As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de julho

domingo, 26 de agosto de 2012

Patrimônio histórico grego corre risco com a crise, alerta arqueóloga


Fonte: Portal UOL - 26/08/2012 - 09h15 | Fabíola Ortiz | Rio de Janeiro



Crise na Grécia obrigará que serviço de preservação da Acrópole seja realizado com menor efetivo.

Berço da civilização ocidental, da filosofia e da democracia, a cultura grega vive um período difícil devido à crise financeira, que coloca em risco os quase 20 mil sítios arqueológicos e monumentos históricos do país, além de 17 edificações tombadas como patrimônio mundial da UNESCO, como a Acrópolis em Atenas e a cidade medieval de Rhodes.
Sem recursos para financiar escavações arqueológicas, pagar os salários de profissionais e manter os museus, a Grécia vive um momento sem precedentes de escassez de recursos humanos e materiais, admitiu Marlen Mouliou, secretária do Comitê Internacional para Coleções e Atividades dos Museus das Cidades e membro do Conselho Internacional de Museus (ICOM).



“Não há dinheiro para a proteção de museus e patrimônios arqueológicos. O dinheiro chega especialmente de apoio europeu. O que mais a crise financeira afeta é a falta de recursos humanos e financeiros. É sempre um risco quando não temos recursos, pois assim não teremos pessoas suficientes para garantir a segurança”, afirmou Mouliou.
Durante o Encontro Internacional de Museus de Cidade, no Rio de Janeiro, a arqueóloga e museóloga grega falou ao Opera Mundi sobre os desafios de preservar o legado histórico secular no país em meio à política de austeridade que tem gerado cortes profundos nos orçamentos da Cultura.

Novo Ministério

Divulgação
Marlen Mouliou (FOTO À ESQUERDA), que leciona Museologia nas Universidades Nacional e de Capodistria de Atenas, afirma estar descrente quanto aos investimentos do governo na área da cultura nos próximos anos. Em junho, o então Ministério da Cultura e do Turismo foi desmantelado e fundiu-se a outras duas pastas, tornando-se o Ministério Helênico da Educação e Assuntos Religiosos, da Cultura e Esportes.

“Os recursos destinados sempre representaram menos de 1% do PIB. Agora, que nos juntamos ao ministério da Educação, serão ainda menores os recursos”, lamenta a pesquisadora.

Mouliou acrescentou ainda que, desde o ano passado, muitos profissionais de museus e de sítios arqueológicos foram dispensados ou tiveram sua aposentadoria antecipada de forma compulsória.

Cortes

Em junho, o sinal vermelho sobre a situação foi dado pela Associação de Arqueólogos Gregos, a qual faz parte Marlen Mouliou. Segundo a associação, dois mil funcionários do Ministério da Cultura foram demitidos e os arqueólogos que trabalham para o Estado sofreram cortes salariais de 10% a 40%.

A falta de pessoal obrigou os 216 museus espalhados pelo país a fecharem as portas para visitantes mais cedo. A segurança dos locais também foi afetada, segundo a especialista.

“Trabalhamos sob pressão. Temos que fazer o nosso trabalho em tempos ainda mais curtos. Tivemos que reduzir e apressar os trabalhos de escavações em obras de desenvolvimento do país, iniciados antes mesmo da crise. É uma luta, pois a sociedade precisa do desenvolvimento e a arqueologia tem suas metodologias e princípios que demandam tempo”, argumenta.

Questionada se os tesouros e os monumentos gregos estão em perigo, Mouliou rejeita esta possibilidade ainda que seja insuficiente o pessoal para fazer a segurança dos museus.

“As pessoas que trabalham com patrimônio cultural são muito dedicadas. Precisamos de recursos, mas também de administrar o que temos de forma sustentável. Precisamos fazer mudanças para manter uma boa gestão. Há realmente carência de recursos humanos, mas trabalha-se com muita paixão, o que certamente é algo importante”, ponderou.

Wikicommons 

População grega protesta nas ruas do país contra o corte de gastos realizado pelo governo para conter a crise econômica (03/07/2011)

Segundo a arqueóloga grega, os museus sempre foram locais seguros, mas adverte que o risco existe em sítios históricos mais afastados das cidades. “Especialmente em igrejas e mosteiros que estão isolados e abrigam um patrimônio cultural importante. São locais situados em áreas mais distantes e com menos população e onde precisamos de mais pessoas para salvaguardar”, ressaltou.

Alternativas
Para melhor preservar o legado milenar da cultura grega, Mouliou defende uma gestão mais responsável e a criação de redes entre museus domésticos e internacionais.

