As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de julho

terça-feira, 19 de maio de 2015

O surgimento do mundo medieval

Uma ideia muito importante a ser compreendida é que a formação da Europa Medieval e das estruturas feudais não se fez de um momento para outro. Ela ocorreu num processo gradativo de transformação a partir da decadência do Império Romano e da somatória de elementos exteriores ao império que favoreceram a sua queda e consequente modificação.


Este período de quase mil anos pode ser entendido como um processo de três fases distintas: a germinação das estruturas feudais entre os séculos V e VIII; o apogeu do feudalismo nos séculos IX a XI e, por fim, sua decadência entre os séculos XII e XV. Além disso, deve-se considerar que o feudalismo teve como elementos formadores os fatores internos (a crise do Império Romano) e fatores externos (as invasões dos povos germânicos).



O estudo de Idade Média nada mais é do que exercício de reflexão sobre o processo de  formação das futuras nações europeias após a desagregação do Império Romano do Ocidente. O nome Idade Média carrega em si uma série de preconceitos, o que pode levar o estudante menos atento a pensar este período como uma fase de ignorância, atraso, ausência de desenvolvimento e assim, usar a velha e superada expressão "Idade das Trevas". É importante tomar cuidado para não assimilar essa visão, pois há mais de 40 anos que os medievalistas tem mostrado que o período foi exatamente o contrário.

Este termo, “medieval”, criado pelos renascentistas, deve ser visto apenas como o período histórico europeu compreendido entre os séculos V e XV. Para facilitar o estudo – e tão somente isso - os historiadores criaram arbitrariamente a seguinte divisão: Alta Idade Média (do século V ao X) e Baixa Idade Média (que se estendeu até o século XV).
As características básicas da Alta Idade Média Ocidental foram a formação e a desagregação dos reinos bárbaros e o desenvolvimento do feudalismo, como veremos a seguir. Foi assim que surgiram os reinos bárbaros.

IMPÉRIO BIZANTINO 

Com a decadência do Império Romano do Ocidente, Constantinopla permaneceu como último reduto da cultura romana. Construída sobre a colônia grega chamada de Bizâncio, localizada em uma posição estratégica, entre a Ásia e a Europa, próxima aos estreitos de Bósforo e Dardanelos, essa cidade dominava as rotas marítimas entre o Mar Egeu e o Mar Negro, bem como as rotas terrestres daquela região. Foi esse conjunto de fatores que incentivou o imperador romano Constantino a reforma-la em 330, rebatizando-a e depois, no reinado depois no final do reinado de Teodósio, se tornou a capital do Império Oriental: “a Roma do Oriente”.
A proximidade com a Grécia fez que Constantinopla recebesse forte influência da cultura helenística, tornando o grego sua segunda língua. Ao longo dos séculos V e VI, a cidade foi um movimentado entreposto comercial de lã, linho, seda, objetos de cobre, ouro e prata vindos da África, Pérsia, China e Índia, conferindo a Constantinopla o cognome de “Porta do Oriente”.
As principais atividades econômicas eram: comércio, devido à localização geográfica, ponto de convergência de várias rotas de comércio e agricultura, praticada com o trabalho escravo, mas também com a produção de pequenos proprietários livres. Apesar de existir a possibilidade de tais atividades serem desenvolvidas por particulares, toda a economia era fortemente controlada pelo Estado, dando a esse setor uma característica marcadamente intervencionista.

Justiniano (acima) e sua imperatriz Teodora (abaixo)

Sob o governo de Justiniano (527-565), o Império Bizantino viveu a sua fase mais grandiosa. Ele estabeleceu a paz com o Império Persa e procurou reconstruir o antigo Império Romano do Ocidente, retomando as terras que estavam nas mãos dos bárbaros germânicos.
No plano interno, Justiniano mandou construir hospitais, novos muros para aumentar a segurança da cidade, e numerosas igrejas, dentre as quais se destaca Hagia Sophia, que significa Divina Sabedoria em grego, uma das  marcas da arquitetura e da arte bizantina.
Outras questões, estas de caráter religioso, movimentaram a população bizantina, que se envolvia em profundos debates entre os membros do clero oriental. As mais famosas foram o monofosismo (crença apenas na natureza divina de Cristo, negando sua natureza humana) que foi combatida e definitivamente negada com o concílio de Calcedônia em 451, quando foi estabelecido que Jesus é detentor das duas naturezas (divina e humana) e a questão iconoclasta, que abertamente defendia a destruição de imagens, provocando vários conflitos que destruíram templos e também provocaram muitas mortes e somente no II Concílio de Nicéia em 787 a resolução definitiva foi tomada: as imagens seriam utilizadas em caráter pedagógico e doutrinal, assumindo a dimensão de “Bíblia dos Pobres”, pois o importante é a mensagem que trazem e não o objeto religioso em si, mas isso não evitou que muitos fiéis se comportassem como idólatras ou preservassem superstições que vinham das tradições pagãs.



