As Ricas Horas do Duque de Berry

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As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de outubro

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A visita do papa num país majoritariamente ateu

France Presse
22/09/2011 14h30 - Atualizado em 22/09/2011 15h33

Bento XVI pediu a alemães e europeus que retornem origens de sua cultura.

'Respeito os que se manifestam', disse o pontífice.

Da France Presse
O Papa Bento XVI iniciou nesta quinta-feira (22) uma visita de quatro dias à Alemanha dizendo compreender as pessoas que abandonam a Igreja Católica em função dos escândalos de abusos sexuais e pedindo aos alemães e aos europeus que retornem às origens de sua cultura.
"Posso compreender que diante de tais informações, as pessoas, principalmente as que são próximas das vítimas, digam 'esta não é mais a minha Igreja'", declarou aos jornalistas a bordo do avião que o levou a Berlim.

Também fez referência às manifestações de repúdio que o aguardam na Alemanha, explicando não ter nada contra protestos que são organizados de maneira civilizada. "É normal em uma sociedade livre marcada por uma forte secularização", afirmou o pontífice, antes de acrescentar: "Respeito os que se manifestam".

O Papa foi recebido pela chanceler Angela Merkel em Berlim, onde realiza uma visita oficial e pastoral que inclui atividades políticas e ecumênicas, mas também deve enfrentar algumas dificuldades.
A viagem inclui três etapas - Berlim, Erfurt e Freiburg -, com uma agenda pesada para o pontífice de 84 anos. Ele pronunciará 19 discursos, incluindo o que fez nesta quinta-feira no Parlamento alemão, o célebre Bundestag.

Bento XVI chega a estádio para missa no papamóvel, em Berlim  (Foto: Gero Breloer/AP)

Em seu primeiro discurso no país, no castelo Bellevue de Berlim, onde foi recebido pelo presidente da República, Christian Wulff, com honras militares, o Papa afirmou que faz sua primeira visita ao país natal para falar de Deus. "Não vim aqui fundamentalmente por determinados interesses políticos ou econômicos, como fazem outros homens de Estado, e sim para ver as pessoas e falar de Deus", declarou.

O primeiro Papa alemão em 500 anos também fez referência ao passado nazista do país. "Um olhar claro sobre as páginas escuras do passado nos permite aprender e receber impulsos para o presente", declarou.
O presidente alemão pediu à Igreja Católica que viva na realidade e de acordo com sua época. "A Igreja e o Estado estão separados em nosso país, com boas razões. Mas a Igreja não é uma sociedade paralela. Vive nesta sociedade, neste mundo e nesta época. É por isso que ela também deve enfrentar novas questões", disse o católico Wulff.

Manifeastantes carregam bandeira em protesto contra a visita do Papa Bento XVI, em Berlim (Foto: Pawel Kopczynski/Reuters)

Na quarta-feira, Wulff afirmou que a Igreja deveria ser mais compreensiva com os divorciados. O presidente alemão se divorciou em 2007 e voltou a casar no ano seguinte. O Vaticano não reconhece o divórcio.
Por outro lado, em seu discurso aos deputados alemães, o Papa alertou contra as leis contrárias à liberdade e a dignidade humanas, pedindo aos europeus que voltem às origens de sua cultura.

"Em um momento histórico, no qual o homem adquiriu um poder até agora inimaginável (...) tem a capacidade de destruir o mundo. Pode-se manipular a si mesmo. Pode, por assim dizer, fazer seres humanos e privar de sua humanidade outros seres humanos", afirmou, fazendo alusão aparentemente à seleção genética e ao aborto terapêutico.

Segundo o Papa, os Direitos Humanos, a igualdade de todos diante da lei, a inviolabilidade da dignidade humana encontram sua origem na fé em um "Deus criador". "A cultura da Europa nasceu do encontro entre Jerusalém, Atenas e Roma, do encontro entre a fé no Deus de Israel, na razão filosófica dos gregos e o pensamento jurídico de Roma". "Este triplo encontro configura a íntima identidade da Europa", enfatizou.
Esta não é a primeira vez que um Papa fala ante o parlamento de um país europeu, já que João Paulo II discursou na Polônia e na Itália.

Protestos
Uma série de manifestações de protestos, convocadas pelas vítimas de padres pedófilos, foi organizada nas três cidades que o Papa visitará.

Milhares de pessoas se reuniram na Potsdamer Platz, uma das principais praças da capital alemã, para dar início aos protestos no momento em que o Papa iniciava seu discurso no Bundestag.
Exibindo cartazes com a inscrição "Papa go home", os participantes na manifestação fazem parte de associações homossexuais, de ateus ou de vítimas de abusos sexuais por parte de padres.

"Em nossa Constituição está escrito que todas as religiões devem ser tratadas igualmente. Para mim, este convite (para pronunciar um discurso no Bundestag) não respeita esta disposição", declarou o deputado social-democrata (SPD-oposição federal), Rolf Schwanitz, que participa na manifestação.
Apesar de as denúncias contra padres pedófilos serem menor que as registradas em países como Irlanda e Estados Unidos, inúmeros católicos alemães decidiram abandonar a Igreja católica para manifestar sua indignação.

Fontes vaticanas não excluem que o Papa acabe recebendo algumas vítimas dos abusos sexuais cometidos por padres, como já o fez em outras viagens, um gesto que sempre é apreciado.
A associação de vítimas de padres católicos pedófilos, a SNAP, fundada nos Estados Unidos, avivou o tema na semana passada, depois de apresentar uma denúncia contra o Papa e outros três hierarcas da Igreja ante o Tribunal Penal Internacional por "crimes contra a humanidade", uma ação basicamente simbólica, mas que poderá ofuscar a visita papal.

Além dos escândalos de pedofilia, alguns setores católicos alemães pedem reformas mais profundas dentro da Igreja, enquanto outros rejeitam a visita do pontífice alemão por considerá-lo muito retrógrado.
Segundo as pesquisas, a maioria dos alemães é indiferente à chegada do Papa.

Um comentário:

  1. Ainda bem que eles não são burros o bastante para dar ouvidos ao papa. Eu no lugar de um chefe supremo de uma nação jamais permitiria a vinda do papa ao meu país ou de qualquer líder religioso.

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