As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de outubro

sábado, 30 de junho de 2012

Acordo de conferência para paz na Síria deixa em aberto permanência de Assad

Fonte: Portal iG 30/06/2012

Reunidos em uma conferência em Genebra, membros da comunidade internacional alcançaram neste sábado um acordo para pôr fim à violência e levar a paz à Síria, mas deixaram em aberto se o presidente Bashar al-Assad poderia fazer parte do governo de transição.
Encontro em Genebra: Pessimismo domina reunião de Annan para discutir paz na Síria

AP
Kofi Annan, enviado especial para a Síria (C), conversa com secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (E), e chanceler russo, Sergei Lavrov

Anti-Assad: Opositores da Síria denunciam dia mais mortal desde início de levante
O enviado da ONU para a Síria, Kofi Annan, disse que a conferência internacional concordou que seja formado um governo de transição para o país. Segundo ele, a nova administração deve ter "poderes executivos totais" e ter integrantes da oposição e do atual governo, mas não está claro se Assad a integraria.
Os EUA desistiram das reivindicações de incluir no texto a obrigatoriedade de que Assad fosse excluído, esperando que a concessão encorajaria a Rússia a impor mais pressão sobre seu antigo aliado para parar a violenta repressão que, segundo a oposição, deixou mais de 14 mil mortos.
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, mesmo assim insistiu depois que Assad deveria deixar o poder, afirmando que agora é "incumbência da Rússia e da China mostrar a Assad que seu futuro já está predeterminado".
Moscou se recusou a apoiar uma moção que conclamaria Assad a renunciar, reiterando que forças externas não podem ordenar uma solução política para a Síria.
Annan disse que, depois das negociações, "cabe à população síria chegar a um acordo político". "Duvido que os sírios que lutaram tanto por sua independência escolherão pessoas com sangues nas mãos para liderá-los", disse.
Annan pediu também por um cessar-fogo imediato e a implementação do plano de paz da ONU e que agências humanitárias tenham acesso imediato aos necessitados.
Previamente, Annan alertou aos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — EUA, Rússia, China, França e Reino Unido — de que, se fracassassem no encontro abrigado pela ONU em sua sede europeia na Suíça, enfrentariam uma crise de "severa gravidade" que poderia desatar violência em toda a região e oferecer um novo front para o terrorismo.
"A História nos julgará com dureza se nos provarmos incapazes de seguir o caminho correto hoje (sábado)", disse Annan aos chanceleres reunidos em Genebra, alertando que os participantes seriam responsabilizados caso continuem ocorrendo mortes no país e pela ameaça de que o conflito se torne internacional.

Membros do Exército Livre da Síria são vistos em bairro de Damasco (28/06)

Pareceu que suas palavras eram direcionadas para a Rússia, o mais importante aliado da Síria. Os EUA têm insistido que Assad não deveria ter permissão de continuar no poder no topo de um governo de transição, e há pouca chance de que a fragmentada oposição síria apoie qualquer plano que não explicite a necessidade de o presidente sírio renunciar.
Participaram da reunião do Grupo de Ação para a Síria os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais Turquia, Iraque, Kuwait e Catar. A Rússia e a China, que tem seguido as diretrizes russas no conflito, vetaram por duas vezes sanções que puniriam o regime de Assad.
As grandes potências regionais Irã e Arábia Saudita não foram convidadas. Os russos se opõem aos sauditas, que apoiam a oposição síria. Os EUA se opõem ao Irã, que apoia o governo Assad.
Sem um acordo entre as potências sobre como formar um governo de transição no país árabe, o regime de Assad - o aliado mais próximo do Irã - seria encorajado a tentar se manter no poder indefinidamente, o que complicaria os esforços dos EUA de paralisar os objetivos nucleares de Teerã.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Até mesmo a Grécia antiga sofre com a austeridade

Cortes de orçamento fecham museus e aumentam roubos a relíquias gregas, mas prejuízo com demissões de arqueólogos e historiadores será maior no longo prazo

The New York Times- Randy Kennedy, de Kythira, Grécia |
 
Galerias do Museu Arqueológico Nacional em Atenas: fechadas ao público pelo corte de orçamento. Foto: Eirini Vourloumis/ The New York Times