Por ordem de Justiniano, os juristas bizantinos compilaram a legislação romana, bem como toda a jurisprudência dos seus tribunais em uma obra que ficou conhecida como Corpus Juris Civilis (Corpo do Direito Civil) ou Código Justiniano.
Com o crescimento do cristianismo, as igrejas das grandes cidades passaram a organizar-se em torno de um padre denominado Bispo. Com o passar do tempo, estes bispos começaram a estender seu poder muito além dos limites de suas cidades, rivalizando-se. Por volta do século V, os bispos de Jerusalém, Alexandria, Antioquia, Constantinopla e Roma firmaram-se como os mais poderosos entre os cristãos.
Justiniano foi a tentativa de reconquistar o Império do Ocidente, recuperando o litoral do norte da África, a península Itálica e a porção sul da península Ibérica. Justiniano também conseguiu conter os ataques na porção oriental do império, principalmente, dos persas sassânidas e dos búlgaros nos Balcãs. A sustentação deste império, no entanto, foi mantida através de um grande exército e de uma extensa burocracia, sendo ambos sustentados pelos inúmeros impostos pagos pela população.

Mapa de Constantinopla


Por volta do século VII, com o advento do Império Islâmico, as cidades de Jerusalém, Alexandria e Antioquia foram dominadas pelos muçulmanos. O mundo cristão viu-se ameaçado e, como campos sólidos dessa religião, restaram tão somente os bispos de Constantinopla e Roma. Entretanto, a figura do papa incomodava os imperadores bizantinos, que se sentiam coagidos pelo líder cristão. Crescia, então, a força do cesaropapismo, ou seja, a submissão da Igreja ao Estado.
As divergências teológicas e doutrinais, a influência da cultura grega e a pressão exercida pelo poder imperial bizantino prolongaram os conflitos entre Roma e Constantinopla, os quais continuaram até 1054, quando ocorreu o Cisma do Oriente, que acabou dividindo o cristianismo da seguinte forma:
- Igreja Católica Apostólica Romana - sob a hegemonia do Bispo de Roma, que assumiu os títulos de Papa e Sumo Pontífice, dominando a Europa Ocidental.
- Igreja Católica Apostólica Ortodoxa  - sob a hegemonia do Bispo de Constantinopla, que assumiu o título de Patriarca , porém era claramente sem autonomia e submisso ao imperador.

Os muros da cidade garantiram a paz e a prosperidade durante um longo período. Mas os sucessores de Justiniano sequer tentaram assemelhar-se ao grande imperador, permitindo avanços de povos estrangeiros. Os muçulmanos conquistaram grande parte dos territórios pertencentes ao Império Romano do Oriente, até sua queda definitiva em 1453, quando Constantinopla foi invadida pelos turcos otomanos.

Nessa oportunidade, vários estudiosos da cultura clássica (greco-romana) abandonaram a capital bizantina. Muitos deles dirigiram-se para o Ocidente, na busca de refúgio. Um dos locais escolhidos foi a Península Itálica, onde a cultura da Antiguidade seria revigorada e relida, séculos depois, no processo conhecido como Renascimento.
Sob domínio muçulmano, a cidade de Constantinopla passou a chamar-se Istambul, sendo a capital do Império Otomano até 1922, quando o sultão Mehmed VI foi deposto e se estabeleceu o regime republicano, surgindo assim, a República da Turquia, liderada por Mustafá Kemal(1923-38), que ficara conhecido como Atatürk, "o pai dos turcos"

domingo, 17 de maio de 2015

Resenha crítica – “Uma história de amor e fúria”

“Uma história de amor e fúria” Direção: Luiz Bolognesi, 2013

“Viver sem conhecer o passado é como andar no escuro”. Esta fala concisa e contundente do personagem Abeguar é um bálsamo para qualquer historiador.
Luiz Bolognesi, buscou mostrar numa animação 100% nacional que é possível romper com os padrões hollywoodianos e historiográficos, cedendo espaço para os heróis que morreram “sem virar estátua” na luta contra aqueles “que viraram”.



