As Ricas Horas do Duque de Berry

As Ricas Horas do Duque de Berry
As Ricas Horas do Duque de Berry. Produção dos irmãos Limbourg - séc. XV. Mês de outubro

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Brasil em agitação: o próximo desafio é a Jornada Mundial da Juventude

Passada a Copa das Confederações, o título obtido pelo Brasil e as manifestações dentro e fora do campo, o turbilhão social que estamos passando talvez esteja longe de se concluir, pois há uma agenda grande para ser posta em prática e o próximo alvo envolve o elemento religioso: a derrubada no Congresso do infame projeto da chamada "cura gay", que na concepção de seus autores busca combater o preconceito.

Algo que é no mínimo, bizarro, mas como diz a sabedoria popular "cada cabeça, uma sentença", mas agora, uma visão minoritária e excludente de um certo segmento político que, diz defender os interesses do povo, não pode usar as instâncias representativas para defender seus próprios interesses e nesse caso, Marcos Feliciano e seus seguidores estão na contramão da História.

A impopularidade da medida é um fator importante e espera-se que o Congresso Nacional tente, ao menos, evitar um tremendo retrocesso no que diz respeito à defesa da tolerância e diversidade que a até então Comissão de Defesa dos Direitos Humanos teve o papel de protagonizar, mas desde a ascensão do seu "atual presidente", a humanidade ali foi para o ralo! Se o sr. Feliciano quer pregar no púlpito de sua igreja aquilo que sua "fé" aponta é um direito dele, mas não na tribuna do Congresso, onde o espaço é de todos, sem diferenças de credo ou condição sexual e social.

A laicidade do nosso Estado deve prevalecer, pois dela virá justamente, o direito igual para que todos possam, de acordo com seus desejos, exercer ou não, a fé como acharem conveniente.


Fonte: Portal iG - by STEFANO RELLANDINI/REUTERS/Newscom

Ainda no universo cristão, temos o simpático papa Francisco, que estará em visita ao país durante a Jornada Mundial da Juventude, entre 22 e 28 de julho, no Rio de Janeiro. Com um discurso que buscou assinalar a humildade e o diálogo, traz consigo a sustentação de posições duras sobre o tema do aborto e o casamento entre homossexuais, mas no caso do primeiro tema a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) distribuirá uma cartilha que coloca a pílula anticoncepcional e o DIU (dispositivo intrauterino) como métodos "abortivos".


Foto da cartilha, distribuída em vários países (Portugal, Espanha e França)

É reconhecível a posição da Igreja sobre o tema, já que se coloca a favor da vida e família, porém, não se coloca em discussão a miopia e silêncio sobre a importância de um planejamento familiar na sociedade e o uso pleno livre arbítrio sobre como e quando será a constituição de uma família por um casal.

Qual é a condição que uma família de baixa condição pode dar aos seus numerosos filhos com o atual modelo de vida e de Estado que temos? Em Gênesis 1,28 está escrito: "Crescei e multiplicai-vos", mas cabe a pergunta: e o alimento, a casa, educação, saúde e tudo mais necessário para uma vida digna virá da onde?
Por mais que as pessoas busquem o trabalho, nem todos tem sucesso e êxito! Olhemos por baixo das pontes e viadutos ou então pelas periferias, entre casebres e palafitas...

Planejamento familiar é bem diferente de aborto em larga escala, feito ao bel-prazer e conveniência de cada um, mas isso não resolverá o problema de pocilgas infectas que praticam clandestinamente o aborto para os mais pobres ou ainda as clínicas de "boa referência e discrição" que praticam o mesmo para quem pode pagar os elevados valores pelo serviço.

Há um erro de foco e leitura que a Igreja Católica e muitos outros segmentos cristãos ainda não perceberam , pois numa sociedade tão desigual e competitiva como a nossa, tem se tornado cada vez mais difícil, educar e sustentar as pessoas com a mínima dignidade e como ficaria numa escalada de crescimento populacional? Outra bizarria é a orientação para que uma mulher, mesmo vítima de estupro, tenha o filho, sendo que pela legislação atual, é permitido o aborto. Há um descompasso grave, pois a vida do feto é posta acima da mãe humilhada e violentada e que não queria uma gravidez oriunda destas circunstâncias.

Infelizmente, não é possível influenciar que as pessoas "coloquem filhos no mundo" e não se preocupem, pois afinal, Deus proverá...

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