Uma outra forma de resguardar os monumentos é uma ajuda de financiamento por parte da União Europeia, que destina levas de recursos para projetos de preservação e conservação. O último pacote de ajuda ao patrimônio foi em 2011 e, segundo Mouliou, deve representar algo próximo a 200 milhões de euros em três anos.

As doações internacionais podem ser uma alternativa para sobreviver ao abalo econômico na Grécia, aponta a representante do Conselho Internacional de Museus. Ela afirma que o apoio internacional é bem-vindo, mas há “que se respeitar termos e condições, pois as antiguidades são de propriedade do Estado e vão continuar sendo. Isso não será negociado”, enfatizou.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Novos fósseis complicam a árvore genealógica humana

Fonte: Portal iG  São Paulo | 


Ossos de quase 2 milhões de anos encontrados no Quênia mostraram que pode haver espécies ainda não descobertas de ancestrais do ser humano

Alguns novos galhos da árvore genealógica humana, de quase dois milhões de anos de idade, acabam de ser descobertos. Uma tradicional família de paleontólogos encontrou novos fósseis que, de acordo com eles, confirmam sua teoria que existiram mais duas espécies de hominídeos além da que é ancestral do ser humano moderno.
Uma equipe liderada por Meave Leakey, nora do cientista britânico Louis Leakey, descobriu ossos faciais de uma criatura e maxilares de dois outros espécimes no Quênia. Isso levou os pesquisadores a concluir que o Homo erectus , considerado nosso ancestral direto, conviveu com outras espécies de hominídeos, e todos seriam aparentados entre si.
Mas outros especialistas não estão convencidos, e afirmam que as provas disso ainda são muito limitadas, continuando uma controvérsia sobre as origens humanas que dura cerca de 40 anos.
Em sua defesa, o grupo de Leakey diz que nenhum dos novos fósseis combina com o H. erectus . Segundo Meave, “eles têm um perfil muito distinto, então têm que ser algo diferente”, ao descrever o estudo publicado na edição desta semana do periódico científico Nature. 
As ossadas combinam, na verdade, com um crânio descoberto em 1972 por Meave e seu marido Richard, que sempre intrigou a comunidade científica. O fóssil, conhecido como 1470, não se enquadrava no que se sabia do Homo erectus , defendia o casal. Segundo eles, o rosto é reto demais, com um maxilar sem projeção. Inicialmente, ele foi datado como tendo 2,5 milhões de anos, e depois a datação foi corrigida para 2 milhões de anos.
O debate se estende há 40 anos: por um lado, cientistas argumentando que o 1470 poderia ser apenas um H. erectus deformado, e os Leakeys afirmando que se tratava de algo novo, e que isso significava que havia mais de uma espécie de hominídeos primitivos.
A nova descoberta reforça a teoria de que se trata de que o 1470 se trata de uma espécie separada, afirma Fred Spoor, do Instituto Max Planck da Alemanha e coautor do estudo. As novas ossadas foram encontradas entre 2007 e 2009 a dez quilômetros de distância da região do Lago Turkana, onde foi encontrado o 1470. Então seriam duas espécies – Homo erectus e a espécie representada pelo 1470.
Mas a coisa se complica ainda mais. A equipe de Leakey afirma que outros fósseis antigos – além dos citados no novo estudo – não se encaixam nem com o erectus nem com o 1470. Eles teriam cabeças menores, e isso não seria porque são fêmeas, como seria de se supor. Por causa disso, a equipe diz que na verdade seria três espécies diferentes de hominídeos vivendo no Quênia entre 1,8 e 2 milhões de anos atrás. Seriam o Homo erectus , a espécie do 1470 e uma terceira. Segundo Meave, as duas novas espécies foram extintas há mais de um milhão de anos, sem deixar descendentes. “A evolução humana não é mais uma linha reta, como antes se acreditava”, disse Spoor.
As três espécies teriam vivido ao mesmo tempo e no mesmo lugar, mas provavelmente não interagiam muito, afirmou o cientista. Ainda assim, o leste africano teria sido “um lugar bem cheio”.
O que tornou tudo mais confuso foi o fato do grupo não querer nomear as supostas novas espécies, nem identificá-las com espécies de hominídeos já propostas, mas ainda não completamente estabelecidas.
As possibilidades seriam Homo rudolfensis – a qual o 1470 e seus semelhantes parecem pertencer – e o Homo habilis , onde os outros não- erectus se encaixam, disse a coautora Susan Anton, da New York University.
Mas Tim White, biólogo evolucionista da Universidade da Califórnia em Berkeley, e Mildred Wolporff, professora de antropologia da Universidade de Michigan, não estão convencidos. Eles dizem que a conclusão de Meave Leakey é muito grande para poucas provas.
Segundo White, o que a cientista fez é análogo a comparar o maxilar de uma ginasta nas Olímpiadas com a de um arremessador de peso, ignorar outros rostos e afirmar que os dois são de espécies diferentes. Já o paleoantropólogo do Lehman College em Nova York Eric Delson disse acreditar no estudo dos Leakeys, mas ressalta que as conclusões não serão definitivas até que se encontrem ossadas de ambos os sexos das espécies não- erectus . “É um período muito confuso,” disse.