Uma chocante propaganda veiculada recentemente na televisão grega com o objetivo de sensibilizar o público mostra uma menininha passeando com sua mãe pelo Museu Nacional Arqueológico, em Atenas, uma das joias da cultura do país. A menina sai de perto de sua mãe e fica olhando para uma estátua de mármore de 2.500 anos de idade, quando uma mão aparece e cobre sua boca, tirando-a de lá.
Alguns segundos mais tarde, ela reaparece sem ferimentos, olhando com tristeza para um pedestal vazio: os sequestradores não queriam a menina – eles queriam a estátua.
Saiba tudo sobre: Crise Econômica
A propaganda, produzida pela Associação de Arqueólogos da Grécia, serve como um lembrete do roubo à mão armada de dezenas de artefatos de um museu em Olympia, no mês de fevereiro, em meio ao contínuo corte de seguranças nos museus de todo o país. Mas a principal mensagem da campanha – "Monumentos não têm voz. Eles precisam da sua" – foi um ataque muito mais amplo aos profundos cortes orçamentários na área de cultura, realizados como parte das medidas de austeridade impostas à Grécia pelos órgãos econômicos europeus.


Eirini Vourloumis/The New York Times
Museu Arqueológico Nacional, que fecha às tardes devido aos cortes de pessoal

Os efeitos dos cortes na cultura já podem ser sentidos pelo público em todo o país, à medida que galerias e museus inteiros sofrem com fechamentos esporádicos.
Leia mais: Nascimento de novo dracma grego seria doloroso
Entretanto, arqueólogos e curadores gregos e de outros países alertam que as verdadeiras consequências dos cortes não serão aparentes nos próximos anos e serão muito piores para as antiguidades e para a pesquisa histórica.
Ao longo dos últimos seis meses, dezenas dos arqueólogos mais experientes que trabalhavam para o Estado – aqueles com mais anos de serviços prestados e com os salários mais altos, 1550 euros por mês – foram forçados a se aposentar, como parte da redução de 10% no número de funcionários do Ministério da Cultura e do Turismo. Além disso, em função de aposentadorias normais e demissões voluntárias, ao longo dos últimos dois anos, a equipe de arqueólogos passou de 1100 para 900 pessoas, de acordo com a associação, que é também o sindicato que representa os arqueólogos.
Em um momento no qual os impostos estão sendo aumentados, as aposentadorias cortadas e a taxa de desemprego passa de 21%, esse êxodo passou despercebido em meio à triste paisagem econômica do país. Mas os especialistas afirmam que os cortes estão começando a causar exatamente aquilo que a propaganda previu: o desaparecimento de antiguidades. Os principais culpados não são os ladrões de museus, nem os saqueadores de sítios arqueológicos, mas duas forças mais ameaçadoras e que agora são ainda menos controláveis: o meio ambiente e os tratores das construtoras.


Eirini Vourloumis/The New York Times
Aris Tsaravopoulos, arqueólogo forçado a se aposentar em Novembro, separa pedaços de cerâmica minoica do segundo milênio antes de Cristo que não receberão atenção

No leito seco de um rio da ilha de Kythira, durante uma manhã no fim de abril, Aris Tsaravopoulos, um arqueólogo que perdeu seu cargo público em novembro, apontou um sítio onde uma parte da margem desmoronou durante uma tempestade, alguns meses antes.
Leia: Entenda a crise na Grécia e suas implicações
Ao longo de toda a margem próxima ao Mediterrâneo, havia centenas de fragmentos de cerâmica minoica, provavelmente do segundo milênio antes de Cristo, alguns dos quais com padrões florais pintados em vermelho vivo e ainda aparentes.
Tsaravopoulos, que coordenou os projetos arqueológicos e supervisionou escavações de equipes estrangeiras na ilha durante mais de 15 anos, afirmou que acreditava que o sítio poderia ser parte de uma tumba ou de um antigo despejo.


