As Ricas Horas do Duque de Berry

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As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de outubro

sábado, 9 de julho de 2011

Vaticano excomunga novo bispo chinês

Fonte: Portal UOL

09/07/2011 - 00h01

Vaticano excomunga novo bispo chinês

Andrew Jacobs 
Em Pequim (China) 
The New York Times

O Vaticano excomungou um bisbo chinês recentemente ordenado, em uma medida que provavelmente fará com que piorem as já precárias relações entre a Santa Sé e o Partido Comunista que governa a China.

A decisão de anunciar formalmente a excomunhão do bispo, o reverendo Paul Lei Shiyin, da província de Sichuan, foi tomada uma semana depois que a Igreja Católica da China, que é controlada pelo Estado, ignorou as objeções feitas pelo Vaticano e conduziu a cerimônia de ordenação, da qual participaram sete outros bispos anteriormente reconhecidos por Roma.
Falando por telefone, uma autoridade do Vaticano recusou-se a discutir o caso, mas em uma declaração divulgada na quarta-feira, representantes da igreja afirmaram que o papa Bento 16 ficou profundamente entristecido com a medida, que “semeia a divisão e infelizmente cria fissuras e tensões na comunidade católica na China”.

O Vaticano afirmou que os sete bispos que participaram da ordenação “expuseram-se a graves sanções canônicas” e poderão ser excomungados.
Um porta-voz da Associação Católica Patriótica Chinesa, o órgão do governo que fiscaliza as igrejas católicas administradas pelo governo, não quis falar sobre o confronto com o Vaticano. Mas, em uma declaração enviada por e-mail, a associação lamentou a decisão do Vaticano, afirmando que ela vai se revelar divisiva.

“Isso trará mais disputas para todas as igrejas e afetará a difusão do Evangelho e o desenvolvimento da igreja”, disse a declaração.
Francesco Sisci, um correspondente de notícias de Pequim e ex-diplomata italiano que é especialista em relações entre a China e o Vaticano, afirmou que todos os bispos ordenados que não forem aprovados pelo papa são automaticamente excomungados, de forma que o anúncio feito pelo Vaticano -- e a ameaça àqueles que participaram do ritual -- foi especialmente significante.

“Quando o papa decide anunciar tal coisa e deixa isso bem claro, temos uma situação bastante séria”, disse Sisci. “O mecanismo de comunicação entre os dois lados está se desfazendo. Se existe um certo número de bispos que não foram ordenados pelo Vaticano, essa igreja poderia tornar-se cismática”.

A China rompeu relações com o Vaticano em 1951, pouco depois que os comunistas tomaram o poder. Embora a perseguição à Igreja Católica e a outras religiões famosas pertença ao passado, o Estado ainda mantém um controle rígido sobre a prática religiosa organizada, e é especialmente vigilante em relação ao desafio representado pela autoridade papal.
Existem quase seis milhões de seguidores da Igreja Católica Patriótica Chinesa. Alguns especialistas afirmam que é quase o dobro o número de indivíduos que praticam a religião em igrejas não oficiais e cujos membros são leais ao papa – e cujos clérigos arriscam-se a sofrer assédio e a ser presos pelas autoridades chinesas devido ao seu desafio ao governo.

Apesar das décadas de animosidade e desconfiança, as relações entre Pequim e o Vaticano melhoraram nos últimos anos, mas a ordenação de bispos continua sendo um grande ponto de discórdia. No ano passado, os dois lados pareciam estar próximos a chegar a um acordo quanto a essa questão, mas após um impasse prolongado, a associação patriótica decidiu em novembro ordenar um bispo, que não havia sido aprovado pelo Vaticano, na cidade de Chengde, no norte do país. No mês passado, a associação mostrou que continuava disposta a desrespeitar o mandato papal ao sugerir que poderia ordenar mais 40 bispos “sem demora”.
Embora as autoridades do Vaticano não tenham detalhado publicamente as suas objeções específicas à escolha do bispo Lei, elas afirmaram que ele foi rejeitado por “motivos comprovados e muito graves” dos quais tanto ele quanto os outros bispos estão bem conscientes. Ao serem ouvidos por telefone na sexta-feira (08/07), vários membros e líderes religiosos da diocese de Lei em Leshan, uma cidade famosa pela sua estátua em pedra gigante do Buda, disseram não ter ouvido falar da declaração do Vaticano. O reverendo Zhang Mingzhong, um padre da Igreja Católica Wotongquiao, disse que o bispo é muito respeitado em Leshan e nos arredores.

“Todas as igrejas estão na rota certa do desenvolvimento sob a liderança do bispo Lei”, disse ele. “Ele é bastante amado por todos os membros da congregação”.
Quando autoridades da igreja chinesa reuniram-se em Leshan na semana passada para a ordenação do bispo, a planejada ordenação de um outro bispo na província setentrional de Hebei terminou de forma bem diferente.
O bispo eleito Joseph Sun Jigen, cuja ordenação havia sido aprovada pelo papa, teria sido obrigado a entrar em um carro da polícia três dias antes da cerimônia prevista. A cerimônia foi cancelada e, até o início desta semana, segundo os membros da paróquia, o candidato a bispo ainda estava detido.

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