As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de agosto

terça-feira, 31 de julho de 2012

MASP recebe obras do italiano Caravaggio que saem da Itália pela primeira vez



  • Fonte: Portal UOL Mariana Pasini
    Do UOL, em São Paulo

    "Medusa Murtola", de Caravaggio, apenas recentemente teve sua autoria comprovada
    "Medusa Murtola", de Caravaggio, apenas recentemente teve sua autoria comprovada
Apreciar ao vivo uma pintura do mestre italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571–1610) não é uma das tarefas mais fáceis. No mundo há apenas cerca de 66 obras unanimemente reconhecidas com a autoria do italiano e a maioria pertence a igrejas, de onde quase nunca saem para compor exposições internacionais. Quando compõem o acervo de museus, é raríssimo conseguir um empréstimo.
Esses são apenas alguns dos motivos que tornam imperdível a mostra “Caravaggio e seus seguidores”, em cartaz no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) a partir da quarta (1º) até 30 de setembro. Segundo o curador Fábio Magalhães, foram necessários três anos para organizar a mostra, que conta com obras de coleções particulares e dos museus Galleria Borghese, Palazzo Barberini (ambos de Roma) e Galleria degli Uffizi (Florença).

Os ‘caravaggescos’ [pintores influenciados por Caravaggio] não ficam mal na exposição. São obras muito boas e de grandes artistas
Fábio Magalhães, curador da mostra no Brasil. Na foto, obra da pintora Artemisia Gentileschi, uma das seguidoras
Dessa vez são sete os trabalhos de Caravaggio, entre os atribuídos e os reconhecidos, que poderão ser conferidos pelo público – muito diferente das mostras dedicadas ao italiano no Brasil que, em 1989 e 1954, traziam, respectivamente, duas e três pinturas.
A exposição é dividida em três partes: trabalhos definitivamente reconhecidos como sendo do italiano, pinturas cuja autoria apenas recentemente foi comprovada e “obras-problema”, cujo autor ainda não foi definido e permanece em discussão. “São Francisco em meditação”, “São Jerônimo que escreve” e “Retrato do Cardeal” compõem a primeira parte. “Medusa Murtola”, pela primeira vez no Brasil (assim como o "Retrato"), é uma descoberta recente. Já “São João Batista que alimenta o Cordeiro”, "São Januário degolado ou Santo Agapito" e uma cópia de "São Francisco em meditação" estão no último grupo.
“O que essa mostra tem de interessante é toda essa questão atributiva”, explica Magalhães. O curador aponta que houve uma grande reviravolta nos últimos anos por conta dos novos meios tecnológicos para se comprovar a autoria do italiano, como a análise dos fios das telas, o que permitiu descobertas.

Caravaggio trabalha com o drama humano diante da existência e a fragilidade da vida, o erotismo e a carnalidade, além do poder sobre as pessoas exercido pela violência

A cópia de “São Francisco em Meditação”, feita na época em que a original foi pintada, será exposta logo ao seu lado para que o público possa compará-la. Segundo Magalhães, a reprodução é tão extraordinária que existe a possibilidade de ter sido pintada pelo próprio Caravaggio, já que era comum entre os pintores da época copiar seus próprios quadros, o que a coloca entre as "obras-problema". Uma reprodução da obra "Os Trapaceiros" também figura na mostra, mas definitivamente não é da autoria do italiano segundo o curador.
Fábio Magalhães, curador no Brasil de "Caravaggio e seus seguidores"
Os caravaggescos
Além das pinturas do italiano, 14 das que compõem a exposição são dos chamados “caravaggescos”, pintores que foram influenciados pelo mestre italiano.
Eles estão divididos entre primeira geração, que conviveu com o pintor, e a seguinte, que foi influenciada por ele, mas após sua morte. Magalhães garante que eles também ganham destaque na mostra. “Os ‘caravaggescos’ não ficam muito mal na exposição, são obras muito boas e de grandes artistas.” A “Madalena desmaiada”, da italiana Artemisia Gentileschi, é uma das pinturas de maior destaque.
Temas contemporâneos e comportamento explosivo
Expoente do barroco, as obras do italiano são carregadas de drama e feitas com a técnica do “chiaroscuro”, ou “claro-escuro”, que destaca o tema representado em primeiro plano com um feixe de luz em contraste com um fundo escuro. O pintor também é conhecido pelo temperamento explosivo, o que o levou a uma série de brigas e fugas de diversas cidades, inclusive Roma, onde foi lançado um prêmio pela sua cabeça.
Para Magalhães, Caravaggio influenciou a arte de maneira definitiva não só pela sua técnica realista, mas também pela escolha de temas. “O artista trabalha com o drama humano diante da existência e a fragilidade da vida, o erotismo e a carnalidade, além de um dos mais contemporâneos, que é o poder sobre as pessoas exercido pela violência”, enumera.
"Caravaggio e seus seguidores" ficou em cartaz em Belo Horizonte entre 22 de maio e 22 de julho, onde recebeu cerca de 86 mil pessoas. De São Paulo, a exposição parte para Buenos Aires.
Serviço
Caravaggio e seus seguidores
Quando:
 1º de agosto a 30 de setembro (abertura ao público em 2 de agosto); de terças a domingos e feriados, das 11h às 18h; às quintas, das 11h às 20h.
Onde: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) - Av. Paulista, 1578
Quanto: R$ 15 (inteira) e R$ 7 (meia). A bilheteria fecha meia hora antes. Às terças, acesso gratuito.
Mais informações: www.masp.art.br/masp2010



