha Oriental, sendo por muitos considerado o modelo perfeito de cidadão para o país, já que não contesta o governo nem seu regime político. Apesar disto o ministro Bruno Hempf (Thomas Thieme) acha por bem acompanhar seus passos, para descobrir se Dreyman tem algo a esconder. Ele passa esta tarefa para Anton Grubitz (Ulrich Tukur), que a princípio não vê nada de errado com Dreyman mas é alertado por Gerd Wiesler (Ulrich Mühe), seu subordinado, de que ele deveria ser vigiado. Grubitz passa a tarefa a Wiesler, que monta uma estrutura em que Dreyman e sua namorada, a atriz Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck), são vigiados 24 horas. Simultaneamente o ministro Hempf se interessa por Christa-Maria, passando a chantageá-la em troca de favores sexuais.



Adeus, Lênin! Direção: Wolfgang Becker, 2003, 118 min:



Em 1989, pouco antes da queda do muro de Berlim, a Sra. Kerner (Katrin Sab) passa mal, entra em coma e fica desacordada durante os dias que marcaram o triunfo do regime capitalista. Quando ela desperta, em meados de 1990, sua cidade, Berlim Oriental, está sensivelmente modificada. Seu filho Alexander (Daniel Brühl), temendo que a excitação causada pelas drásticas mudanças possa lhe prejudicar a saúde, decide esconder-lhe os acontecimentos. Enquanto a Sra. Kerner permanece acamada, Alex não tem muitos problemas, mas quando ela deseja assistir à televisão ele precisa contar com a ajuda de um amigo diretor de vídeos.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Roteiro de Estudo - Revisão ENEM 2014 - Parte IV


Terminando nossa revisão:

Competência de área 5 - Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade.
H21 - Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social.
H22 - Analisar as lutas sociais e conquistas obtidas no que se refere às mudanças nas
legislações ou nas políticas públicas.
H23 - Analisar a importância dos valores éticos na estruturação política das sociedades. H24 - Relacionar cidadania e democracia na organização das sociedades.
H25 Identificar estratégias que promovam formas de inclusão social. 

Q32 - Prova Azul - 2011 - Gabarito: E


A Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, inclui no currículo dos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares a obrigatoriedade do ensino, sobre História e Cultura Afro-Brasileira e determina que o conteúdo programático incluirá o estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil, além de instituir, no calendário escolar, o dia 20 de novembro como data comemorativa do “Dia da Consciência Negra”.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: 27 jul. 2010 (adaptado).

A referida lei representa um avanço não só para a educação nacional, mas também para a sociedade brasileira, porque

A) legitima o ensino das ciências humanas nas escolas. 
B) divulga conhecimentos para a população afro-brasileira. 
C) reforça a concepção etnocêntrica sobre a África e sua cultura.
D)garante aos afrodescendentes a igualdade no acesso à educação.
E) impulsiona o reconhecimento da pluralidade étnico-racial do país. 


A estruturação de uma sociedade com pleno exercício de sua cidadania implica em conceder espaços para todos os grupos étnico-raciais que a compõem, rompendo com os preconceitos e favorecendo a consolidação de uma visão plural e tolerante, a qual busca uma visão bastante consolidada sobre a diversidade da cultura brasileira e o papel de cada um de seus segmentos sociais, rompendo com os clichês e padrões elitistas que vem sendo impostos desde a colonização.


Competência de área 6 - Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográficos.
H26 - Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.
H27 - Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e(ou) geográficos.
H28 - Relacionar o uso das tecnologias com os impactos sócio-ambientais em diferentes contextos histórico-geográficos.
H29 - Reconhecer a função dos recursos naturais na produção do espaço geográfico, relacionando-os com as mudanças provocadas pelas ações humanas.
H30 - Avaliar as relações entre preservação e degradação da vida no planeta nas diferentes escalas. 

Q37 - Prova Azul 2011 - Gabarito: B


No Estado de São Paulo, a mecanização da colheita da cana-de-açúcar tem sido induzida também pela legislação ambiental, que proíbe a realização de queimadas em áreas próximas aos centros urbanos. Na região de Ribeirão Preto, principal polo sucroalcooleiro do país, a mecanização da colheita já é realizada em 516 mil dos 1,3 milhão de hectares cultivados com cana-de-açúcar.

BALSADI, O. et al. Transformações Tecnológicas e a força de trabalho na agricultura brasileira no período de 1990-2000. Revista de economia agrícola. V. 49 (1), 2002.