terça-feira, 31 de julho de 2012

MASP recebe obras do italiano Caravaggio que saem da Itália pela primeira vez



  • Fonte: Portal UOL Mariana Pasini
    Do UOL, em São Paulo

    "Medusa Murtola", de Caravaggio, apenas recentemente teve sua autoria comprovada
    "Medusa Murtola", de Caravaggio, apenas recentemente teve sua autoria comprovada
Apreciar ao vivo uma pintura do mestre italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571–1610) não é uma das tarefas mais fáceis. No mundo há apenas cerca de 66 obras unanimemente reconhecidas com a autoria do italiano e a maioria pertence a igrejas, de onde quase nunca saem para compor exposições internacionais. Quando compõem o acervo de museus, é raríssimo conseguir um empréstimo.
Esses são apenas alguns dos motivos que tornam imperdível a mostra “Caravaggio e seus seguidores”, em cartaz no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) a partir da quarta (1º) até 30 de setembro. Segundo o curador Fábio Magalhães, foram necessários três anos para organizar a mostra, que conta com obras de coleções particulares e dos museus Galleria Borghese, Palazzo Barberini (ambos de Roma) e Galleria degli Uffizi (Florença).

Os ‘caravaggescos’ [pintores influenciados por Caravaggio] não ficam mal na exposição. São obras muito boas e de grandes artistas
Fábio Magalhães, curador da mostra no Brasil. Na foto, obra da pintora Artemisia Gentileschi, uma das seguidoras
Dessa vez são sete os trabalhos de Caravaggio, entre os atribuídos e os reconhecidos, que poderão ser conferidos pelo público – muito diferente das mostras dedicadas ao italiano no Brasil que, em 1989 e 1954, traziam, respectivamente, duas e três pinturas.
A exposição é dividida em três partes: trabalhos definitivamente reconhecidos como sendo do italiano, pinturas cuja autoria apenas recentemente foi comprovada e “obras-problema”, cujo autor ainda não foi definido e permanece em discussão. “São Francisco em meditação”, “São Jerônimo que escreve” e “Retrato do Cardeal” compõem a primeira parte. “Medusa Murtola”, pela primeira vez no Brasil (assim como o "Retrato"), é uma descoberta recente. Já “São João Batista que alimenta o Cordeiro”, "São Januário degolado ou Santo Agapito" e uma cópia de "São Francisco em meditação" estão no último grupo.
“O que essa mostra tem de interessante é toda essa questão atributiva”, explica Magalhães. O curador aponta que houve uma grande reviravolta nos últimos anos por conta dos novos meios tecnológicos para se comprovar a autoria do italiano, como a análise dos fios das telas, o que permitiu descobertas.

Caravaggio trabalha com o drama humano diante da existência e a fragilidade da vida, o erotismo e a carnalidade, além do poder sobre as pessoas exercido pela violência

A cópia de “São Francisco em Meditação”, feita na época em que a original foi pintada, será exposta logo ao seu lado para que o público possa compará-la. Segundo Magalhães, a reprodução é tão extraordinária que existe a possibilidade de ter sido pintada pelo próprio Caravaggio, já que era comum entre os pintores da época copiar seus próprios quadros, o que a coloca entre as "obras-problema". Uma reprodução da obra "Os Trapaceiros" também figura na mostra, mas definitivamente não é da autoria do italiano segundo o curador.
Fábio Magalhães, curador no Brasil de "Caravaggio e seus seguidores"
Os caravaggescos
Além das pinturas do italiano, 14 das que compõem a exposição são dos chamados “caravaggescos”, pintores que foram influenciados pelo mestre italiano.
Eles estão divididos entre primeira geração, que conviveu com o pintor, e a seguinte, que foi influenciada por ele, mas após sua morte. Magalhães garante que eles também ganham destaque na mostra. “Os ‘caravaggescos’ não ficam muito mal na exposição, são obras muito boas e de grandes artistas.” A “Madalena desmaiada”, da italiana Artemisia Gentileschi, é uma das pinturas de maior destaque.
Temas contemporâneos e comportamento explosivo
Expoente do barroco, as obras do italiano são carregadas de drama e feitas com a técnica do “chiaroscuro”, ou “claro-escuro”, que destaca o tema representado em primeiro plano com um feixe de luz em contraste com um fundo escuro. O pintor também é conhecido pelo temperamento explosivo, o que o levou a uma série de brigas e fugas de diversas cidades, inclusive Roma, onde foi lançado um prêmio pela sua cabeça.
Para Magalhães, Caravaggio influenciou a arte de maneira definitiva não só pela sua técnica realista, mas também pela escolha de temas. “O artista trabalha com o drama humano diante da existência e a fragilidade da vida, o erotismo e a carnalidade, além de um dos mais contemporâneos, que é o poder sobre as pessoas exercido pela violência”, enumera.
"Caravaggio e seus seguidores" ficou em cartaz em Belo Horizonte entre 22 de maio e 22 de julho, onde recebeu cerca de 86 mil pessoas. De São Paulo, a exposição parte para Buenos Aires.
Serviço
Caravaggio e seus seguidores
Quando:
 1º de agosto a 30 de setembro (abertura ao público em 2 de agosto); de terças a domingos e feriados, das 11h às 18h; às quintas, das 11h às 20h.
Onde: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) - Av. Paulista, 1578
Quanto: R$ 15 (inteira) e R$ 7 (meia). A bilheteria fecha meia hora antes. Às terças, acesso gratuito.
Mais informações: www.masp.art.br/masp2010