terça-feira, 24 de julho de 2012

Na Itália, arqueólogos desenterram ossada que pode ser da 'Mona Lisa'

24/07/2012 13h16- Atualizado em 24/07/2012 Fonte: Portal G1

Pesquisadores submeterão restos mortais a testes de confirmação.
Esqueleto achado em convento na quarta (17) pode ser de Lisa Gherardini.


Uma equipe de arqueólogos italianos desenterrou nesta terça-feira (24) em um convento abandonado de Florença, na Itália, um esqueleto muito bem conservado que pode ser de La Gioconda, a mulher do sorriso misterioso que Leonardo Da Vinci imortalizou no célebre quadro da "Mona Lisa".

Até agora foram descobertos vários corpos na busca pelos restos mortais de Lisa Gherardini, a nobre florentina que pode ter sido o modelo do retrato que Da Vinci pintou entre 1503 e 1506. Segundo Silvano Vinceti, diretor da equipe de arqueólogos, este esqueleto em particular é muito promissor, mas ainda será preciso fazer testes pra comprovar sua identidade.

"Creio que chegamos à parte realmente emocionante para os investigadores, a conclusão de nosso trabalho no qual nos aproximamos da pergunta-chave: encontraremos ou não os restos de Lisa Gherardini?", afirmou Vinceti, especialista na solução de mistérios da História da Arte.

Esqueleto encontrado no último dia 17 de julho em convento de Florença, na Itália, que pode ser da suposta modelo que posou para Leonardo da Vinci durante a produção da Mona Lisa. (Foto: Andreas Solaro/AFP)

Esqueleto encontrado no último dia 17 de julho em convento de Florença, na Itália, que pode ser da suposta modelo que posou para Leonardo da Vinci durante a produção da Mona Lisa. (Foto: Andreas Solaro/AFP)

Os arqueólogos começaram a cavar no ano passado, quando novos documentos confirmaram que Gherardini, a esposa de um rico negociante de seda florentino chamado Francesco del Giocondo, viveu no convento depois da morte de seu marido, onde suas duas filhas freiras cuidaram dele e onde, em seguida, ela foi enterrada.

Acredita-se que Del Giocondo encomendou o retrato a Da Vinci e, apesar de não existirem provas tangíveis, a maioria dos historiadores está de acordo que Lisa Gherardini serviu de modelo para o retrato que hoje pode ser admirado no Louvre de Paris.

'Monalisa', um dos quadros mais famosos de Leonardo da Vinci (Foto: Reprodução/Wikicommons)
'Monalisa', um dos quadros mais famosos de
Leonardo da Vinci (Foto: Reprodução/Wikicommons)

Reconstituição do rosto

Os pesquisadores submeterão agora os restos do esqueleto conservado a uma série de testes para confirmar se pertencem a Gherardini, na esperança de reconstruir seu rosto e compará-lo com os traços faciais da pintura de Da Vinci.

"Os testes com carbono-14 nos permitem datar o período para saber se os restos são de meados do século XVI. Depois faremos testes para conhecer a idade da pessoa quando morreu. Sabemos que Gherardini tinha 62 ou 63 anos quando morreu", afirmou Vinceti.

"Depois vem o teste mais importante, o do DNA, porque temos os restos mortais de suas filhas. Se corresponderem, saberemos que são os restos da modelo que inspirou a Mona Lisa", acrescentou o arqueólogo, que também preside o Comitê Nacional Italiano para o Legado Cultural.

Se for confirmada a identidade do esqueleto, os investigadores iniciarão um processo de dois meses para reconstruir o rosto.

"Os traços fundamentais serão claramente visíveis. Já tentamos com Dante Alighieri, quando reconstruímos seu rosto. Seremos capazes de deixar para trás as hipóteses e comparar realmente o rosto reconstituído da musa que inspirou o artista", explica o especialista.