O texto aborda duas questões, uma ambiental e outra socioeconômica, que integram o processo de modernização da produção canavieira. Em torno da associação entre elas, uma mudança decorrente desse processo é a
  1. A ) perda de nutrientes do solo devido à utilização constante de máquinas.
  2. B)   eficiência e racionalidade no plantio com maior produtividade na colheita.
  3. C ) ampliação da oferta de empregos nesse tipo de ambiente produtivo.
  4. D ) menor compactação do solo pelo uso de maquinário agrícola de porte.
  5. E)  poluição do ar pelo consumo de combustíveis fósseis pelas máquinas. 
O processo de mecanização da agricultura se ampliou com intensidade nos últimos 20 anos, fruto de mudanças no sistema das máquinas, que tem sentido os impactos da informatização, fato este que mudou a face do setor: cada vez mais são necessários trabalhadores com alta capacitação, já que as máquinas são dotadas de computadores de bordo e recursos técnicos que permitem ampla produtividade e uma redução significativa dos eventuais prejuízos durante a colheita, mas por outro lado, tal situação exclui o trabalhador desqualificado e muito provavelmente, levará a sua completa substituição.

domingo, 2 de novembro de 2014

Roteiro de estudo Revisão ENEM 2014 Parte III

Continuando nossa revisão...

Competência de área 3 - Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais.

H11 - Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.
H12 - Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades.
H13 - Analisar a atuação dos movimentos sociais que contribuíram para mudanças ou

rupturas em processos de disputa pelo poder.
H14 - Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos analíticos e interpretativos, sobre situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca das instituições sociais, políticas e econômicas.
H15 - Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história.

A competência 03 tem por objetivo analisar a organização das sociedades humanas a partir de suas próprias estruturas (as instituições e os grupos sociais), tendo por orientação o dinamismo que envolve a constituição de uma sociedade, um sistema de governo, grupos relacionados direta ou indiretamente, além de se pensar nas relações de tensão presentes dentro do próprio corpo social.
Uma sociedade, seja no passado, seja no presente, conviveu e convive com as necessidades da geração de recursos para sua manutenção (sistemas produtivos), fato que implica na organização da sociedade, na construção de seus valores e de suas crenças e assim, seus membros são envolvidos no controle desses modos de produção ou explorados por que os controla/controlava.

Enem 2011 - Prova Azul - Q03 - Gabarito: E


Movimento dos Caras-Pintadas

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 17 abr. 2010 (adaptado).

O movimento representado na imagem, do início dos anos de 1990, arrebatou milhares de jovens no Brasil.Nesse contexto, a juventude, movida por um forte sentimento cívico,

A) aliou-se aos partidos de oposição e organizou a campanha Diretas Já.
B) manifestou-se contra a corrupção e pressionou pela aprovação da Lei da Ficha Limpa.
C) engajou-se nos protestos relâmpago e utilizou a internet para agendar suas manifestações.
D) espelhou-se no movimento estudantil de 1968 e protagonizou ações revolucionárias armadas.
E) processo de impeachment do então presidente Collor.
Apesar do uso do recurso iconográfico (foto), a questão não pedia necessariamente a análise da imagem, mas se oferecia uma informação sobre o tema abordado, porque a imagem era acompanhada de um título ("Movimento dos Cara-Pintadas") e no enunciado apareciam as expressões "juventude" e "jovens", associando-os a um "forte sentimento cívico", quer dizer, manifestavam-se como parte de um sociedade descontente para com os atos de seus governantes, já que um dos deveres dos cidadãos é fiscalizar e cobrar seus governantes. 
Desse modo, ficava claro, mesmo sem a foto que o movimento teve uma intensa participação da juventude e a questão pedia para relacionar este episódio com seu contexto histórico, oferecendo inclusive, a data relacionada: "início dos anos 1990".

A alternativa A fala da organização da oposição para a campanha "Diretas Já", porém, esta movimentação social ocorreu em 1984, no final do Regime Militar e não teve uma relação com o contexto pedido, tornando-se errada.

A alternativa B apresenta uma relação correta entre o movimento contra a corrpução, mas o relaciona com a Lei da Ficha Limpa, fenômeno posterior a 2010, tornando-se portanto, incorreta.

A alternativa C menciona uma relação com os "protestos relâmpago" e com a "internet" para a mobilização da juventude. Ambos os temas são de épocas distintas ao contexto dos anos 1990: os protestos relâmpago são do auge da repressão do regime Militar (1968-70) e a mobilização via redes sociais da década de 2010 e assim, a alternativa esta errada.

Na alternativa D apresenta-se uma relação com o movimento estudantil francês de maio de 1968 e também com a luta revolucionária armada, porém este era o contexto da década de 1960 e não de 1990, quando os "Caras-Pintadas" saíram às ruas pacificamente, sem o uso ou incitação à violência ou radicalização (guerrilha).

A alternativa E é a correta, pois faz a exata correlação entre os "Caras-Pintadas", seu momento (1992) e seu objetivo: o processo de impeachment do presidente Collor, que naquele contexto era acusado de crime de responsabilidade no exercício de sua função, além de tráfico de influências e corrupção.

Competência de área 4 - Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social.

H16 - Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da vida social.

H17 - Analisar fatores que explicam o impacto das novas tecnologias no processo de territorialização da produção.

H18 - Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações sócio-espaciais.

H19 - Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as várias formas de uso e apropriação dos espaços rural e urbano.