terça-feira, 24 de julho de 2012

Na Itália, arqueólogos desenterram ossada que pode ser da 'Mona Lisa'

24/07/2012 13h16- Atualizado em 24/07/2012 Fonte: Portal G1

Pesquisadores submeterão restos mortais a testes de confirmação.
Esqueleto achado em convento na quarta (17) pode ser de Lisa Gherardini.


Uma equipe de arqueólogos italianos desenterrou nesta terça-feira (24) em um convento abandonado de Florença, na Itália, um esqueleto muito bem conservado que pode ser de La Gioconda, a mulher do sorriso misterioso que Leonardo Da Vinci imortalizou no célebre quadro da "Mona Lisa".

Até agora foram descobertos vários corpos na busca pelos restos mortais de Lisa Gherardini, a nobre florentina que pode ter sido o modelo do retrato que Da Vinci pintou entre 1503 e 1506. Segundo Silvano Vinceti, diretor da equipe de arqueólogos, este esqueleto em particular é muito promissor, mas ainda será preciso fazer testes pra comprovar sua identidade.

"Creio que chegamos à parte realmente emocionante para os investigadores, a conclusão de nosso trabalho no qual nos aproximamos da pergunta-chave: encontraremos ou não os restos de Lisa Gherardini?", afirmou Vinceti, especialista na solução de mistérios da História da Arte.

Esqueleto encontrado no último dia 17 de julho em convento de Florença, na Itália, que pode ser da suposta modelo que posou para Leonardo da Vinci durante a produção da Mona Lisa. (Foto: Andreas Solaro/AFP)

Esqueleto encontrado no último dia 17 de julho em convento de Florença, na Itália, que pode ser da suposta modelo que posou para Leonardo da Vinci durante a produção da Mona Lisa. (Foto: Andreas Solaro/AFP)

Os arqueólogos começaram a cavar no ano passado, quando novos documentos confirmaram que Gherardini, a esposa de um rico negociante de seda florentino chamado Francesco del Giocondo, viveu no convento depois da morte de seu marido, onde suas duas filhas freiras cuidaram dele e onde, em seguida, ela foi enterrada.

Acredita-se que Del Giocondo encomendou o retrato a Da Vinci e, apesar de não existirem provas tangíveis, a maioria dos historiadores está de acordo que Lisa Gherardini serviu de modelo para o retrato que hoje pode ser admirado no Louvre de Paris.

'Monalisa', um dos quadros mais famosos de Leonardo da Vinci (Foto: Reprodução/Wikicommons)
'Monalisa', um dos quadros mais famosos de
Leonardo da Vinci (Foto: Reprodução/Wikicommons)

Reconstituição do rosto

Os pesquisadores submeterão agora os restos do esqueleto conservado a uma série de testes para confirmar se pertencem a Gherardini, na esperança de reconstruir seu rosto e compará-lo com os traços faciais da pintura de Da Vinci.

"Os testes com carbono-14 nos permitem datar o período para saber se os restos são de meados do século XVI. Depois faremos testes para conhecer a idade da pessoa quando morreu. Sabemos que Gherardini tinha 62 ou 63 anos quando morreu", afirmou Vinceti.

"Depois vem o teste mais importante, o do DNA, porque temos os restos mortais de suas filhas. Se corresponderem, saberemos que são os restos da modelo que inspirou a Mona Lisa", acrescentou o arqueólogo, que também preside o Comitê Nacional Italiano para o Legado Cultural.

Se for confirmada a identidade do esqueleto, os investigadores iniciarão um processo de dois meses para reconstruir o rosto.