Eirini Vourloumis/The New York Times
Tsaravopoulos, arqueólogo forçado a se aposentar, na entrada da caverna sagrada Chousti, na ilha de Kythira: o que ele faz, agora, é avisar ex-colegas sobre preciosidades

Há alguns anos Tsaravopoulos teria organizado uma escavação de emergência em um local como aquele. Agora, ele não pode fazer nada além de alertar seus colegas do serviço arqueológico nacional, que já estão sobrecarregados, e ele tem poucas esperanças de que qualquer trabalho de resgate seja feito a tempo: desde sua aposentadoria forçada, no último outono, Kythira, uma ilha um pouco maior do que Malta e com uma população pequena, a cerca de seis horas de barco de Atenas, não havia sido visitada por qualquer arqueólogo do governo.
Naturalmente, desde muito antes da crise econômica, sítios eram perdidos ou mantidos de forma precária, em parte como consequência da enormidade que representa a preservação do passado do país. Em Kythira, ainda podem existir dezenas de sítios inexplorados; o lugar comum grego, de que não se pode virar uma esquina sem tropeçar em uma antiguidade, às vezes parece ser literal. (O país tem 19mil sítios arqueológicos e monumentos oficiais e 210 museus de antiguidades.)
Saiba mais: Crise faz pais abandonarem filhos na Grécia
"Eu acredito que o ministério poderia dobrar ou triplicar o número de arqueólogos que contrata – e também o número de seguranças – e ainda assim não haveria gente suficiente", afirmou Pavlos Geroulanos, que era ministro da cultura e do turismo até o dia 6 de maio, quando o governo interino foi nomeado. Geroulanos supervisionou as demissões e as aposentadorias forçadas quando seu orçamento operacional anual foi diminuído em 30% ao longo dos três últimos anos. "Há tantas coisas lá fora, tanto trabalho que precisa ser feito", afirmou.


Eirini Vourloumis/The New York Times
A arqueóloga Gely Fragou trabalhou por vários anos sob contratos para o governo grego. O último terminou em 2010 e não foi renovado

Mas agora, a burocracia arqueológica atrasada e ineficiente da Grécia, que durante anos esteve entre as maiores da Europa (onde, em muitos países, o Estado desempenha uma função central nessa área), está enfrentando uma queda tão brusca em seus recursos que começa a delegar sua responsabilidade pelo patrimônio cultural, que esteve sob seu controle por mais de 150 anos.
Para muitos arqueólogos gregos e pesquisadores de outros países que escavam com a permissão do governo, uma repercussão ainda mais preocupante da austeridade orçamentária é o fato de que as licenças de pesquisa dos arqueólogos do governo estão sendo canceladas, e o dinheiro destinado para suas escavações já não está sendo fornecido, a menos que eles encontrem fontes para compartilhar os custos.
Veja: Grécia traça plano para aliviar fardo do resgate financeiro
Um dos efeitos é o de que os arqueólogos gregos estão sendo forçados a se concentrar quase exclusivamente no lado mais burocrático de sua profissão: inspecionar áreas de construção para averiguar a presença de antiguidades enterradas. Essa é uma tarefa fundamental, mas que agora, mesmo com a desaceleração do desenvolvimento durante a crise, ocupa a maior parte de seu tempo. Isso significa que a pesquisa universitária está sendo deixada de lado indefinidamente e, em alguns casos, para sempre.

Eirini Vourloumis/The New York Times
Tsaravopoulous, numa igreja bizantina na ilha de Kythira: máquinas pesadas destroem peças, em sítios arqueológicos