Numa narrativa cíclica, os quatro episódios amarram a História e uma fantasia futurista, expondo a dimensão das lutas e tensões que marcam nossa existência, que mais uma vez podem ser sintetizados noutra fala de Abeguar: “Todo dia, mesmo sem saber, estamos lutando por alguma coisa”.
Abeguar é um guerreiro Tupinambá, escolhido pelo deus Munhã para liderar seu povo, sem desistir, contra o maligno Anhagá. Nesse longo combate de séculos, o herói tem a companhia de Janaína, e justamente é o amor sentido por ela que o move na luta e na busca por reencontrá-la ao longo do tempo.

A mitologia indígena forma o pano de fundo para a compreensão do herói Abeguar e sua missão, fazendo valer a oposição Bem versus Mal, a transformação em pássaro(o voo pode ser visto como símbolo da liberdade ou mesmo da busca das utopias) e a transformação ao longo da narrativa: guerreiro indígena, negro alforriado e branco, mas sempre, na luta contra o Mal e sua opressão.
Falar do início da colonização, acompanhada de massacres, extração de riquezas e escravidão no Rio de Janeiro em 1556; citar a Balaiada (1838-41)no período Regencial sob o olhar dos rebelados, retirando a visão enaltecedora de Caxias e por fim, apresentar o lado obscuro da ditadura em 1968, tendo os estudantes e guerrilheiros como seus contestadores promove uma reflexão positiva de como se constrói o discurso histórico, fazendo jus a frase inicial que enaltece a importância da História no exercício da cidadania.

Na parte final, que se trata de uma fantasia futurista(2096), a projeção não poderia ser melhor: o Brasil sendo uma república corrupta e desigual, onde a água se tornou artigo de luxo, a exclusão social se agravou e a “segurança” estaria nas mãos de “milícias particulares”. O interesse público solapado pelo privado.
Para contestar a ordem, mais uma vez, aparece uma organização guerrilheira e nisso Abeguar e Janaína estão juntos novamente encarnando a luta pela justiça social.

Longe de uma visão maniqueísta, a reflexão sugerida por Bolognesi dá margem para várias discussões, como por exemplo, a figura de Janaína foge ao estereótipo sexista ainda dominante na TV e Cinema, pois ela sempre é colocada em posição de igualdade na luta ao lado de Abeguar.

A seriedade dos assuntos tratados quebra o ainda presente “senso comum” de que as animações são coisas infantis. Fruto de muita pesquisa e criatividade, “uma história de amor e fúria” rendeu condições para que pudéssemos voar mais alto: pensar num Brasil e uma sociedade melhor e mais justa para todos, independentemente de renda, crença, gênero ou qualquer outra forma de distinção, exclusão ou preconceito.


Um caminho para isso? Conhecer e refletir melhor sobre nossa História. Sempre!


terça-feira, 12 de maio de 2015

13 de maio - Abolição da escravidão: o fim de quatro séculos de um vergonhoso comércio

É importante destacar que os principais beneficiados com a independência foram os grandes proprietários rurais e a Inglaterra. Esta última apoiava as independências das colônias ibéricas como mecanismo mais eficaz para eliminar o pacto colonial e ver, assim, a expansão de seus mercados consumidores.

Os grandes proprietários rurais só apoiaram o rompimento total com Portugal a partir do momento em que os portugueses procuraram anular as medidas tomadas por Dom João VI em sua estada no Brasil. A elite rural desejava um sistema de governo autônomo, com alguns traços de liberalismo, mas não efetivou o rompimento da estrutura colonial, mantendo a escravidão, o latifúndio e a monocultura voltada para exportação.

Os ingleses ainda conseguiram que Portugal reconhecesse a independência brasileira em 1825, mas, para isso, foi necessário cumprir uma série de exigências dos lusos, como o pagamento de uma indenização de dois milhões de libras esterlinas e a concessão do título de imperador honorário do Brasil para Dom João VI, através do Tratado de Paz e Aliança.
Graças à sua ação mediadora, a Inglaterra obteve importantes vantagens comerciais com o Brasil. Em 1827, foram reafirmados os Tratados de 1810, retificando-se as tarifas alfandegárias. O governo brasileiro comprometeu-se, também, a extinguir o tráfico negreiro até 1830, mas tal medida não foi cumprida, uma vez que nossa economia era muito dependente da escravidão.
Foi daí que surgiu a expressão "para inglês ver"!