"Os traços fundamentais serão claramente visíveis. Já tentamos com Dante Alighieri, quando reconstruímos seu rosto. Seremos capazes de deixar para trás as hipóteses e comparar realmente o rosto reconstituído da musa que inspirou o artista", explica o especialista.

A identidade da Mona Lisa e de seu enigmático sorriso são um dos grandes mistérios da História da Arte e os arqueólogos da equipe italiana asseguram que é emocionante estar tão perto de desvendá-lo.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Físicos encontram provável 'partícula de Deus'

FONTE: Folha de São Paulo - Caderno Ciência - 04/07/2012
SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


Após anos de espera, imprevistos, problemas técnicos e muito suor, os físicos do LHC (Grande Colisor de Hádrons), maior acelerador de partículas do mundo, anunciaram a descoberta de uma nova partícula. E eles acreditam que seja o famoso bóson de Higgs.



Caso isso seja confirmado, será o coroamento da teoria científica mais bem-sucedida de todos os tempos --o chamado Modelo Padrão, que explica como se comportam todos os componentes e forças existentes na natureza, salvo a gravidade (explicada pela relatividade geral).
Contudo, cabe atenção para a formulação cuidadosa das afirmações dos pesquisadores.

Em seu último relatório, no fim do ano passado, eles já sugeriam ter encontrado algo, mas não descartavam um alarme falso.


Agora, eles já cravam categoricamente a existência da nova partícula. Só não admitem com todas as letras que se trata da almejada "partícula de Deus".


"Apesar de os eventos [de colisões de partículas no acelerador] sugerirem que estejamos diante do bóson de Higgs, a confirmação de que se trata realmente da partícula predita requer mais medidas comparativas", afirma Sérgio Novaes, físico da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e membro da Colaboração CMS, um dos dois experimentos do LHC que servem de base para o anúncio.


Ossos do ofício, num esforço que envolve análise de dados de milhões de colisões de partículas para que, estatisticamente, seja possível chegar a alguma conclusão definitiva.
De toda forma, o novo achado dá toda pinta de que se trata mesmo do almejado bóson.





Entre os convidados no auditório estava ninguém menos que o escocês Peter Higgs, 83 anos, físico que propôs (simultaneamente a outros) na década de 1960 um mecanismo de como as partículas adquirem sua massa e, com isso, emprestou seu nome ao famoso bóson.

Claramente emocionado, com os olhos marejados, Higgs disse aos colegas: "É incrível que isso tenha acontecido durante a minha vida".
Higgs reconheceu o mérito do LHC, um acelerador de partículas de 27 quilômetros, construído de forma circular e subterrânea na região da fronteira franco-suíça.
Em nota, o cientista acrescentou: "Nunca esperei que isso fosse acontecer na minha vida, e devo pedir à minha família para colocar champanhe na geladeira."


SEM ERRO

Os cientistas descartam a essa altura que alguma flutuação estatística seja responsável pelo achado.
A probabilidade de não ser uma nova partícula, e sim algum engano, é de menos de 1 em 1,7 milhão. Cometer um erro desses é tão improvável quanto ganhar na loteria.
Ainda mais porque o resultado é confirmado pela combinação de dois experimentos do LHC Atlas e CMS e está alinhado com os dados obtidos pelo Fermilab, nos Estados Unidos, com seu antigo acelerador Tevatron, hoje desativado.

CONCORRÊNCIA

Na segunda-feira, os americanos chegaram a divulgar suas últimas análises dos velhos dados, que mostravam a indicação de uma partícula com as características do bóson de Higgs e uma energia entre 115 e 135 giga-elétronvolts (GeV), com 90% de confiança.
Entretanto, ainda estava longe do grau de exigência da comunidade para tratar o resultado como uma descoberta.

O físico escocês Peter Higgs, que propôs um mecanismo de como as partículas adquirem sua massa
O físico escocês Peter Higgs, que propôs um mecanismo de como as partículas adquirem sua massa


Somente agora, com os resultados do LHC é possível cravar a existência da nova partícula, com energia de 125 GeV.

FIM OU RECOMEÇO?


A descoberta do Higgs há anos é apresentada como a principal motivação para a construção do LHC. Agora que a partícula provavelmente foi encontrada, pode ficar para o público uma sensação de vazio. Mas o sentimento não é compartilhado pelos físicos.

"Em primeiro lugar, há um equívoco em associar o LHC só ao bóson de Higgs", afirma Ronald Shellard, físico de partículas do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e vice-presidente da SBF (Sociedade Brasileira de Física).