Um arqueólogo americano com décadas de experiência na Grécia, que pediu que seu nome fosse mantido em segredo, com medo de sofrer retaliações das autoridades do governo nesta época de incertezas, afirmou: "Ninguém na Grécia escava tanto quanto o serviço arqueológico do governo. E se eles não puderem publicar seus achados, talvez deixem de procurá-los; talvez voltem, simplesmente, a enterrá-los".
Geroulanos, que foi ministro da cultura por dois anos e meio, um período extremamente longo em meio às trocas de alianças políticas na Grécia, afirmou que os profundos cortes de pessoal eram inevitáveis se ele quisesse provar que o ministério era capaz de viver com sua própria renda, assim como o resto da Grécia está sendo obrigado a fazer.
"Nós estamos em um momento", afirmou durante uma entrevista em seu escritório em Atenas, "no qual eu posso dizer com segurança que cada centavo dado ao ministério será bem gasto".
Mesmo que o orçamento do ministério tenha caído ano apos ano, durante seu mandato, ele afirmou que foi capaz de completar projetos importantes, como a modernização das instalações em mais de 100 sítios arqueológicos de acesso público do país. Ao longo dos últimos três anos a Grécia também foi capaz de competir com sucesso por dezenas de milhões de euros que a União Europeia disponibilizou para projetos arqueológicos. Mas os críticos afirmam que esses poucos pontos positivos são insignificantes em vista dos danos irreversíveis que já estão acontecendo.
Na ilha de Kythira, Tsaravopoulos visitou recentemente um terreno com algumas árvores, após uma informação de um amigo, segundo o qual uma escavadeira estaria trabalhando no local sem autorização, nem uma inspeção das autoridades. Ele chegou ao local e encontrou uma estrada de terra improvisada, esculpida em meio à montanha, salpicada com dezenas de pedaços quebrados de cerâmica do período helênico e do início do período romano.
Quando estava indo embora, o proprietário chegou com sua família e teve uma conversa cortês no meio da estrada com Tsaravopoulos, que o conhecia, antes de irem embora.
"Ele me disse que não percebeu que havia danificado quaisquer artefatos e que sentia muito", afirmou Tsaravopoulos. "E então, ele me disse muito amigavelmente: 'Aris, eu soube que você teve de se aposentar. Eu sinto muito por isso'. Ele sabe que eu não tenho mais poder para evitar que as pessoas façam buracos onde elas bem entenderem."

terça-feira, 19 de junho de 2012

Elementos comuns e contrastes nas tradições gregas e judaico-cristã a partir do Evangelho de São Mateus


" Por isso vos digo: Não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer nem com o vosso corpo ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que a roupa?

Olhai as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros. E, no entanto, vosso Pai celeste as alimenta. Ora, não valeis mais do que elas?

Quem dentre vós, com suas preocupações, pode acrescentar um só côvado à duração da sua vida?

E com a roupa, porque andais preocupados? Aprendei dos lírios do campo, como  crescem, e não trabalham nem fiam.

E, no entanto, eu vos asseguro que nem mesmo Salomão, em toda sua glória, se vestiu como um deles.

Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao forno, não fará Ele muito mais  a vós, homens fracos na fé ?

Por isso, não andeis preocupados, dizendo: Que iremos comer? Ou que iremos beber? Ou, que iremos vestir? De fato, são os gentios que estão à procura  de tudo isso:o vosso Pai celeste sabe que tendes necessidades de todas essas coisas.

Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas  vos serão acrescentadas.

Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã , pois o dia de amanhã preocupará consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal."

                                                    
Bíblia de Jerusalém - Mateus 6, 25-34



As tradições grega e a  judaico-cristã apresentam pontos em comum no que diz respeito à temática de suas narrativas e o fim moralizante das mesmas.  Se tomarmos a leitura dos mitos de Belerofonte, Ícaro, Aloídas e Menelau, encontramos várias correspondências com as passagens bíblicas da Torre de Babel e do Evangelho de São Mateus, obviamente, guardando as devidas proporções e especificidades de cada tradição.


A narrativa sobre a Torre de Babel menciona uma época onde os homens "Todo mundo se servia de uma  mesma língua e das mesmas palavras."(Gênesis 11, 1) e tinham por objetivo construir uma cidade e uma torre , cujo cimo tocasse os céus, tornando seu nome célebre antes que se dispersassem. Ao lado, vemos uma representação medieval de um manuscrito francês do século XIII, retratando o episódio da Torre de Babel. Na narrativa bíblica, tal atitude, sinal de orgulho e soberba, faz com que Deus confunda-lhes as línguas, tornando impossível a construção, porque não conseguiriam se entender. A simbologia destes eventos, ou seja, a falta dos homens e o castigo de Deus é uma constante dentro da tradição judaico-cristã, porque Deus é Onisciente, Onipresente e Onipotente. Aos homens é cobrada a fidelidade e obediência a Deus e suas leis. Portanto, alcançar os céus sem a vontade divina é subverter a ordem e desrespeitar a tradição, por conseguinte, a própria divindade.

Ainda no Gênesis,  outra passagem trata especificamente deste tema, o Pecado Original: " A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos, que Yaweh tinha feito. Ela disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o Bem e o Mal." (Gênesis 3, 4-5). Desde este episódio, o qual simboliza o início de todas as agruras do homem em virtude do desrespeito às leis de Deus, as manifestações da ambição humana foram castigadas.

