As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de agosto

sábado, 28 de março de 2015

As civilizações orientais: Mesopotâmia e Pérsia (Parte II)

MESOPOTÂMIA


Região localizada entre os rios Tigre e Eufrates, cuja ocupação se iniciou no fim do período Paleolítico. Já no Neolítico, apresentava vários pequenos núcleos de povoamento, com a fundação de cidades, como Ur, por volta de 4000 a.C. Nesta região, desenvolveram-se vários povos -  babilônios, assírios e persas- que se aproveitaram da água dos rios para o plantio e a irrigação das regiões mais áridas. A organização política inicial destes povos se deu sob a forma de cidades-estado, administradas pelos sacerdotes em virtude da crença de que as terras pertenciam ao deus da cidade. Na Mesopotâmia, houve o desenvolvimento da escrita cuneiforme (aplicação de cunhas de madeira sobre tábuas de argila fresca) para registrar a produção agrícola dos camponeses, também servindo para o registro das leis, como o Código de Hamurabi, além de narrar a vida dos reis e outros eventos ligados à administração e religião.

Economia - De um modo geral, os povos mesopotâmicos desenvolveram a agricultura junto aos rios Tigre e Eufrates, utilizando, também, canais de irrigação para as regiões mais secas. O pastoreio de ovinos, bovinos e caprinos tinha grande importância. Quanto ao comércio, este se vinculava à extração de minérios (cobre, estanho, ferro, ouro), pedras preciosas, tijolos, mobiliário e ourivesaria, além de negociar o excedente de sua produção com regiões menos férteis e também terem o interesse pelo comércio de rebanhos de cavalos e camelos.



Cultura e religião - Os povos da Mesopotâmia eram politeístas, com a divinização de vários elementos da natureza, e tinham alguns deuses em comum (Shamash, deus do sol e da justiça; Ea, das águas; Anu, do céu; Ishtar, deusa do amor e da guerra). Havia também os deuses específicos de cada localidade: Marduck, dos babilônios; Assur, dos assírios. Todos estes povos tinham grande conhecimento em astrologia, matemática e arquitetura (construíram vários observatórios astronômicos, denominados zigurates, cuja precisão permitiu o acompanhamento de vários fenômenos naturais, tais como a passagem de cometas, eclipses e também a marcação dos ciclos lunares e solar).
Na área da literatura, destacam-se a existência de diversas bibliotecas, cujos textos se encontravam gravados em tábuas de argila com a escrita cuneiforme. Uma das obras mais importantes é a Epopeia de Gilgamesh, um herói que luta contra várias divindades em busca da imortalidade.

IMPÉRIO BABILÔNICO 

A cidade da Babilônia teve sua origem após a decadência do Império Acádio, que foi a primeira tentativa de unificação da Mesopotâmia sob a liderança do rei Sargão I, estabelecendo sua capital em Akkad. No Império Acádio, o poder estava centralizado na figura do rei, tornando-o divinizado. O sucesso de Sargão I estava relacionado com sua postura de não destruir a cultura dos povos dominados e pela utilização do arco e flecha no exército. No entanto, após a morte de Sargão, os povos dominados iniciaram várias revoltas. De 2050 a 1950 a.C., surgiu uma nova dinastia na cidade de Ur, reunificando a Mesopotâmia.

A partir de 1900 a.C., vários estados iniciaram uma intensa luta entre si, culminando no rei Hamurabi (1792-1750 a.C.), que foi responsável por um rígido código de leis (o Código de Hamurabi) baseado na pena do talião: "olho por olho, dente por dente". Os sucessores de Hamurabi enfrentaram a invasão de vários povos asiáticos, como a dos hititas em 1137 a.C. A Babilônia só recuperou a independência com Nabucodonossor, mas, logo após sua morte, o império foi invadido pelos assírios.


Código de Hamurabi [fragmento]

Se um homem negligenciar a fortificação de seu dique, se ocorrer uma brecha e a seara inundar-se, o homem será condenado a restituir o trigo destruído por sua falta. Se não puder restituí-lo, será vendido, assim como seus bens, e as pessoas da área inundada repartirão entre si o produto da venda.
Se um homem der a um jardineiro um campo para ser transformado em pomar, se o jardineiro plantar o pomar e dele cuidar durante quatro anos, no quinto ano o pomar será repartido igualmente entre o proprietário e o jardineiro; o proprietário poderá escolher sua parte.
Se um homem alugar um boi ou um asno, e se nos campos o leão matar o gado, é o proprietário do gado que sofrerá a perda.
Se um homem bater em seu pai, terá as mãos cortadas. Se um homem furar o olho de um homem livre, ser-lhe-á furado o olho.
Se um médico tratar a ferida grave de um homem com punção de bronze e ele morrer, o médico terá suas mãos decepadas.
Se um arquiteto construir uma casa para outro e não a fizer bastante sólida, caso ela desabe e mate o dono, o arquiteto é condenado à morte. Se for o filho do dono da casa quem morrer, será morto o filho do arquiteto.

ISAAC, J.; Alba, A. Oriente e Grécia. São Paulo: Mestre Jou, 1964, p.77.