"Todos concordamos que o bóson de Higgs não vale US$ 10 bilhões. Essa máquina, o LHC, foi concebida para explorar o Universo além do Modelo Padrão. A descoberta do Higgs coroa o maior feito intelectual da história da humanidade até agora, uma teoria que explica uma infinidade de fenômenos naturais", disse. "Mas, para o LHC, ela é apenas o começo."







sábado, 30 de junho de 2012

Acordo de conferência para paz na Síria deixa em aberto permanência de Assad

Fonte: Portal iG 30/06/2012

Reunidos em uma conferência em Genebra, membros da comunidade internacional alcançaram neste sábado um acordo para pôr fim à violência e levar a paz à Síria, mas deixaram em aberto se o presidente Bashar al-Assad poderia fazer parte do governo de transição.
Encontro em Genebra: Pessimismo domina reunião de Annan para discutir paz na Síria

AP
Kofi Annan, enviado especial para a Síria (C), conversa com secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (E), e chanceler russo, Sergei Lavrov

Anti-Assad: Opositores da Síria denunciam dia mais mortal desde início de levante
O enviado da ONU para a Síria, Kofi Annan, disse que a conferência internacional concordou que seja formado um governo de transição para o país. Segundo ele, a nova administração deve ter "poderes executivos totais" e ter integrantes da oposição e do atual governo, mas não está claro se Assad a integraria.
Os EUA desistiram das reivindicações de incluir no texto a obrigatoriedade de que Assad fosse excluído, esperando que a concessão encorajaria a Rússia a impor mais pressão sobre seu antigo aliado para parar a violenta repressão que, segundo a oposição, deixou mais de 14 mil mortos.
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, mesmo assim insistiu depois que Assad deveria deixar o poder, afirmando que agora é "incumbência da Rússia e da China mostrar a Assad que seu futuro já está predeterminado".
Moscou se recusou a apoiar uma moção que conclamaria Assad a renunciar, reiterando que forças externas não podem ordenar uma solução política para a Síria.
Annan disse que, depois das negociações, "cabe à população síria chegar a um acordo político". "Duvido que os sírios que lutaram tanto por sua independência escolherão pessoas com sangues nas mãos para liderá-los", disse.
Annan pediu também por um cessar-fogo imediato e a implementação do plano de paz da ONU e que agências humanitárias tenham acesso imediato aos necessitados.
Previamente, Annan alertou aos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — EUA, Rússia, China, França e Reino Unido — de que, se fracassassem no encontro abrigado pela ONU em sua sede europeia na Suíça, enfrentariam uma crise de "severa gravidade" que poderia desatar violência em toda a região e oferecer um novo front para o terrorismo.
"A História nos julgará com dureza se nos provarmos incapazes de seguir o caminho correto hoje (sábado)", disse Annan aos chanceleres reunidos em Genebra, alertando que os participantes seriam responsabilizados caso continuem ocorrendo mortes no país e pela ameaça de que o conflito se torne internacional.

Membros do Exército Livre da Síria são vistos em bairro de Damasco (28/06)

Pareceu que suas palavras eram direcionadas para a Rússia, o mais importante aliado da Síria. Os EUA têm insistido que Assad não deveria ter permissão de continuar no poder no topo de um governo de transição, e há pouca chance de que a fragmentada oposição síria apoie qualquer plano que não explicite a necessidade de o presidente sírio renunciar.
Participaram da reunião do Grupo de Ação para a Síria os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança mais Turquia, Iraque, Kuwait e Catar. A Rússia e a China, que tem seguido as diretrizes russas no conflito, vetaram por duas vezes sanções que puniriam o regime de Assad.
As grandes potências regionais Irã e Arábia Saudita não foram convidadas. Os russos se opõem aos sauditas, que apoiam a oposição síria. Os EUA se opõem ao Irã, que apoia o governo Assad.
Sem um acordo entre as potências sobre como formar um governo de transição no país árabe, o regime de Assad - o aliado mais próximo do Irã - seria encorajado a tentar se manter no poder indefinidamente, o que complicaria os esforços dos EUA de paralisar os objetivos nucleares de Teerã.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Até mesmo a Grécia antiga sofre com a austeridade

Cortes de orçamento fecham museus e aumentam roubos a relíquias gregas, mas prejuízo com demissões de arqueólogos e historiadores será maior no longo prazo

The New York Times- Randy Kennedy, de Kythira, Grécia |
 
Galerias do Museu Arqueológico Nacional em Atenas: fechadas ao público pelo corte de orçamento. Foto: Eirini Vourloumis/ The New York Times

