As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de dezembro

segunda-feira, 28 de julho de 2014

28 de julho de 1914: há um século explodia a I Guerra Mundial



A Primeira Guerra Mundial assinalou o fim de uma época de grande efervescência cultural, a chamada Belle Époque. O conflito iniciado em 1914 ainda trazia elementos de um mundo romântico, mas já demonstrava a forte presença da industrialização, como por exemplo o contraste entre o uso da cavalaria e o surgimento da infantaria blindada pelos tanques de guerra.
O conflito pode ser dividido em três fases: a guerra de movimento (1914-1915); a guerra de trincheiras (1915-1917) e o desfecho do conflito entre 1917 e 1918.

A primeira fase da guerra foi marcada pelo rápido deslocamento das tropas alemãs em direção da França através do território belga, cumprindo o plano Schlieffen (idealizado pelo general Alfred von Schlieffen, chefe do Estado-Maior do Império Alemão entre 1892 e 1906), pois visavam vencer a França para depois atacar a Rússia. Tanto a Tríplice Aliança quanto a Tríplice Entente acreditavam num rápido desfecho da guerra, ocasionando uma visão maniqueísta (luta entre um lado que representaria o "Bem" e outro que encarnaria o "Mal") e romântica. Essa visão pode ser exemplificada pelo episódio do dia de Natal de 1914, quando alemães e franceses interromperam os combates, realizando um almoço de confraternização com direto a troca de presentes entre si. No entanto, o conflito não foi tão rápido quanto se acreditava. O processo de avanço dos exércitos tornou-se mais difícil, e a partir daí, a guerra entrou numa nova fase, talvez sua fase mais cruel: a guerra de trincheiras.

A impossibilidade de avanços fez com que os exércitos de ambos os lados cavassem profundas trincheiras com uma vasta rede de túneis interligado-as. O objetivo era defender as posições conquistadas. Para tanto, os recursos utilizados eram largas extensões de arame farpado, campos minados e ações de avanço e recuo entre ambos os lados em combate. O ataque consistia inicialmente num intenso bombardeio com a artilharia pesada, sendo ao término desse ataque dada a ordem de avanço para a infantaria; ou seja, para que os soldados fossem em direção à linha inimiga. O avanço, no entanto, era dificultado pela defesa através do uso das metralhadoras.

Esta forma de guerra tornava-se uma grande máquina de extermínio em proporções inigualáveis, pois milhares de vidas eram ceifadas para conquistar um ou dois quilômetros de território. Enquanto aguardavam as ordens de ataque ou se defendiam, os soldados eram submetidos a uma situação hedionda: frio, lama, piolhos, ratos e corpos em decomposição lhes fazendo companhia. Um exemplo deste morticínio foram as batalhas de Somme e Verdun, na frente ocidental em 1916, as quais consumiram 800.000 soldados alemães e 900.000 soldados ingleses e franceses. Este período também foi marcado pela utilização de armas químicas, como os gases cloro e mostarda por ambos os lados.



Durante a guerra de trincheiras ocorreu uma alteração nas alianças, pois a Itália, até então aliada dos alemães, tornou-se aliada dos ingleses, contribuindo para o desequilíbrio de forças naquele momento (esta mudança ocorreu pela promessa de possessões na África no caso da vitória franco-britânica). O conflito não sofreu grandes alterações até 1917, pois as possibilidades de avanço eram pequenas e a guerra se encaminharia para sua fase final com uma nova alteração das forças envolvidas.


A Rússia se retira em outubro de 1917 em virtude da Revolução Socialista que derrubou o czar (realizando o armistício de Brest-Litowsk formalmente em março de 1918); neste mesmo ano, os Estados Unidos entram na guerra ao lado da Entente para equilibrar as forças desta última, fazendo com que a pressão alemã fosse contida e o deslocamento dos exércitos alemães da frente oriental para a ocidental não causasse um desequilíbrio na região de conflito.

1917: o socialismo atinge o poder na Rússia.


O desfecho da guerra deu-se através do início de uma série de negociações diplomáticas entre ambas as partes. Uma das principais tendências era estabelecer a "paz sem vencedores", proposta defendida pelo presidente norte-americano Woodrow Wilson, que propôs um acordo conhecido como "Os 14 Pontos de Wilson", que foram impressos em panfletos e jogados por aviões para os soldados e civis alemães. No final de 1917 os alemães tentaram o último ataque contra os franceses, mas foram detidos recebendo um pesado contra-ataque. Os austríacos, demonstrando sinais de esgotamento, também pediram por um acordo de paz.

Devido à eclosão de uma grande greve nas indústrias alemãs e um motim em Kiel, bem como a irredutível posição do kaiser em manter a Alemanha em guerra, o Alto Comando do Exército Alemão  (encabeçado pelos marechais Hindenburg e Ludendorf) forçou a abdicação de Guilherme II, que se exilou na Holanda e assim, teve início a República na Alemanha.

O tão esperado armistício foi assinado pelo novo governo em 11 de novembro de 1918, deixando um saldo de destruição e morte nunca antes visto: cerca de 18 milhões de mortos, que eram militares e também civis de várias regiões atingidas direta ou indiretamente pelo conflito, como por exemplo, o massacre de aproximadamente 1,2 milhão de armênios pelo exército turco em 1917.

Tratados de Paz

Com o término dos conflitos, os países em guerra se reuniram no Palácio de Versalhes para a realização dos acordos de paz. Participavam como representantes dos países da Intente o primeiro-ministro inglês Lloyd George, o primeiro-ministro francês Clemenceau, o presidente norte-americano Wilson e representantes dos demais países envolvidos. Nesta conferência foi elaborado um acordo de paz mais radical visando enfraquecer os alemães (como um armistício alemão foi assinado num momento em que havia muitas de suas tropas em território francês, criou-se o mito da invencibilidade alemã, ou seja, o alto oficialato alemão dizia-se vencedor do conflito).

"Assinatura da Paz no Salão dos Espelhos"William Orpen, 1919, Imperial Museum of War, Londres, Grã-Bretanha. 
No mesmo Salão dos Espelhos, no Palácio de Versalhes, onde os alemães fundaram o II Reich humilhando os franceses em 1870, os vencedores da Tríplice Entente humilharam os alemães com a Paz dos Vencedores em 1918-19.


Da proposta de Wilson foram aproveitados dois pontos: a criação da liga das nações e a devolução da Alsácia e Lorena para a França. Dessa forma foi imposta aos alemães a "paz dos vencedores", com o Tratado de Versalhes de 1919: pagamento de uma indenização de 133 bilhões de libras-ouro para os países vencedores, redução do exército alemão a 10% do montante do início da guerra (100.000 homens), proibição de presença militar na região da Renânia, limitação da indústria bélica alemã, perda de 1/7 de seu território com a criação da Polônia e do corredor polonês com o porto livre de Dantzig.


A Conferência de Versalhes serviu para dar origem à Liga das Nações, uma instituição internacional que deveria zelar pelo equilíbrio dos países. No entanto, não participavam dela a Alemanha e a Rússia Socialista. Em 1919 foi assinado o Tratado de Saint-Germain, que fundava o Império Austríaco, criando a Áustria, a Hungria, a Tchecoslováquia e a Iugoslávia, e também passava para o controle italiano as regiões de Trieste, sul do Tirol, Trentino e Ístria. Em 1920 foi assinado o Tratado de Sèvres, que extinguia o Império Turco, reduzindo seu território e assim passava suas possessões na Mesopotâmia (Iraque e Síria) e Palestina para o controle franco-britânico.



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