                                       O Pecado original, gravura de Albrecht Dürer(séc. XVI)

Na tradição grega, no entanto, esta ambição pode ser percebida nas narrativas dos mitos de Belerofonte, Aloídas e Ícaro. O primeiro é um herói que graças a sua excelência e habilidade em combates consegue superar vários desafios que lhe são impostos( a luta com a Quimera, com os guerreiros lídios), obtendo reconhecimento e prestígio. Belerofonte desposa uma princesa e torna-se rei com a morte de seu sogro. Entretanto, segundo as diferentes narrativas, é  tomado por um acesso de orgulho e tenta alcançar o Olimpo com a ajuda de Pégaso. Zeus, ofendido por este ato, derruba-o do cavalo e Belerofonte morre.


Belerofonte ao lado de Pégaso (cavalo alado) combatendo a Quimera - vaso grego séc. V a.C.

O segundo mito, sobre os Aloídas, se refere a semideuses (os irmãos Oto e Efialtes) dois gigantes que também movidos por um acesso de orgulho tentam chegar ao Olimpo, declaram guerra aos deuses e ameaçam secar os Oceanos. Sua ousadia é paga com a vida, sendo numa das versões do mito fulminados por Zeus ou noutra versão , um fere o outro numa tentativa de acertar uma corsa com uma flecha e esta corsa seria a deusa Diana disfarçada.



Nos mitos de Belerofonte e dos Aloídas , a punição ocorreu em virtude da tentativa dos heróis tentarem igualar-se aos deuses ou mesmo superá-los, pois apesar de sua origem divina, não poderiam ascender ao Olimpo por "sua própria vontade", já que tal prerrogativa é de Zeus, ou seja, apenas os eleitos por Zeus podem compartilhar sua morada. Apesar de heróis, portanto com uma origem genealógica relacionada com a divindade, a manifestação do orgulho e da soberba representam os defeitos da condição humana destes personagens.
            O mito de Ícaro também envolve o tema da punição pela ousadia, porém com algumas diferenças: Ícaro era mortal, sem ascendência divina e morre pela sua imprudência, pois desobedece o pai ao voar muito alto, tendo suas asas derretidas e por fim afoga-se no mar.
A morte de Ícaro, no entanto, alude também ao desrespeito, talvez não pela ambição, mas pela imprudência e impulsividade, pois Ícaro desobedeceu seu pai, sendo punido e tal fato alude ao respeito às tradições e costumes, cuja guarda se encontra nos anciões, ou seja, nas figuras mais velhas, depositárias do saber adquirido pela comunidade.

           A releitura do mito de Ícaro no universo cristão do Renascimento pode ser exemplificado pelo quadro “A morte de Ícaro”,  do pintor flamengo Pieter Brueghel, o Velho (1525?-1569) pintado entre 1558 e 1566, retrata de modo muito particular o mito de Ícaro.


Para a composição deste quadro, Brueghel provavelmente baseou-se no texto de poeta romano Ovídio (43 a.C. – 18 d.C.), pois os elementos descritos no quadro - o lavrador, o pastor e o pescador - são mencionados no texto, porém Brueghel faz uma leitura diferenciada: Ovídio descreve a cena comentando a impressão dos três homens ao verem "os homens alados", enquanto Brueghel os retrata com ar de indiferença à cena. Além disto, Ícaro é retratado após sua queda, debatendo-se nas águas, bem próximo do crepúsculo.

Brueghel faz uma leitura muito pessoal e introspectiva do relato mitológico. Em primeiro lugar, o tema principal do quadro aparece num detalhe e praticamente em segundo plano, tendo também uma visão coeva a Brueghel, isto é, o pintor retrata a cena a partir de elementos de seu cotidiano (paisagem e pessoas); em segundo lugar, a narrativa de Ovídio dá a entender  em seu texto que a imprudência de Ícaro deu-se por voar muito próximo do sol, estando este último a pino, portanto, intenso o bastante para derreter a cera das asas de Ícaro. Contudo, por que representar o crepúsculo?

Tal representação  relaciona-se com a morte, pois Brueghel mostra o preço pago por Ícaro pela sua imprudência e coloca o sol como o algoz que se afasta da vítima após a execução. Enfim, o sol (algoz ou juiz) se põe após o triste episódio.