A identidade da Mona Lisa e de seu enigmático sorriso são um dos grandes mistérios da História da Arte e os arqueólogos da equipe italiana asseguram que é emocionante estar tão perto de desvendá-lo.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Físicos encontram provável 'partícula de Deus'

FONTE: Folha de São Paulo - Caderno Ciência - 04/07/2012
SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


Após anos de espera, imprevistos, problemas técnicos e muito suor, os físicos do LHC (Grande Colisor de Hádrons), maior acelerador de partículas do mundo, anunciaram a descoberta de uma nova partícula. E eles acreditam que seja o famoso bóson de Higgs.



Caso isso seja confirmado, será o coroamento da teoria científica mais bem-sucedida de todos os tempos --o chamado Modelo Padrão, que explica como se comportam todos os componentes e forças existentes na natureza, salvo a gravidade (explicada pela relatividade geral).
Contudo, cabe atenção para a formulação cuidadosa das afirmações dos pesquisadores.

Em seu último relatório, no fim do ano passado, eles já sugeriam ter encontrado algo, mas não descartavam um alarme falso.


Agora, eles já cravam categoricamente a existência da nova partícula. Só não admitem com todas as letras que se trata da almejada "partícula de Deus".


"Apesar de os eventos [de colisões de partículas no acelerador] sugerirem que estejamos diante do bóson de Higgs, a confirmação de que se trata realmente da partícula predita requer mais medidas comparativas", afirma Sérgio Novaes, físico da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e membro da Colaboração CMS, um dos dois experimentos do LHC que servem de base para o anúncio.


Ossos do ofício, num esforço que envolve análise de dados de milhões de colisões de partículas para que, estatisticamente, seja possível chegar a alguma conclusão definitiva.
De toda forma, o novo achado dá toda pinta de que se trata mesmo do almejado bóson.





Entre os convidados no auditório estava ninguém menos que o escocês Peter Higgs, 83 anos, físico que propôs (simultaneamente a outros) na década de 1960 um mecanismo de como as partículas adquirem sua massa e, com isso, emprestou seu nome ao famoso bóson.

Claramente emocionado, com os olhos marejados, Higgs disse aos colegas: "É incrível que isso tenha acontecido durante a minha vida".
Higgs reconheceu o mérito do LHC, um acelerador de partículas de 27 quilômetros, construído de forma circular e subterrânea na região da fronteira franco-suíça.
Em nota, o cientista acrescentou: "Nunca esperei que isso fosse acontecer na minha vida, e devo pedir à minha família para colocar champanhe na geladeira."


SEM ERRO

Os cientistas descartam a essa altura que alguma flutuação estatística seja responsável pelo achado.
A probabilidade de não ser uma nova partícula, e sim algum engano, é de menos de 1 em 1,7 milhão. Cometer um erro desses é tão improvável quanto ganhar na loteria.
Ainda mais porque o resultado é confirmado pela combinação de dois experimentos do LHC Atlas e CMS e está alinhado com os dados obtidos pelo Fermilab, nos Estados Unidos, com seu antigo acelerador Tevatron, hoje desativado.

CONCORRÊNCIA

Na segunda-feira, os americanos chegaram a divulgar suas últimas análises dos velhos dados, que mostravam a indicação de uma partícula com as características do bóson de Higgs e uma energia entre 115 e 135 giga-elétronvolts (GeV), com 90% de confiança.
Entretanto, ainda estava longe do grau de exigência da comunidade para tratar o resultado como uma descoberta.

O físico escocês Peter Higgs, que propôs um mecanismo de como as partículas adquirem sua massa
O físico escocês Peter Higgs, que propôs um mecanismo de como as partículas adquirem sua massa


Somente agora, com os resultados do LHC é possível cravar a existência da nova partícula, com energia de 125 GeV.

FIM OU RECOMEÇO?


A descoberta do Higgs há anos é apresentada como a principal motivação para a construção do LHC. Agora que a partícula provavelmente foi encontrada, pode ficar para o público uma sensação de vazio. Mas o sentimento não é compartilhado pelos físicos.

"Em primeiro lugar, há um equívoco em associar o LHC só ao bóson de Higgs", afirma Ronald Shellard, físico de partículas do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e vice-presidente da SBF (Sociedade Brasileira de Física).

"Todos concordamos que o bóson de Higgs não vale US$ 10 bilhões. Essa máquina, o LHC, foi concebida para explorar o Universo além do Modelo Padrão. A descoberta do Higgs coroa o maior feito intelectual da história da humanidade até agora, uma teoria que explica uma infinidade de fenômenos naturais", disse. "Mas, para o LHC, ela é apenas o começo."