Uma chocante propaganda veiculada recentemente na televisão grega com o objetivo de sensibilizar o público mostra uma menininha passeando com sua mãe pelo Museu Nacional Arqueológico, em Atenas, uma das joias da cultura do país. A menina sai de perto de sua mãe e fica olhando para uma estátua de mármore de 2.500 anos de idade, quando uma mão aparece e cobre sua boca, tirando-a de lá.
Alguns segundos mais tarde, ela reaparece sem ferimentos, olhando com tristeza para um pedestal vazio: os sequestradores não queriam a menina – eles queriam a estátua.
Saiba tudo sobre: Crise Econômica
A propaganda, produzida pela Associação de Arqueólogos da Grécia, serve como um lembrete do roubo à mão armada de dezenas de artefatos de um museu em Olympia, no mês de fevereiro, em meio ao contínuo corte de seguranças nos museus de todo o país. Mas a principal mensagem da campanha – "Monumentos não têm voz. Eles precisam da sua" – foi um ataque muito mais amplo aos profundos cortes orçamentários na área de cultura, realizados como parte das medidas de austeridade impostas à Grécia pelos órgãos econômicos europeus.


Eirini Vourloumis/The New York Times
Museu Arqueológico Nacional, que fecha às tardes devido aos cortes de pessoal

Os efeitos dos cortes na cultura já podem ser sentidos pelo público em todo o país, à medida que galerias e museus inteiros sofrem com fechamentos esporádicos.
Leia mais: Nascimento de novo dracma grego seria doloroso
Entretanto, arqueólogos e curadores gregos e de outros países alertam que as verdadeiras consequências dos cortes não serão aparentes nos próximos anos e serão muito piores para as antiguidades e para a pesquisa histórica.
Ao longo dos últimos seis meses, dezenas dos arqueólogos mais experientes que trabalhavam para o Estado – aqueles com mais anos de serviços prestados e com os salários mais altos, 1550 euros por mês – foram forçados a se aposentar, como parte da redução de 10% no número de funcionários do Ministério da Cultura e do Turismo. Além disso, em função de aposentadorias normais e demissões voluntárias, ao longo dos últimos dois anos, a equipe de arqueólogos passou de 1100 para 900 pessoas, de acordo com a associação, que é também o sindicato que representa os arqueólogos.
Em um momento no qual os impostos estão sendo aumentados, as aposentadorias cortadas e a taxa de desemprego passa de 21%, esse êxodo passou despercebido em meio à triste paisagem econômica do país. Mas os especialistas afirmam que os cortes estão começando a causar exatamente aquilo que a propaganda previu: o desaparecimento de antiguidades. Os principais culpados não são os ladrões de museus, nem os saqueadores de sítios arqueológicos, mas duas forças mais ameaçadoras e que agora são ainda menos controláveis: o meio ambiente e os tratores das construtoras.


Eirini Vourloumis/The New York Times
Aris Tsaravopoulos, arqueólogo forçado a se aposentar em Novembro, separa pedaços de cerâmica minoica do segundo milênio antes de Cristo que não receberão atenção

No leito seco de um rio da ilha de Kythira, durante uma manhã no fim de abril, Aris Tsaravopoulos, um arqueólogo que perdeu seu cargo público em novembro, apontou um sítio onde uma parte da margem desmoronou durante uma tempestade, alguns meses antes.
Leia: Entenda a crise na Grécia e suas implicações
Ao longo de toda a margem próxima ao Mediterrâneo, havia centenas de fragmentos de cerâmica minoica, provavelmente do segundo milênio antes de Cristo, alguns dos quais com padrões florais pintados em vermelho vivo e ainda aparentes.
Tsaravopoulos, que coordenou os projetos arqueológicos e supervisionou escavações de equipes estrangeiras na ilha durante mais de 15 anos, afirmou que acreditava que o sítio poderia ser parte de uma tumba ou de um antigo despejo.


Eirini Vourloumis/The New York Times
Tsaravopoulos, arqueólogo forçado a se aposentar, na entrada da caverna sagrada Chousti, na ilha de Kythira: o que ele faz, agora, é avisar ex-colegas sobre preciosidades

Há alguns anos Tsaravopoulos teria organizado uma escavação de emergência em um local como aquele. Agora, ele não pode fazer nada além de alertar seus colegas do serviço arqueológico nacional, que já estão sobrecarregados, e ele tem poucas esperanças de que qualquer trabalho de resgate seja feito a tempo: desde sua aposentadoria forçada, no último outono, Kythira, uma ilha um pouco maior do que Malta e com uma população pequena, a cerca de seis horas de barco de Atenas, não havia sido visitada por qualquer arqueólogo do governo.
Naturalmente, desde muito antes da crise econômica, sítios eram perdidos ou mantidos de forma precária, em parte como consequência da enormidade que representa a preservação do passado do país. Em Kythira, ainda podem existir dezenas de sítios inexplorados; o lugar comum grego, de que não se pode virar uma esquina sem tropeçar em uma antiguidade, às vezes parece ser literal. (O país tem 19mil sítios arqueológicos e monumentos oficiais e 210 museus de antiguidades.)
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"Eu acredito que o ministério poderia dobrar ou triplicar o número de arqueólogos que contrata – e também o número de seguranças – e ainda assim não haveria gente suficiente", afirmou Pavlos Geroulanos, que era ministro da cultura e do turismo até o dia 6 de maio, quando o governo interino foi nomeado. Geroulanos supervisionou as demissões e as aposentadorias forçadas quando seu orçamento operacional anual foi diminuído em 30% ao longo dos três últimos anos. "Há tantas coisas lá fora, tanto trabalho que precisa ser feito", afirmou.