Outra diferença está no fato de que Brueghel inverte a posição de importância do relato: em primeiro plano, dispõe os personagens secundários (o lavrador, o pastor e o pescador) e o tema do próprio quadro é colocado como um pequeno detalhe e quase que inexpressivo, observe o canto inferior direito da imagem e verá um corpo que se debate na água, mas representado numa escala muito pequena face aos outros elementos pintados no quadro.

O tema da ambição humana pode ser também identificado dentro do Evangelho de Mateus 6, 31:

Por isso, não andeis preocupados, dizendo: Que iremos comer? Ou que iremos beber? Ou, que iremos vestir? De fato, são os gentios que estão à procura  de tudo isso:o vosso Pai celeste sabe que tendes necessidades de todas essas coisas.


Os homens sempre buscaram ouro, poder e glória, mas para tanto muitos cometeram atrocidades e desrespeitaram as leis, matando seu semelhante ou o submetendo ao fardo da escravidão. A mensagem desta passagem é o respeito a vida e aos mandamentos de Deus, pois as atitudes e não as riquezas levaram ao reino do céus:

Olhai as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem ajuntam em celeiros. E, no entanto, vosso Pai celeste as alimenta. Ora, não valeis mais do que elas?

Quem dentre vós, com suas preocupações, pode acrescentar um só côvado à duração da sua vida?

E com a roupa, porque andais preocupados? Aprendei dos lírios do campo, como  crescem, e não trabalham nem fiam.



A natureza é obra da divindade e apesar de toda a inteligência do homem, este não conseguiu conceber algo tão belo e harmonioso quanto a natureza, a qual obedece a lei de Deus e nela vive , tendo do Criador o seu sustento e benefício.

E, no entanto, eu vos asseguro que nem mesmo Salomão, em toda sua glória, se vestiu como um deles.


          Quando Jesus se remete a Salomão, tido como um dos homens mais sábios  e poderosos da Terra, jamais ousou se comparar à singeleza e exuberância dos lírios, pois sua beleza está na simplicidade e esta última é a obra do Criador. Tão belo com tão pouco, tão nobre sem luxo.

Outra narrativa   da tradição grega que oferece um contraponto a esta passagem do Evangelho é a vontade de Menelau em construir um palácio tão belo e tão esplendoroso quanto a morada do próprio Zeus na Odisseia IV, 55-59: " E esplende a sala ,em bronze, em prata , em ouro; em electro e marfim! Do interno Olimpo, É tal o adorno imenso: espanta olhá-lo. "

Ao voltarmos para o texto de Mateus, encontramos outra observação contundente:

 Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao forno, não fará Ele muito mais  a vós, homens fracos na fé ?


Jesus ressalta a importância da fé em Deus, pois as angústias humanas são resultado da ganância incessante sobre os bens e os prazeres e sendo o homem também uma criação de Deus, porque Ele o abandonaria? Deus apenas puni aqueles que O desrespeitam , mas é piedoso para provê-los com aquilo que necessitam.

No texto evangélico, a perspectiva da riqueza espiritual é exaltada em detrimento dos problemas materiais, conforme aponta Mateus no versículo 31 a 34:

Por isso, não andeis preocupados, dizendo: Que iremos comer? Ou que iremos beber? Ou, que iremos vestir? De fato, são os gentios que estão à procura  de tudo isso:o vosso Pai celeste sabe que tendes necessidades de todas essas coisas.

Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas  vos serão acrescentadas.


A glória almejada pelo homem é diferente daquela que Deus propõe, pois no plano terrestre os bens materiais são mais valiosos, no entanto, nada valem no reino do céus . Obediência , Conformidade e Esperança é o que Deus espera dos homens para que estes tenham acesso aos benefícios providos pelo Criador. A ambição, foi a causa da queda do homem, que se privou do Paraíso por buscar algo que estava além de suas perspectivas e dessa forma restaram-lhe as dores e angústias do sofrimento diário para sua sobrevivência.

Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã , pois o dia de amanhã preocupará consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal."