As cicatrizes do açoite


Em 1844, o Ministro da Fazenda, Manuel Alves Branco, tentou corrigir décadas de defasagem na política aduaneira, elevando as tarifas alfandegárias dos produtos ingleses em até 30 % para mercadorias sem similares nacionais e 60% em caso contrário, revogando, assim, a condição de nação mais favorecida que a Inglaterra desfrutava desde 1810.

Por outro lado, a Inglaterra, em plena Revolução Industrial, pressionava todas as nações do mundo para que abolissem o tráfico de escravos. No Brasil, a pressão inglesa chocava-se com os interesses dos grandes proprietários escravocratas e dos comerciantes de escravos, que possuíam representação no governo e no Legislativo e, dessa forma, fizeram valer seu poder, e, por um bom tempo, as pressões inglesas foram ignoradas, mas os ingleses dispunham de um poder militar muito maior e através das armas defenderam o “Bill Aberdeen”, um ato aprovado pelo Parlamento Britânico em 1847, influenciado pelo ministro das Relações Exteriores Lord Aberdeen, que dava o direito da marinha britânica atacar e apreender navios negreiros, bem como aprisionar a tripulação, julgar os envolvidos em tribunais britânicos.

Em meados do século XIX, começaram a ser aprovadas as primeiras leis antiescravistas. Em 1850, foi decretada a Lei Eusébio de Queiroz, que extinguia o tráfico negreiro para o nosso país. Para muitos fazendeiros, a solução mais comum depois do fim do tráfico foi a compra de escravos do Nordeste.
Em 1871, o ministro Visconde do Rio Branco sugeriu e viu a aprovação pela Assembleia da chamada Lei do Ventre Livre, estabelecendo que, a partir de maio daquele ano, todos os filhos de escravos seriam considerados livres. Os proprietários seriam tutores das crianças até os 7 anos de idade, quando elas deveriam ser entregues à responsabilidade do Estado. Em troca, os fazendeiros teriam direito a uma indenização de 600 mil-réis ou, então, poderiam utilizar o trabalho do “libertado” até os 21 anos. Tal lei previa uma libertação gradual, o que permitiria aos escravocratas adaptarem-se à nova realidade.
Em 1879, a campanha abolicionista chegou ao auge, e o grupo partidário da libertação dos escravos já apresentava duas tendências. A primeira, moderada, defendia o fim do escravismo por meio de leis e tinha como principais representantes José do Patrocínio, Joaquim Nabuco e Jerônimo Sodré. A segunda, um pouco mais radical, pregava que a abolição deveria ser conquistada pelos próprios escravos, estimulando as revoltas destes. Seus defensores mais destacados foram Raul Pompéia, André Rebouças, Luís Gama e Antônio Bento - este último era um juiz municipal que ficou famoso por dar pareceres que sempre favoreciam os escravos contra seus senhores.

Joaquim Nabuco
José do Patrocínio


As campanhas concentravam-se nas cidades, em comícios, festas beneficentes, quermesses e conferências. Havia jornais e clubes antiescravistas. Os ferroviários de São Paulo chegaram a arrecadar dinheiro para comprar a alforria dos escravos. Em Fortaleza, houve casos de tipógrafos que se recusaram a imprimir textos que defendessem a escravidão.
Em meio a tantas agitações populares, os ministros José Antônio Saraiva e Barão de Cotegipe apresentaram, em 1885, a Lei dos Sexagenários (ou Lei Saraiva-Cotegipe), que estabelecia que os escravos ganhariam a liberdade ao completarem 60 anos, mas trabalhariam até os 65 como forma de indenizar os fazendeiros. As reações a essa lei foram péssimas, tanto que surgiu a expressão “gargalhada nacional”, uma vez que eram poucos os escravos que chegavam à tal idade – e os que chegavam não conseguiriam encontrar ocupação para sobreviver se fossem libertados.