H20 - Selecionar argumentos favoráveis ou contrários às modificações impostas pelas novas tecnologias à vida social e ao mundo do trabalho. 

A competência 04 faz uma análise das relações de produção com as novas tecnologias, especialmente o desenvolvimento da informática e seus impactos (positivos ou negativos) na sociedade contemporânea, uma vez que este campo do conhecimento se tornou um setor produtivo (de conhecimento e de recursos), deixando a posição de "mero instrumental" para ser um espaço privilegiado de circulação de informações, de relacionamento entre pessoas e o acesso ao conhecimento, bem como, um novo e significativamente abrangente meio de comunicação, fato este que implicou até no surgimento de novas categorias de empresas (virtuais) e de um índice mercadológico específico para aferir sua valorização e realizar suas negociações,o NASDAQ, além de muitas empresas abrirem seu capital nas bolsas de valores convencionais como fora o caso dos "gigantes da internet" Google, Facebook, Yahoo, entre outros.

Enem 2011 - Prova Azul - Q16 - Gabarito: C

Estamos testemunhando o reverso da tendência histórica da assalariação do trabalho e socialização 
da produção, que foi característica predominante na era industrial. A nova organização social e 
econômica baseada nas tecnologias da informação visa à administração descentralizadora, ao trabalho individualizante e aos mercados personalizados. As novas tecnologias da informação possibilitam, ao mesmo tempo, a descentralização das tarefas e sua coordenação em uma rede interativa de comunicação em tempo real, seja entre continentes, seja entre os andares de um mesmo edifício.
                    CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2006 (adaptado).

No contexto descrito, as sociedades vivenciam mudanças constantes nas ferramentas de comunicação que afetam os processos produtivos nas empresas. Na esfera do trabalho, tais mudanças têm provocado 

A) o aprofundamento dos vínculos dos operários com as linhas de montagem sob influência dos modelos orientais de gestão.
B) o aumento das formas de teletrabalho como solução de larga escala para o problema do desemprego crônico.
C) respostas às demandas por inovação e com vistas à mobilidade dos investimentos.
D) a autonomização crescente das máquinas e computadores em substituição ao trabalho dos especialistas técnicos e gestores.
E) o fortalecimento do diálogo entre operários, gerentes, executivos e clientes com a garantia de 
harmonização das relações de trabalho.


Através de um fragmento de texto, a questão apresenta o processo de transformação das relações de produção e trabalho dentro do que entendemos por 3a Revolução Industrial, onde a tecnologia de informação alterou as rotinas de trabalho, as dinâmicas funcionais nas empresas e a atuação dentro do próprio mercado de trabalho, especialmente por novas possibilidades como conferências on line, possibilidade de trabalho em casa a partir de tarefas e metas a cumprir, bem como a multiplicação de produtos relacionados às práticas comerciais, serviços, circulação de informação e de produção de conteúdos destinados a atender  novas demandas para os sistemas de comunicação, educação e informação.

A alternativa A fala em "aprofundamento dos vínculos entre operários com as linhas de montagem ", enquanto o texto fala em "indiviualização" e "gestão descentralizadora" , fazendo com que as ideias do enunciando estejam contrárias às da alternativa, o que a torna errada. Vale destacar que o "modelo oriental de gestão" citado é o toyotismo, inspirado da montadora de automóveis Toyota que, a partir dos anos de 1970, reduziu sua produção, não trabalhando mais com a acumulação de carros em grandes pátios, tal qual um estoque, e sim pelo sistema de demanda: a produção aumenta quando a demanda aumenta e se houver redução da demanda, o mesmo ocorrerá com a produção. Este método de produção também é chamado de on demande.

Na alternativa B, o desemprego é citado como um problema e a sua solução seria a implementação do aumento de formas de "teletrabalho", mas sabemos que a informatização tende a reduzir o número de empregados necessários e mesmo que alguns setores necessitem de muitos funcionários, a rotatividade é grande e o próprio mercado tem suas limitações, tornando assim, a alternativa errada.

A alternativa C é a que melhor se relaciona com o fragmento de texto e o processo de mudança das relações de produção que orientam a pergunta, pois se a informática deixou de ser simples ferramenta e se tornou um setor que "respira" inovação, buscando manter seus clientes, tendo que investir de modo constante na geração de produtos, rastreando as novas tendências e verificando a capacidade de retorno perante os clientes.

Na alternativa D, encontra-se errada, pois dá a entender que as máquinas estariam "assumindo" o lugar dos homens no controle da gestão e administração, uma visão bem possível na ficção científica e não no atual momento do capitalismo que vivemos.

Na alternativa E, fala-se do "fortalecimento do diálogo entre operários, gerentes e executivos" e "harmonização das relações de trabalho", enquanto o texto fala na mudança das relações, da individualização e descentralização das tarefas, não citando nada de "operariado" ou "harmonização das relações de trabalho" e assim, esta alternativa torna-se errada.