Eirini Vourloumis/The New York Times
A arqueóloga Gely Fragou trabalhou por vários anos sob contratos para o governo grego. O último terminou em 2010 e não foi renovado

Mas agora, a burocracia arqueológica atrasada e ineficiente da Grécia, que durante anos esteve entre as maiores da Europa (onde, em muitos países, o Estado desempenha uma função central nessa área), está enfrentando uma queda tão brusca em seus recursos que começa a delegar sua responsabilidade pelo patrimônio cultural, que esteve sob seu controle por mais de 150 anos.
Para muitos arqueólogos gregos e pesquisadores de outros países que escavam com a permissão do governo, uma repercussão ainda mais preocupante da austeridade orçamentária é o fato de que as licenças de pesquisa dos arqueólogos do governo estão sendo canceladas, e o dinheiro destinado para suas escavações já não está sendo fornecido, a menos que eles encontrem fontes para compartilhar os custos.
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Um dos efeitos é o de que os arqueólogos gregos estão sendo forçados a se concentrar quase exclusivamente no lado mais burocrático de sua profissão: inspecionar áreas de construção para averiguar a presença de antiguidades enterradas. Essa é uma tarefa fundamental, mas que agora, mesmo com a desaceleração do desenvolvimento durante a crise, ocupa a maior parte de seu tempo. Isso significa que a pesquisa universitária está sendo deixada de lado indefinidamente e, em alguns casos, para sempre.

Eirini Vourloumis/The New York Times
Tsaravopoulous, numa igreja bizantina na ilha de Kythira: máquinas pesadas destroem peças, em sítios arqueológicos

Um arqueólogo americano com décadas de experiência na Grécia, que pediu que seu nome fosse mantido em segredo, com medo de sofrer retaliações das autoridades do governo nesta época de incertezas, afirmou: "Ninguém na Grécia escava tanto quanto o serviço arqueológico do governo. E se eles não puderem publicar seus achados, talvez deixem de procurá-los; talvez voltem, simplesmente, a enterrá-los".
Geroulanos, que foi ministro da cultura por dois anos e meio, um período extremamente longo em meio às trocas de alianças políticas na Grécia, afirmou que os profundos cortes de pessoal eram inevitáveis se ele quisesse provar que o ministério era capaz de viver com sua própria renda, assim como o resto da Grécia está sendo obrigado a fazer.
"Nós estamos em um momento", afirmou durante uma entrevista em seu escritório em Atenas, "no qual eu posso dizer com segurança que cada centavo dado ao ministério será bem gasto".
Mesmo que o orçamento do ministério tenha caído ano apos ano, durante seu mandato, ele afirmou que foi capaz de completar projetos importantes, como a modernização das instalações em mais de 100 sítios arqueológicos de acesso público do país. Ao longo dos últimos três anos a Grécia também foi capaz de competir com sucesso por dezenas de milhões de euros que a União Europeia disponibilizou para projetos arqueológicos. Mas os críticos afirmam que esses poucos pontos positivos são insignificantes em vista dos danos irreversíveis que já estão acontecendo.
Na ilha de Kythira, Tsaravopoulos visitou recentemente um terreno com algumas árvores, após uma informação de um amigo, segundo o qual uma escavadeira estaria trabalhando no local sem autorização, nem uma inspeção das autoridades. Ele chegou ao local e encontrou uma estrada de terra improvisada, esculpida em meio à montanha, salpicada com dezenas de pedaços quebrados de cerâmica do período helênico e do início do período romano.
Quando estava indo embora, o proprietário chegou com sua família e teve uma conversa cortês no meio da estrada com Tsaravopoulos, que o conhecia, antes de irem embora.
"Ele me disse que não percebeu que havia danificado quaisquer artefatos e que sentia muito", afirmou Tsaravopoulos. "E então, ele me disse muito amigavelmente: 'Aris, eu soube que você teve de se aposentar. Eu sinto muito por isso'. Ele sabe que eu não tenho mais poder para evitar que as pessoas façam buracos onde elas bem entenderem."