Enquanto isso, em 1887, num documento assinado pelo Marechal Osório, então presidente do Clube Militar, o Exército declarava que não mais cumpriria a função de capitão-do-mato, ou seja, não mais perseguiria escravos fugitivos. O final da escravidão era inevitável.
No começo de 1888, os deputados votaram o fim do trabalho escravo e a proposta, que foi enviada pelo ministro liberal, João Alfredo Correia de Oliveira, foi aprovada com 92 votos a favor e 9 contra. Em 13 de maio do mesmo ano, a Princesa Isabel, que ocupava a posição de Regente em virtude da ausência de Dom Pedro II, durante uma viagem do imperador pela Europa para tratamento de saúde, assinou a Lei Áurea, ratificando a extinção da escravidão no Brasil.

A Princesa Isabel era muito próxima da causa abolicionista, tendo constante interlocução com José do Patrocínio e Joaquim Nabuco, além de fazer com que os escravos que trabalhavam nas propriedades da Família Imperial fossem alforriados, desse modo, com a sanção da Lei Áurea passou a ser chamada de "A Redentora". Uma vitória importante para o movimento abolicionista, que contava com o apoio de Isabel, mas deve-se entender que a Abolição estava sendo discutida no Parlamento e contou com o apoio de Isabel para o seu fim e portanto, não foi uma ação isolada e pessoal dela, mas fruto de um contexto, que inclusive, contava com o aval do pai, D. Pedro II.

Princesa Isabel, herdeira do trono Imperial


Cabe ressaltar que, não houve nenhum plano de governo que garantisse a absorção do negro ao mercado de trabalho, o que dificultou muitíssimo a integração dos ex-escravos à sociedade, originando as tão conhecidas formas camufladas de discriminação e marginalização, das quais se encontram resquícios até hoje no Brasil.

Os cafeicultores do Vale do Paraíba, em sua maioria escravistas, esperavam receber uma indenização pelos escravos que perderiam e, como essa indenização não foi acessível à grande maioria, boa parte deles ingressou no Partido Republicano, ficando conhecidos como “republicanos do 13 de maio”.
O governo do Império tinha perdido suas bases econômicas, militares e sociais. Porém, as ideias republicanas não tinham grande penetração popular, mesmo às vésperas da queda da monarquia. O povo estava descrente do regime, mas não havia uma crença generalizada de que a República seria a solução para os problemas do País, sendo que o golpe de Estado republicano se deu 18 meses depois da Abolição.

Grafite de Bruno Perê (2011), junto aos muros da Marginal Pinheiros em São Paulo

Grafitada nos muros de São Paulo, nos remete a um retrato da realidade cruel do nosso passado escravista: o "tumbeiro".
Ainda hoje, com esta provocação que relê o navio negreiro, apontando a ironia de nossas vidas: somos livres, mas passamos muitas horas nos deslocando pela cidade, tendo um transporte coletivo caro e de baixa qualidade (ônibus, metrô ou trem).Por outro lado, as vias (ruas, avenidas e pistas) ocupadas por carros guiados por motoristas solitários que se endividam em tortuosos financiamentos para demorarem no seu deslocamento também, mas confortavelmente sentados, perdendo também preciosos momentos de suas vidas.

Sugestões do Gabinete:

Poema "Navio Negreiro" de Castro Alves(1869) na leitura de Paulo Autran

"Amistad". Direção de Steven Spielberg, 1997, 152 min. : 
Costa de Cuba, 1839. Dezenas de escravos negros se libertam das correntes e assumem o comando do navio negreiro La Amistad. Eles sonham retornar para a África, mas desconhecem navegação e se vêem obrigados a confiar em dois tripulantes sobreviventes, que os enganam e fazem com que, após dois meses, sejam capturados por um navio americano, quando desordenadamente navegaram até a costa de Connecticut. Os africanos são inicialmente julgados pelo assassinato da tripulação, mas o caso toma vulto e o presidente americano Martin Van Buren (Nigel Hawthorn), que sonha ser reeleito, tenta a condenação dos escravos, pois agradaria aos estados do sul e também fortaleceria os laços com a Espanha, pois sua jovem Rainha Isabella II (Anna Paquin) alega que tanto os escravos quanto o navio são seus e devem ser devolvidos. 


Trecho da minisserie "Raízes" (1977), inspirada no livro de Alex Havey, o qual conta a história de seu ancestral Kunta Kinte na América inglesa do século XVIII.