O ser humano almeja ser mais do que é e ter mais do que tem, mas não percebe que esta postura o distancia da divindade, pois a ambição desmedida não leva à virtude ou a glória. Tanto na tradição grega como na judaico-cristã, a ambição desmedida é exemplarmente castigada e em ambas o mérito humana é a glória, mas na primeira esta é representada pela imortalidade na memória coletiva, pois o nome do heroi se perpetua ao longo das gerações, enquanto na segunda, a glória é vista como a “salvação da alma” e a convivência eterna com Deus no reino dos céus, tendo portanto, uma condição que envolve a espiritualidade e a espera do término da história cristã, através da realização do Juízo Final.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dilma revela detalhes das torturas que sofreu nos porões da ditadura

Foto de Dilma quando jovemA presidente Dilma Rousseff foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dentária durante as torturas que sofreu na ditadura, segundo revelam os jornais "O Estado de Minas" e "Correio Braziliense".

Ambos periódicos reproduzem uma entrevista de Dilma ao Conselho de Direitos Humanos de Minas Gerais concedida em 2001, na qual narra as torturas que sofreu entre 1970 e 1973, quando foi detida e condenada por um tribunal militar como militante de um grupo de esquerda que lutava contra o regime militar.

No depoimento, a chefe de Estado disse que às vezes não sabia se os interrogatórios "de longa duração" aconteciam de dia ou de noite.

Os torturadores costumavam amarrá-la de cabeça para baixo para depois aplicar cargas elétricas, um método de tortura que "não deixa rastro, só te mina", segundo as palavras da presidente.

"O estresse é feroz, inimaginável. Descobri, pela primeira vez, que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente pelo resto da vida", afirmou Dilma.

Essas sessões de torturas foram realizadas no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo, e também em uma prisão da cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Fonte: Portal UOL 17/06/2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ranking coloca USP como melhor universidade da América Latina

13/06/2012         

Fonte:

Rafael Targino
Do UOL, em São Paulo
A USP (Universidade de São Paulo) lidera a lista das melhores universidades latino-americanas, segundo novo ranking publicado nesta quarta-feira (13) pela instituição britânica QS (Quacquarelli Symonds). A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que subiu da 19ª posição em 2011 para a 8ª neste ano, completam a lista das brasileiras no top 10.







Foto - 1ª posição: USP (Universidade de São Paulo), Brasil Marcos Santos/USP Imagens
O Brasil é o país com o maior número de universidades ranqueadas na lista: são 65 instituições entre as 250 melhores.

Top 10 universidades latino-americanas

Posição/2012InstituiçãoPaísPosição/2011
1USP (Universidade de São Paulo)Brasil1
2Pontificia Universidad Católica de ChileChile2
3Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)Brasil3
4Universidad de ChileChile4
5Unam (Universidad Nacional Autónoma de México)México5
6Universidad de Los Andes ColombiaColômbia6
7Itesm (Tecnológico de Monterrey)México7
8UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)Brasil19
9Universidad de ConcepciónChile12
10Usach (Universidad de Santiago de Chile)Chile21
  • Fonte: QS (Quacquarelli Symonds)
Segundo a QS, foram entrevistados, em todo o continente, mais de 14 mil acadêmicos, assim como 11 mil empregadores. Os rankings levam em conta pesquisa, ensino, empregabilidade de internacionalização.
De acordo com o instituto, a forte presença brasileira é causada por um “esforço nacional” para aumentar o acesso ao ensino superior –o que seria demonstrado pelo fato de as matrículas terem sido triplicadas na última década – e incentivo a pesquisas acadêmicas.

Top 10 universidades - Brasil

Posição 2012
Brasil
Posição 2012
Am. Latina
InstituiçãoPosição 2011
Am. Latina
11USP (Universidade de São Paulo)1
23Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)3
38UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)19
413UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)10
514UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)14
615Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)31
717Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho)16
818PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)15
925UnB (Universidade de Brasília)11
1028PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)37
  • Fonte: QS (Quacquarelli Symonds)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Um ano de Gabinete!!

O Gabinete de História completou um ano de atividade e já superou 30.000 acessos e dessa forma, eu agradeço a atenção de vocês e espero continuar correspondendo com o interesse de vocês pela História e suas particularidades.

Continuarei por aqui, com as portas abertas, à disposição de todos vocês!

Um grande abraço,

Prof. Elias Feitosa de Amorim Jr.