As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de outubro

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Mundo romano (Parte II)

A CRISE DA REPÚBLICA

Sila ainda teve que se ocupar de  uma revolta de escravos liderados por Spartacus às portas de Roma, o que expôs a fragilidade da cidade que dominava o mundo. O general Crasso foi responsável pela derrota de Spartacus, que foi derrotado e executado, sendo que cerca de 4000 escravos foram feitos prisioneiros e crucificados ao longo da Via Ápia para servirem de exemplo àqueles que ousassem a desafiar o poder romano.

A crise em que a República se encontrava foi parcialmente resolvida com uma espécie de “acordo de cavalheiros” onde o Senado partilharia o poder com três generais que seriam nomeados cônsules, aliança política e militar romana que passou para a história com o nome de Triunvirato.
O Primeiro Triunvirato era formado pelos generais Júlio César, Pompeu e Crasso. Este último obteve o Oriente; Pompeu ficou com Roma e Espanha, e Júlio César teve a responsabilidade de completar a conquista da Gália.




Com a morte de Crasso, que estava combatendo no Oriente, Pompeu decidiu anexar para si o território do triúnviro morto. Ao mesmo tempo, imaginava angariar o apoio do Senado para destituir Júlio César e tornar-se único mandatário.

Sabendo dos planos de Pompeu, César iniciou seu retorno. Atravessou o Rio Rubicão, fronteira entre os territórios dos dois triúnviros e, à frente de suas tropas, teria pronunciado a frase “Alea jacta est” (a sorte está lançada em latim). Acuado e isolado, Pompeu fugiu para a Grécia com César em seu encalço e, posteriormente, procurou abrigo junto ao príncipe Ptolomeu XIII, do Egito, mas acabou assassinado por ordem deste.
Ao saber da morte de Pompeu, Júlio César destronou Ptolomeu e colocou em seu lugar a irmã do faraó: Cleópatra VII, com a qual, depois, manteve um notório romance. O Egito já era, nessa época, um reino enfraquecido e que não tinha alternativa, senão aliar-se aos romanos para não ser escravizado.

César retornou a Roma e reorganizou a República, estendendo a cidadania romana a vários povos conquistados. Fundou colônias em pontos estratégicos, doando terras a agricultores e ex-soldados; realizou numerosas obras na cidade e no campo, empregando mão de obra ociosa; criou um corpo de bombeiros para combater os incêndios que vez por outra irrompiam na cidade e, por fim, iniciou a uma reurbanização de Roma, com a construção de edifícios e monumentos, muitos em sua própria homenagem. O calendário também foi reformado por um grupo de estudiosos a serviço de César, passando a ter 12 meses e com a instituição do ano bissexto, sendo conhecido a partir de então como calendário juliano.




Júlio César : o senhor de Roma

Mas o que pulverizou qualquer simpatia dos aristocratas por Júlio César foi a maneira pela qual ele diminuiu os poderes do Senado, ato interpretado por muitos como uma clara tentativa de ressuscitar a monarquia.
Júlio César foi assassinado em 15 de março de 44 a. C. pelos patrícios em uma conspiração no Senado. Roma mergulhou em uma guerra civil que opôs os senadores e os "herdeiros políticos" de César: Marco Antônio (correligionário de César que se dizia seu sucessor), Otávio (sobrinho e filho adotivo de César) e Lépido (general e banqueiro aliado de César).

Os herdeiros de César derrotaram o exército dos patrícios e, mais uma vez, a república foi dividida. Essa aliança ficou conhecida como Segundo Triunvirato. Pelo acordo de Brindisi, Otávio ficaria com o Ocidente, fixando sua capital em Roma, Marco Antônio, com o Oriente, com capital em Alexandria, no Egito, e Lépido ficaria com o norte da África. Este último era o mais fraco de todos e logo acabou marginalizado na aliança, evidenciando-se a supremacia de Marco Antônio e Otávio. Se no início ambos eram aliados, Otávio mostrou-se mais habilidoso para conseguir a simpatia da aristocracia romana, o suficiente para isolar Marco Antônio.





Marco Antônio uniu-se a Cleópatra e transformou-se em seu novo amante. Tal fato despertou a ira de Otávio, que o acusou de traidor da pátria e de tentar transformar o Egito num reino independente de Roma. A esquadra romana fiel a Otávio derrotou a frágil esquadra egípcia em Actium (31 a.C.). Marco Antônio e Cleópatra, então, suicidaram-se e o Egito foi reduzido a província romana. Otávio retornou a Roma sendo recebido como herói pela plebe, que recebeu trigo distribuído gratuitamente, sendo que este fora saqueado do Egito derrotado. Morria a República e nascia o Império.

Sugestões do Gabinete:




Spartacus (direção: Stanley Kubrick, 1973). Conta a história do escravo que desafiou Roma em nome da Liberdade. Por agredir um guarda romano, o escravo Spartacus (Kirk Douglas) é condenado à morte, mas é salvo por Batiatus, que o compra para usa-lo como gladiador. Revoltado com a obrigação de matar homens para divertir os poderosos, Spartacus lidera uma revolução de escravos que termina por tomar metade da Itália.


Roma - Minissérie da HBO - 1a Temporada(2006) e 2a Temporada (2007)
Ambientada na passagem do Primeiro para o Segundo Triunvirato, a minissérie parte de uma perspectiva fictícia de dois militares romanos(a vida do soldado Tito Pulo e do oficial Lúcio Voreno) e os entrelaça com os personagens históricos, produzindo uma releitura bastante rica sobre a História de Roma, recuperando o que era o cotidiano, usos e costumes, além daquilo que entendemos por história política, mas sempre pouco um pouco de ficção para "aumentar o caldo" desta sopa.




Cleópatra (direção: Joseph L. Mankiewicz, 1963) Esse clássico tem a jovem Elisabeth Taylor no papel-título e retrata o processo de ascensão, esplendor e decadência da rainha Cleópatra VII, última descendente da dinastia ptolomaica. Seu envolvimento com o poder romano, marcado por seus casos amorosos com Júlio César e depois com Marco Antônio, são o motivo de sua glória e de seu fim.



Nenhum comentário:

Postar um comentário