O IMPÉRIO ASSÍRIO

A decadência do Império Babilônico favoreceu a penetração dos assírios (povo de origem semita, cuja principal atividade era o pastoreio), que fundaram um pequeno Estado com capital em Assur. Notórios por sua belicosidade, os assírios gradativamente construíram um poderoso império, principalmente nos reinados de Sargão II (722-705 a.C.), responsável pela conquista da Síria e a destruição de Samaria, capital do reino de Israel, e de Senaquerib (705-681 a.C.), que superou seu pai, atacando a Ásia Menor (portos gregos, fenícios e destruição da Babilônia).
Os assírios tinham uma estrutura de poder centralizada nas mãos do rei, que era divinizado, sendo visto como o próprio deus Assur. A manutenção do império se dava pelo pagamento de pesados tributos (principalmente para o contentamento do exército) e também pela intensa violência aplicada sobre os povos  subjugados. A expansão prosseguiu no reinado de Assurbanipal (668-626 a.C.), com a invasão do Egito, de Elam e de Susa (capital da Média). Entretanto, o Império Assírio era mantido em constante pressão pelos povos vizinhos e, com a gradativa recusa dos povos dominados a pagarem tributos, a crise tomou conta do império, que teve seu exército desarticulado
e acabou ruindo.

O rei caçando: símbolo de poder, força e coragem - Rei Senaqueribe, c. séc. VII a.C. British Museum



SEGUNDO IMPÉRIO BABILÔNICO

A desarticulação do Império Assírio favoreceu um dos povos que lhes era submetido, os caldeus, que, através de uma aliança com os medos, implantaram uma nova dinastia sob a liderança de Nabopassalar. A partir de 605 a.C., sob o reinado de Nabucodonossor II, a Babilônia recuperou seu poderio, pois iniciou a expansão pelo Elam, Palestina, Síria e a região oeste da Mesopotâmia. Foi durante o reinado de Nabucodonosor II que ocorreu a deportação dos hebreus para a Babilônia como escravos, o chamado “Cativeiro da Babilônia”. Este rei ficou conhecido por mandar construir a Torre de Babel e os Jardins Suspensos da Babilônia, porém não conseguiu fazer um sucessor que continuasse a grandiosidade de seu reinado, e, por volta de 539 a.C., o Império Babilônico foi tomado pelos persas.





O IMPÉRIO PERSA

Localizada entre o Golfo Pérsico e o Mar Cáspio, a Pérsia ocupava uma região de planaltos áridos, que fora povoada desde 2000 a.C. por dois povos: os medos e os persas. Inicialmente, os medos conquistaram os persas sob a liderança de Ciaxares (625 -585 a.C.). Após sua morte, o império se enfraqueceu e acabou sendo conquistado por Ciro, descendente dos Aquemênidas (primeira dinastia persa) em 559 a.C. Ciro expandiu seu território para a Lídia e destruiu a Babilônia, libertando os hebreus e permitindo seu retorno a Jerusalém. Cambises, filho de Ciro, sucedeu-lhe em 529 a.C. e continuou a ampliar as conquistas do pai, dominando o Egito em 525 a.C.

Cambises foi sucedido por um parente distante, Dario, que, com o apoio da nobreza, instaurou-se no poder. Sua principal ação foi a divisão do vasto império em satrapias (províncias), que eram administradas por sátrapas (governadores), que detinham poder total sobre suas regiões, mas deviam obediência ao rei, sendo constantemente fiscalizados. Outras importantes realizações de Dario foram a elaboração de um sistema de estradas que interligavam as diferentes regiões do reino, a utilização de uma moeda única e de um eficiente sistema de cobrança de impostos.

A adoção das satrapias, da moeda única e de um sistema eficiente de transporte e fiscalização facilitou o processo de centralização do reino, proporcionado condições para a expansão ainda maior dos territórios. Foi sob estas condições que ocorreu a disputa pelo controle dos estreitos que ligam o Mediterrâneo e o Mar Negro, região intensamente colonizada pelos gregos e de grande circulação de navios e mercadorias.

Ciro, o Grande 


O choque de interesses (gregos e persas) levou às Guerras Médicas entre 490 e 468 a.C., conflito que fez que todas as cidades-estado gregas se unissem contra o inimigo comum. Dario tentou invadir a Grécia em 490 a.C. e foi derrotado na Batalha de Maratona. Após sua morte, seu filho Xerxes, prosseguiu a guerra, sendo finalmente derrotado nas batalhas de Salamina e Plateia, em 480 e 479 a.C., respectivamente. A derrota final se deu na Batalha de Eurimedonte em 468 a.C., porém a paz definitiva foi assinada apenas em 448 a.C., com o Tratado de Susa ou Paz de Kálias, no qual a Pérsia reconhecia a hegemonia grega sobre o Egeu e comprometia-se a não atacar as colônias gregas da Ásia. Com a morte de Dario III e o consequente enfraquecimento do império, Alexandre Magno dominou todo império persa.


A religião dos persas tinha uma singularidade em relação à dos demais povos do Crescente Fértil: cultuava vários deuses, mas não tinha um corpo complexo de sacerdotes, e o culto principal era feito em torres erguidas no alto de montanhas, nas quais ardia o “fogo perpétuo” dedicado a Aura-Mazda.
A partir da influência de Zaratustra (Zoroastro, em grego), profeta persa que viveu entre 630 e 553 a.C., dividiram-se os deuses: Aura-Mazda, o deus do bem, que se opunha a Ahriman, o deus do mal. Assim, a oposição entre o bem e o mal passou a compor a essência dessa religião, cujo livro sagrado chamava-se Avesta ou Zend-Avesta.
A religião dos persas tinha o caráter politeísta e incorporou deuses de outros povos, os quais se relacionavam com as forças da natureza e tinham templos e rituais que exigiam sacrifícios sangrentos como, por exemplo, o deus Mitra, ligado à imagem do sol e à proteção dos pastores.

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